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Um herói é eterno — e nosso amor por ele, também

18 / janeiro / 2017

Por Liciane Corrêa*
 

Quando o convite para revisar Como treinar o seu dragão chegou, em 2009, eu não sabia que Soluço e Banguela iriam roubar meu coração. Mas, após fechar o pacote para devolver o livro à editora, eu já imaginava que crianças e adultos no mundo inteiro (a série foi traduzida em 37 idiomas) se renderiam aos encantos do herói mais improvável de todos os tempos e seu fiel dragãozinho.

Sou suspeita para falar, porque acho todo livro infantil fofo. A estante aqui de casa é repleta deles. Mas Como treinar o seu dragão vai além da fofura: nas 12 histórias contadas por Soluço, mais uma do ponto de vista de Banguela, temos narrativas inteligentes e inspiradoras, que aguçam e encantam a mente infantil.

O primeiro livro já começa com muita aventura: um menino que se vê em uma situação complicada e, aos tropeços, luta para fazer o que é certo. E a cada livro é uma aventura diferente: surgem novos personagens (alguns amigos, outros inimigos), eles viajam para lugares desconhecidos e cada vez mais longínquos; os perigos e as responsabilidades aumentam à medida que as páginas avançam.

Em algum momento da série, notamos que as tramas estão alinhavadas e que tudo converge para um mesmo propósito. Também percebemos que nosso protagonista cresceu. Soluço — assim como seus leitores — deixou de ser apenas um garotinho para se tornar herói.

Sem esquecermos que as histórias são feitas para crianças, podemos ver que o universo criado por Cressida Cowell é digno de comparação às grandes sagas de fantasia criadas por Tolkien e George Martin. São centenas (sim, centenas!) de personagens, entre humanos e dragões, raças, tribos e lugares, além de um idioma próprio, o dragonês. Toda uma criatividade sem fim na criação dos nomes, que as tradutoras e a equipe da editora tiveram a honra e a dedicação de adaptar com primor: Bafoca de Maluquício, Malvado Melequento, Bastante Bolado, Fabuloso Figurão, Mosca da Tempestade, Pesadelo Monstruoso, Ilha Congelada de Lugar Nenhum, entre tantos outros.

 

Mais do que diversão

E a criatividade de Cressida não para por aí. As ilustrações do livro são superdivertidas, o senso de humor é ímpar, os cenários são descritos vividamente e as cenas de ação, bem-descritas. Meninos e meninas fãs da série, que passaram quase uma década crescendo junto com a saga, tiveram a oportunidade de se divertir enquanto aprendiam lições importantes de aceitação, amizade e espírito de equipe:

– Soluço não se deixa abater pelo fato de ser um menino magrela, diferente do pai e de todo o restante da tribo, a ponto de ser motivo de piada. Pelo contrário: ele usa sua astúcia e inteligência para, pouco a pouco, se tornar um herói viking.

– Pelo bem de seus amigos e por seus ideais, Soluço “cutuca dragões do mal com vara curta”. Quem mais arriscaria a vida para conseguir uma batata, o único antídoto para o veneno que poderia matar o amigo Perna-de-peixe?

– A primeira batalha que nossos personagens enfrentam, no Promontório da Morte, se tornou uma lenda viking. Soluço pode ter sido o grande mentor de tudo, mas Banguela e Stoico tiveram papel crucial na salvação dos Hooligans Cabeludos.

Sim, Soluço não alça seus voos sozinho. Os outros personagens da série têm personalidades bastante diversas. Por isso, é impossível não se identificar com pelo menos um deles: o tímido Perna-de-peixe, a aventureira Camicazi, o cabeça-dura Stoico, o desobediente Banguela, o temperamental Bocão, a mal-humorada Dragoa da Tempestade.

 

Aventuras além do papel

 

Em relação às adaptações cinematográficas da série, produzidas pela DreamWorks, alguns personagens dos livros são completamente diferentes ou não existem. Nosso Banguela, por exemplo, deixa de ser um dragãozinho minúsculo, empoleirado no ombro de seu mestre, para dar vida a um imponente Fúria da Noite, uma das raças mais raras e perigosas.

A gente sempre ouve essa comparação de “o livro é melhor que o filme”, “o filme tem mais ação que o livro” etc. Se alguém me perguntar, vou dizer que adoro os dois. Porque, apesar das diferenças, livros e filmes têm em comum o fato de que olhamos para os vikings e os dragões (bonzinhos) como se fossem nossos amigos: rimos com eles, rimos deles, choramos com eles.

A série de livros foi tão bem-sucedida que inspirou também uma série de animação há quatro anos no ar, quatro curtas-metragens, videogames para várias plataformas, HQs, graphic novels, uma peça que já viajou por cinco países, espetáculo no gelo, action figures da Funko POP! e até brindes do McDonald’s. Uma jornada e tanto! É para nosso herói nunca ser esquecido, mesmo.

 

Liciane Corrêa é tão apaixonada pela série que deixou de comer pizza em Roma para comprar um McLanche Feliz e ter seu próprio Pesadelo Monstruoso. Ela também tem action figure do Soluço, o DVD do primeiro filme (presente do então melhor amigo, que hoje é seu marido) e um gatinho preto muito parecido com o Banguela das telonas.

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Comentários

4 Respostas para “Um herói é eterno — e nosso amor por ele, também

  1. eu so fa de como treinar o ceu dragam

  2. o sonho de minha vida era conseguir imaginar como seria ter e estar com um dragão e voces conseguiram fazer com que meu sonho fosse realizado nem q seja assistindo um desenho mas posso me imaginar como se estivesse la.

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