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O jovem soldado cientista

23 / maio / 2016

Por Vanessa Corrêa* 

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Formadas pela oscilação simultânea de um campo elétrico e de um campo magnético perpendiculares entre si, ondas de rádio são propagadas por uma antena e viajam à velocidade da luz no vácuo. Como em um passe de mágica, são ondas capazes de transportar por longas distâncias as mais diferentes mensagens, informando, entretendo e emocionando pessoas com vidas totalmente diversas. Mas essas mesmas ondas também são capazes de conduzir mensagens de ódio, viabilizar uma guerra, salvar uma vida ou provocar o fim de muitas outras.

Para o adolescente alemão Werner Pfennig, a descoberta milagrosa de um velho rádio coincide com a descoberta do conhecimento. Por meio de um aparelho rudimentar encontrado atrás de um galpão, Werner e sua irmã, Jutta, entram em contato com a ciência, a música e a arte e ampliam seu mundo para além da cinzenta cidade de Zollverein e de suas minas ameaçadoras, que causaram a morte do seu pai.

blog211319Levados pelas ondas do rádio, eles chegam a Londres, a Roma e à Hungria. Mas são conduzidos para seu destino preferido por meio da voz suave de um francês, que lhes ensina sobre o funcionamento do cérebro, o alcance da luz, o Polo Norte e as criaturas marinhas. A partir das lições desse professor, Werner é levado para a pequena Saint-Malo, no norte da França, sem imaginar que as muralhas da cidade francesa acabariam servindo de cenário para acontecimentos decisivos em sua vida.

Fascinado pelo rádio e por seu poder de comunicação, Werner descobre o lado nefasto desse aparelho da pior forma possível. O adolescente tem um talento excepcional para lidar com baterias, circuitos e todos os demais mecanismos que compõem um rádio e encontra nessa habilidade sua chance de deixar Zollverein. Seu talento o leva à escola de recrutas de Schulpforta, onde aos poucos irá perceber todo o horror que envolve a ideologia nazista e o preço que terá que pagar se quiser sobreviver nesse sistema.Werner, que sonhava em estudar com grandes cientistas em Berlim, percebe que o conhecimento é uma ferramenta muito mais poderosa do que imaginava e que, em tempos de guerra, é capaz de determinar a morte ou a sobrevivência de um povo. Em Toda luz que não podemos ver acompanhamos a transformação de Werner Pfennig de um adolescente habilidoso e inteligente em um jovem soldado engolido pela máquina da guerra, em busca de um último ato de redenção.

Vanessa Corrêa é jornalista, já trabalhou na Folha de S.Paulo e no portal UOL e é apaixonada por livros, cinema e fotografia.

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