Notícias

As muitas formas da água

31 / Janeiro / 2018

Quando um livro se torna mais uma superprodução do cinema, é comum que os fãs da obra original digam aos quatro cantos que “o livro é melhor que o filme”. No caso de A forma da água, entretanto, algo peculiar aconteceu: as duas obras foram produzidas simultaneamente.

Por isso, o livro que os leitores terão em mãos a partir de 27 de fevereiro e o filme que verão nos cinemas brasileiros a partir desta quinta-feira e que lidera as indicações do Oscar 2018 contam a mesma história, mas de formas bem diferentes.

A ideia para A forma da água surgiu quando o coautor de Caçadores de Trolls, Daniel Kraus, se reuniu com Guillermo del Toro. Enquanto conversavam sobre o universo do livro infantojuvenil, Kraus mencionou uma história que tinha na cabeça desde jovem, sobre uma criatura marinha trancafiada em um laboratório e uma zeladora que a ajudava a escapar. Del Toro se apaixonou pelo enredo e decidiu que o levaria aos cinemas o quanto antes.

Aos poucos os criadores foram seguindo cada um o seu caminho. Os acontecimentos principais seriam os mesmos, mas as abordagens feitas pelo livro e pelo filme, não.

Guillermo del Toro, Sally Hawkins e Doug Jones nos bastidores do filme de A Forma da Água (Fonte)

A melhor representação dessas diferenças é o personagem Richard Strickland, que, na produção cinematográfica, é o vilão da trama, enquanto no livro ele funciona mais como um terceiro personagem central, e não um antagonista. Por conta desse papel mais relevante, o primeiro acontecimento do livro é a chegada do personagem à Amazônia, para procurar e capturar a criatura que os locais chamam de deus Brânquia.

Além de dar mais voz a Strickland, o livro consegue explorar melhor os personagens secundários da trama, como Giles, Zelda e Lainie, esposa do antagonista do filme. Outro aspecto que é mais bem desenvolvido é o contexto histórico, com uma trama rica que toca em temas como disputas ideológicas em plena Guerra Fria, racismo e homofobia.

Durante a produção, Del Toro e Kraus continuaram compartilhando sugestões e referências – por exemplo, é fácil perceber como os dois autores são obcecados pelo filme de 1954 O Monstro da Lagoa Negra e quanto a criatura assustadora influenciou ambas as obras.

Seja nas páginas ou nas telas, A forma da água é um verdadeiro conto de fadas moderno sobre um homem e seus traumas, uma mulher e sua solidão, e o deus que muda para sempre essas vidas.

Saiba mais sobre o livro.

Leia mais Notícias

Com 13 indicações, A forma da água lidera corrida ao Oscar 2018!

Com 13 indicações, A forma da água lidera corrida ao Oscar 2018!

Os diversos mundos de Guillermo del Toro

Os diversos mundos de Guillermo del Toro

Intrínseca no salão carioca do livro

Intrínseca no salão carioca do livro

Divulgada estreia de Objetos cortantes, série da HBO inspirada na obra de Gillian Flynn

Divulgada estreia de Objetos cortantes, série da HBO inspirada na obra de Gillian Flynn

Comentários

Uma resposta para “As muitas formas da água

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *