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Do tribunal para a ficção: as emocionantes histórias de separações e reecontros de Andrea Pachá

15 / março / 2019

Andréa Pachá tem um talento singular para transformar vivências no tribunal em ficção. Antes de se tornar juíza e escritora, ela participou de um grupo de dramaturgia e trabalhou com cinema e teatro. Já foi membro do Conselho Nacional de Justiça, vice-presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros, recebeu o Diploma Bertha Lutz e também promove campanhas para simplificar a linguagem utilizada nos processos – o “juridiquês”.

Famosa por suas colunas publicadas em alguns dos jornais de maior circulação do país, Pachá encanta os leitores com textos delicados, emocionantes e cheios de personagens com os quais todos se identificam.

 A vida não é justa, seu livro de estreia, foi publicado originalmente em 2012. A ideia da obra surgiu a partir das suas observações à frente de uma Vara de Família e da necessidade de compreender o fenômeno que levava dois amantes apaixonados ao limite do ódio e da intolerância. Composto por crônicas curiosas, divertidas e comoventes sobre separações, reencontros, desencontros, guarda dos filhos, partilha de bens, paternidade e amor, o livro também deu origem à série Segredos de Justiça, do Fantástico.

Agora ele ganha uma nova edição pela Intrínseca, que ano passado lançou Velhos são os outros, livro inspirado nas experiências de Pachá à frente de uma Vara de Sucessões.

Leia um trecho:

A vida não é justa

– É só isso?

– Só isso sim, Aline. Se vocês quiserem esperar um pouco, podem aguardar no corredor para levar o documento de averbação do divórcio.

Mas Aline não se levantava. André também parecia não ter pressa para deixar a sala.

– Surpresa com a rapidez? – perguntei, tentando esvaziar o espaço para a pauta que começara há pouco.

Ela não estava surpresa. Não conseguia encontrar a palavra que definisse o que sentia naquele instante. Na impossibilidade de sintetizar com um substantivo abstrato, precisava de longas orações coordenadas, subordinadas às lembranças que brotavam sem ordem cronológica compreensível.

– É isso, então, o que acontece no final? – ela repetia, olhando para André, como se ele tivesse a resposta.

Aline e André não tinham uma história dramática para contar. Nem sequer precisavam de um acerto de contas. Não se olhavam com ressentimento, tampouco deixavam transparecer que ainda nutriam alguma expectativa para retomar a vida a dois.

Viveram juntos 22 anos. Conheceram-se do outro lado do oceano. Ela, em um curso de especialização; ele, de mochila nas costas, em uma viagem ferroviária sem rota ou destino.

As coincidências e as afinidades eram a certeza de que um nasceu para viver ao lado do outro. Ele ancorou naquele porto seguro e decidiu esperar o fim do curso da moça. Não perderia o trem de volta ao seu lado.

Podia ser apenas mais um romance definitivo, daqueles que começam nas férias e terminam tão logo aterrissam na vida real. Mas não foi assim na história de Aline e André.

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Comentários

Uma resposta para “Do tribunal para a ficção: as emocionantes histórias de separações e reecontros de Andrea Pachá

  1. Gostaria de solicitar a Talentosa juíza que descrevesse os casos de Alienação Parental que a mesma vivenciou em tantos anos no tribunal, e fosse uma embaixadora da campanha #Naoaalienacaoparental pois esse é o mal do século, e muitas crianças estão doentes por esse motivo.

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