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É tudo verdade: nove curiosidades sobre a feira de O demônio na Cidade Branca

12 / setembro / 2016

Por Bernardo Barbosa*

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Nem só de grandes feitos e tragédias viveu a Chicago de O demônio na Cidade Branca, livro que acaba de ser relançado no Brasil pela Intrínseca. Na obra, o autor Erik Larson traz um relato vívido das façanhas da feira mundial de 1893 e da assustadora trajetória do serial killer H. H. Holmes. Mas o ímpeto pesquisador de Larson também nos trouxe outros fatos e personagens curiosos e incríveis, seja pelo legado que deixaram, seja pelas bizarrices que ficaram registradas para nossa diversão. E pode acreditar: tudo isso aconteceu de verdade.

 

1 – A roda da fortuna

A roda-gigante veio ao mundo especialmente para a feira mundial de Chicago, evento criado para celebrar os 400 anos da chegada de Cristóvão Colombo à América — e também para que os Estados Unidos fizessem frente à feira mundial de Paris, de 1889. Se a exposição da Cidade Luz teve a Torre Eiffel como atração inédita e principal estrela, a de Chicago teve na roda-gigante sua protagonista. Com quase 80 metros de diâmetro e capacidade para mais de 2 mil pessoas por vez, o brinquedo inventado por George Ferris foi responsável por salvar a feira americana da ruína financeira.

 

2 – Muito além da pontualidade

A proverbial pontualidade britânica não é páreo para o que os integrantes da aldeia argelina fizeram na feira mundial de Chicago. Contratados para o evento, dezenas de argelinos chegaram à Costa Leste americana no mês combinado — mas um ano antes do necessário. O detentor dos direitos de exposição da aldeia, Sol Bloom, resolveu não esperar: aproveitou o burburinho provocado na cidade pelas dançarinas do ventre para embolsar uma boa soma de dólares mesmo bem antes de a feira abrir.

 

3 – O lado menos nobre da medicina

A feira mundial de Chicago foi um evento de superlativos, e os quase 30 milhões de visitantes que recebeu durante seus seis meses são prova disso. Coloque essa quantidade de gente no meio de incontáveis máquinas, prédios enormes, comidas de todo o mundo e uma roda-gigante, e você terá mais de 11 mil pessoas recebendo atendimento médico. Entre centenas de casos de desmaio, dor de cabeça e indigestão, destacam-se os 169 episódios de “dentes que doíam como o diabo” e um de “flatulência extrema”. Talvez isso tenha relação com o assunto seguinte deste texto.

roda-giganteRoda-gigante, projetada por George Washington Gale Ferris (Fonte: Library of Congress, Washington, D.C.)

 

4 – Vai um guisado de macaco?

Nos Estados Unidos do fim do século XIX, provavelmente as palavras “consumo” e “consciente” nunca haviam aparecido uma ao lado da outra. Antes da feira de Chicago, os organizadores buscaram atrair arquitetos de Nova York com um jantar cujo cardápio abrigava, entre entradas, pratos e sobremesas, mais de dez etapas. Segundo Larson, isso fazia com que as pessoas se perguntassem “se seria possível que os homens mais notáveis da cidade tivessem alguma artéria ainda funcionando”. Já durante a feira, destaque para o baile em que foram servidas, entre outras iguarias, guisado de macaco, fricassê de rena e avestruz recheado. Ah, havia também batatas cozidas, mas quem se importa?

 

5 – Além de Chicago

Alguns dos principais nomes que fizeram nascer a feira mundial de 1893 deixaram um legado para além do evento. Seu diretor de obras, Daniel Burnham, projetou o icônico edifício Flatiron, onipresente em fotos e filmes de Nova York. Apelidado de “pai dos arranha-céus”, Louis Sullivan desenhou para o evento o gigante e premiado Edifício dos Transportes, mas é mais conhecido por ter sido mentor do influente arquiteto Frank Lloyd Wright — o responsável, entre outras obras-primas, pelo museu Guggenheim de Nova York.

 

6 – Um mal de muitos nomes

Conhecido pela série de assassinatos que cometeu em paralelo à agitação da feira mundial de Chicago, H. H. Holmes também era um vigarista de mão-cheia. Ele se valeu de ao menos seis nomes ao longo da vida para cobrir rastros de fraudes e homicídios. A conta inclui o de batismo, Herman Webster Mudgett. Além disso, casou-se três vezes — em mais um golpe, dois dos casamentos foram simultâneos.

dr-_henry_howard_holmes_herman_webster_mudgettH. Holmes (Fonte: Wikipedia)

7- Paisagem do caos

Responsável pelo paisagismo da feira de Chicago, Frederick Law Olmsted é considerado um dos pioneiros da atividade nos Estados Unidos e foi um dos autores do projeto paisagístico do Central Park, em Nova York. Olmsted assinou paisagens em todo o território americano — inclusive a do próprio asilo em que foi internado no fim da vida, sob profunda demência, no estado de Massachusetts.

 

8 – Um mundo ideal

Um dos milhares de operários que ergueram a feira mundial de 1893 era um carpinteiro e marceneiro chamado Elias Disney. Segundo o escritor Erik Larson, ele “contaria muitas histórias sobre a construção do mágico reino à beira do lago. O filho Walt registraria tudo”. O escritor L. Frank Baum e o ilustrador William Wallace Denslow também visitaram a feira e de lá saíram inspirados para produzir “O Mágico de Oz”. Ambos faziam parte do clube da imprensa de Chicago.

 

9 – A Cidade Branca resiste

Muito do que foi erguido para a feira foi pensado para ser temporário. Alguns dos pavilhões foram desmontados e reconstruídos em outros lugares dos Estados Unidos. Mas os maiores deles foram ao chão em agosto de 1894, sob a ação de incendiários. Hoje, a Cidade Branca resiste no Palácio de Belas-Artes, transformado em um prédio permanente que sedia o Museu da Ciência e Indústria.

>> Leia um trecho de O demônio na Cidade Branca

Bernardo Barbosa é jornalista, com passagens por O Globo e Agência Efe. Gostaria de ver o Aterro do Flamengo tomado por qualquer feira que tenha o maior número de barracas de comida por país.

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