Clóvis Bulcão

Tânia Caldas

9 / maio / 2016

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Tânia Caldas (Fonte)

Alguns leitores reclamaram da ausência de Tânia Caldas no meu livro Os Guinle. No fim da década de 1960 e início dos anos 70, ela foi uma das modelos mais badaladas do Brasil. Seu sucesso foi tanto que em dezembro de 1977 ela foi capa da Interview, revista americana criada pelo gênio do pop art Andy Warhol. Segundo uma única fonte, a enciclopédia eletrônica Wikipédia, Tânia foi casada com Jorginho Guinle, fato que não cito em meu trabalho.

O próprio Jorginho, em sua biografia, não fala nada sobre ela. Logo, quem está com a verdade? Ora, como diria o cronista Antônio Maria, “os romances de Jorginho começavam e acabavam em notícia”. Sendo assim, fica fácil encontrar o porquê da ausência de Tânia em diversos livros sobre a família Guinle.

O romance começou em agosto de 1975. A primeira aparição pública do casal foi na antiga casa de espetáculos carioca Canecão, em Botafogo. Eles foram com amigos ver o show de Chico Buarque e Maria Bethânia. Dias depois, ela, jovem e bela, fez o namorado acompanhá-la até o recém-inaugurado restaurante Natural, em Ipanema, reduto de jovens surfistas e cocotas. Um ambiente inabitual para um playboy do calibre de Jorginho.

Ele estava tão apaixonado que na fase inicial do namoro deu uma Brasília branca para a namorada. Rodavam pelo circuito Rio, Teresópolis, Nova York e Paris. Não demorou muito e Tânia foi morar no apartamento dele, na praia do Flamengo. Para os padrões de hoje, a união seria considerada um casamento, mesmo não havendo um laço oficial nem filhos.

Então, qual o motivo para Jorginho omitir o nome de Tânia em sua biografia? Um inesperado encontro ocorrido em dezembro de 1978, na boate Hippopotamus, em Ipanema, pode ser uma boa pista. Segundo o colunista social Zózimo Barrozo do Amaral, Jorginho, ao chegar à Hippo, teve o desprazer de encontrar Tânia com o ator Raul Cortez.

A manchete da capa da Interview estampada por Tânia trazia uma frase que resume bem esse romance:  “Eu nunca fui uma cortesã de Jorge Guinle nem de ninguém. Serei Tânia Caldas forever!”

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