Clóvis Bulcão

O esporte, a vocação do Rio

29 / agosto / 2016

Em 1917, quando um grupo de cariocas resolveu bancar a realização do Campeonato Sul-Americano de Futebol no Rio de Janeiro, com certeza não tinha noção de que estava dando o pontapé inicial para o desenvolvimento de uma das maiores vocações da cidade, o esporte. Anos mais tarde, no fim da década de 1920, essa tendência foi reforçada pela criação da prova automobilística que se tornou famosa como Circuito da Gávea. As corridas das baratinhas colocavam o Rio de Janeiro no centro das atrações internacionais.

Os dois episódios estão bem descritos em Os Guinle. Os irmãos Arnaldo e Carlos já no início do século XX notaram como a paisagem carioca tinha tudo para ser palco de grandes competições. Aos poucos, o Rio de Janeiro foi talhando esse perfil. Primeiro, com a construção do Pavilhão de Regatas, na enseada de Botafogo, na primeira década do século; depois, em 1919, o Fluminense ergueu seu estádio no bairro de Laranjeiras; na década de 1920, nasceu na Gávea o Hipódromo.

O ápice dessa escalada foi a construção, em 1950, para a Copa do Mundo, do maior estádio do planeta, o Maracanã. Na segunda metade do século, este seria o maior templo do esporte brasileiro. Tanto que em 1983 o Maracanã cedeu seu prestígio a outro esporte, o vôlei. Quase 100 mil pessoas foram ver o amistoso entre o Brasil e a então União Soviética. A vitória do Brasil, por 3 a 1, foi fundamental para a popularização do vôlei.

Mesmo não sendo o Brasil uma potência esportiva, a Cidade Maravilhosa foi, ao longo de sua história, tecendo a tradição de sediar eventos internacionais: em 1972, houve o Mundialito de Futebol, para celebrar os 150 anos de nossa independência; em 1976, a praia do Arpoador foi palco do International Professional Surfers; em 1995, no ginásio do Maracanãzinho foi disputada a final da Liga Mundial de Vôlei; e, de novo no Maracanã, aconteceu o Mundial de Clubes da Fifa, em 2000. Mas foi apenas em 2016, com a realização das Olimpíadas, que a vocação do Rio como destino esportivo atingiu o apogeu. Sem contar que em 2014 sediamos pela segunda vez a Copa do Mundo. E sediaremos dentro de alguns dias os Jogos Paralímpicos.

E agora? Como diria um terceiro Guinle, Octávio, que construiu o Copacabana Palace, necessitamos de um calendário esportivo. No embalo do sucesso da Rio 2016, deveríamos atrair o maior número possível de torneios e campeonatos de grande porte. Também podemos criar eventos. Por exemplo, em 2019, a cidade deveria festejar de forma efusiva o centenário de seu primeiro evento esportivo internacional, o Sul-Americano de Futebol, um marco na história do esporte brasileiro.

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