Clóvis Bulcão

A Gávea

18 / julho / 2016

Gávea 1

O Hipódromo da Gávea (fonte)

Começo a suspeitar que é pobre a tese de que foi o poder público o maior, e único, responsável pela ocupação da cidade do Rio de Janeiro em direção à Zona Sul. Ao que tudo indica, os capitais privados tiveram enorme e relevante papel nesse movimento. E não foi apenas na direção da orla marítima de Copacabana que os Guinle contribuíram de forma inequívoca ao erguer o Copacabana Palace.

Para analisar melhor a questão, comprei em um sebo o livro Gávea. Escrito por Cássio Costa, a obra foi publicada pelo Departamento de História e Documentação do Estado da Guanabara e integra a coleção História dos Subúrbios — e ver um dos bairros mais nobres da cidade ser chamado de subúrbio me surpreendeu. O livro não está datado, mas, como foi bancado pela antiga Guanabara, significa que foi produzido entre 1960 e 1975, quando o Rio de Janeiro foi município e estado ao mesmo tempo.

A região da Gávea era prioritariamente industrial até os anos 1970. Segundo o livro, as transformações foram acontecendo aos poucos, e os Guinle participaram de alguns desses momentos. O primeiro evento marcante ocorreu em 1926, com a inauguração do Hipódromo da Gávea. A obra foi idealizada e coordenada por Linneu de Paula Machado, casado com Celina Guinle, mas quem a financiou foi ela.

Na década seguinte, a Gávea ganhou fama internacional, pois ali se realizava o Circuito da Gávea, prova automobilística organizada por um irmão de Celina, Carlos Guinle. Pelas ruas do bairro e de São Conrado corriam as espetaculares “baratinhas” das principais marcas mundiais: Ferrari, Alfa Romeo, Mercedes-Benz etc.

Já na década de 1940, a casa de outro irmão, o empresário Guilherme Guinle, que hoje abriga o Museu Histórico da Cidade, dentro do Parque da Cidade, no alto da Marquês de São Vicente (principal rua da Gávea), era frequentada pela nata do mundo político e industrial do país. Todas essas informações sobre a Gávea estão no livro de Cássio Costa, mas quem leu Os Guinle sabe que elas fazem parte da saga da família.

Apesar de ter sofrido um forte processo de favelização, o bairro não guarda mais nenhum traço de seu passado industrial. Hoje, a Gávea é um bairro de classe média alta que conta com comércio sofisticado e polo gastronômico e cultural, com teatros e cinemas.

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