Fernando Scheller

Carta de amor ao leitor desconhecido

7 / abril / 2016

Para quem se escreve um livro? Ao começar O amor segundo Buenos Aires, meu maior desafio era a identificação. O objetivo sempre foi criar personagens com quem fosse possível desenvolver uma relação, entendendo seus defeitos, vibrando com suas realizações e, acima de tudo, compartilhando sua imensa capacidade de amar.

Para resumir, criei uma pequena lista de intenções a serem cumpridas com a trama. Uma pequena carta para esse leitor desconhecido — você — que, muito em breve, tenho esperanças de encontrar.

Aqui vai:

Se você já amou demais
Brigou e perdoou
E conseguiu esquecer um grande amor
Mas ainda se lembra quando ouve aquela música
(E é uma lembrança doce)
Se de vez em quando se permite mais do que o necessário
Se não resiste a um chocolate
Se já encontrou Jesus
Ou o deus das pequenas coisas
Se já se revoltou e renegou o divino
Só para se arrepender no momento seguinte
Se acredita que todo amor vale a pena
Que todos têm o direito de amar
Que cada um é de alguma forma especial
E percebe detalhes bonitos
Mesmo em um mundo que pode ser muito feio
Se acredita que as pessoas são iminentemente boas
Se teve a coragem de se desculpar com um beijo
Ou de se abrir ao poder de um abraço
E já sentiu tanto amor que teve vontade de chorar
Se pensou sobre todas essas coisas
Em muitas delas, em algumas delas ou mesmo em uma só delas
Este livro é para você
Ele foi feito com amor e é sobre todas as formas de amor

 

Boa leitura.

Leia mais Fernando Scheller

Adeus, Buenos Aires

Adeus, Buenos Aires

Existe amor em Cabul

Existe amor em Cabul

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *