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A conexão secreta entre a Igreja Católica e o fascismo

5 / abril / 2017

Desafiando a narrativa histórica convencional que retrata a Igreja Católica como forte opositora do regime fascista, David I. Kertzer revela em O papa e Mussolini, livro vencedor do Prêmio Pulitzer de Biografia, como o papado de Pio XI foi crucial para que Mussolini instaurasse sua ditadura e se mantivesse no poder.

Após uma rigorosa investigação, que envolveu sete anos de estudo de relatórios dos espiões de Mussolini na Santa Sé e dos arquivos secretos do Vaticano, abertos em 2006, David I. Kertzer comprova como a aliança entre a Santa Sé e o “Duce” garantiu à Igreja a restauração de posses e privilégios na Itália. Chamado pelo próprio papa como “Homem enviado pela Providência”, Mussolini instaurou um regime que tornou possível, entre outros exemplos, o histórico Tratado de Latrão, que encerrou a separação entre o moderno Estado italiano e a Igreja Católica. O acordo assegurou o catolicismo como a “única religião do Estado”, delimitou as fronteiras da Cidade do Vaticano — determinada também como território soberano — e estabeleceu que a Itália pagasse o equivalente a um bilhão de dólares americanos (em valores de 2013) para que, em troca, a Santa Sé desistisse de todas as reivindicações relativas à perda de territórios durante a unificação italiana.

Como 99% dos italianos eram católicos, não foi difícil para a Santa Sé garantir que sua influência protegesse o regime aliado. A Ação Católica, organização laica da Igreja presente em todo o país, trabalhou em estreita colaboração com as autoridades fascistas para aumentar o alcance repressivo da polícia. Longe de se opor ao tratamento aos judeus como cidadãos de segunda classe, a Igreja forneceu a Mussolini apoio para a adoção de medidas severas, como um acordo secreto entre o Vaticano e o ditador para evitar qualquer crítica às infames “leis raciais” antissemitas, em troca de privilégios às organizações católicas.

Além da farta documentação, O papa e Mussolini apresenta uma vívida biografia de dois homens que chegaram ao poder em Roma no mesmo ano e que, juntos, mudaram o curso da história. Em diversos aspectos, Pio XI e o “Duce” não poderiam ser mais diferentes. No entanto, tinham muito em comum. Não acreditavam na democracia e abominavam o comunismo. Eram propensos a ataques de cólera e protegiam com todas as forças as regalias dos cargos que ocupavam.

Impactante e dramática, a obra que chega às livrarias a partir de 11 de abril traz uma visão cruelmente verdadeira sobre um capítulo obscuro da história mundial, narrada com extrema perícia e com deliciosos detalhes sobre a ampla rede de espiões de Mussolini na Santa Sé, as intrigas e os escândalos tanto nas relações extraconjugais do Duce quanto dentro do Vaticano e as particularidades de duas importantes figuras históricas.

>> Leia um trecho de O papa e Mussolini

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2 Respostas para “A conexão secreta entre a Igreja Católica e o fascismo

  1. Gostaria de saber o endereço de uma Livraria em Belo Horizonte, para que eu possa comprar.

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