Bastidores

Como escolhemos o título “O construtor de pontes”?

30 / janeiro / 2019

Títulos importam. Ao passear por uma livraria, você se vê diante de milhares de possibilidades e não sabe exatamente qual delas escolher. É então que uma capa e um título marcantes podem fazer com que você pegue determinado livro. Um título, no entanto, não é escolhido apenas para chamar a atenção: ele dá início à história que você está prestes a ler.

Definir um título é uma responsabilidade muito grande, principalmente de um livro aguardado há mais de uma década. De certa forma, a capa introduz a obra, mas é o título que convida você à imersão. E essa foi a missão que demos para O construtor de pontes.

Antes de sabermos qual era a trama, doze anos atrás já sabíamos que o nome em inglês seria Bridge of Clay. Assim mesmo: “Clay”, com letra maiúscula.

Em inglês, “clay” significa argila, mas com a primeira letra maiúscula já imaginamos que seria o nome de alguém. Ok, então tínhamos uma pista do que Markus Zusak iria nos contar. “Bridge” é ponte. Ok, então também tem uma ponte. Juntas, as palavras poderiam significar “Ponte de Clay” ou “Ponte de argila”. Mas o que é essa ponte? Por que ela é do Clay? É realmente feita de argila? O que tudo isso significa? Vai fazer sentido em português?

Permanecemos com essas perguntas por muitos anos, até que enfim o manuscrito chegou a nossas mãos. À medida que fomos lendo, descobrimos que Clay não era apenas alguém que constrói uma ponte para cruzar um rio; o objetivo dessa ponte era muito mais significativo do que impedir que uma passagem fosse tomada pela água.

As pontes eram outras. Eram muitas e assumiam diversas formas. E a história… era muito maior do que imaginávamos! “Ponte de Clay” não correspondia ao que a família Dunbar havia passado nem à importância de Clay para a narrativa. Quais seriam as outras opções de título, então? Escolhemos aquele que consideramos digno da jornada deles: de Clay, Matthew, Henry, Rory, Tommy, Penny, o Assassino, Aquiles, Aurora, Agamenon, Heitor e Telêmaco. Como irmão, como filho e como ser humano, Clay os une, é o receptáculo de suas histórias.

Portanto, nada mais justo do que receber o título que lhe compete, o de construtor de pontes. Das pontes físicas que impedem enchentes às invisíveis que unem esses personagens, que fazem com que as histórias deles se entrelacem. E talvez, quando você terminar a leitura, se sinta tocado por essa família, fique com saudade do livro, se veja diante de trechos sublinhados para compartilhar e guardar para sempre, e aí vai lembrar que bons títulos são assim: a gente carrega para a vida, porque todos nós somos um pouco construtores de pontes.


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