Clóvis Bulcão

As ondas se rompem

20 / junho / 2016

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Em 5 maio de 1923, na rua São José, 114, região central da cidade, foi criada a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. Presidida por Henrique Morize e tendo Carlos Guinle como um de seus diretores, a emissora era um velho sonho do médico e escritor Edgar Roquette Pinto. A ideia era fazer dessa que foi a primeira estação brasileira um instrumento de educação e, portanto, transformador da sociedade. Foi com esse sentimento que a rádio foi implantada no Brasil, tanto que em São Paulo a estação pioneira se chamava Rádio Educadora Paulista.

Os brasileiros gostaram tanto do rádio que na década de 1930 ele já tinha se tornado um potente veículo de divulgação de informações, modismos, cultura e consumismo. Em 1936 seria inaugurada a Rádio Nacional do Rio de Janeiro, e dois anos mais tarde pudemos acompanhar de forma inédita a Copa do Mundo, realizada na França: pelas ondas radiofônicas. No fim da década, em 1939, o presidente Getúlio Vargas criou o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) e passou a explorar o potencial político do rádio através do programa “Voz do Brasil”, que existe até hoje.

Na década seguinte, a Nacional, sempre com um forte sotaque carioca, consagrou em todo o Brasil artistas como Ary Barroso, Carmen Miranda, Francisco Alves. Com a popularização da televisão parecia que o veículo estava com os dias contados. Para surpresa de muitos, no entanto, as rádios sobreviveram. Mais tarde, no início do século XXI, apareceu um novo competidor, a internet, e de novo os problemas foram contornados.

Hoje as rádios passam pela pior crise de sua gloriosa história. As maiores emissoras do Rio de Janeiro fizeram demissões em massa recentemente e/ou estão com dificuldades de pagar os salários em dia. Recentemente, perdemos Alfredo Raymundo, Maurício Menezes e Sidney Rezende, verdadeiros ícones do rádio brasileiro. E os festejos dos oitenta anos da Rádio Nacional passam ao largo.

Ainda assim, o rádio tem um público fiel. Alguns programas conseguem manter quase 400 mil ouvintes por minuto. Ao contrário do que se imaginava com o advento da internet, as emissoras se adaptaram ao ambiente virtual e conseguiram renovar suas plateias.

Quando esta onda ruim passar, o velho e bom rádio vai, mais uma vez, mostrar todo o seu vigor.

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