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De volta à Área X, pela última vez

19 / fevereiro / 2016

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O Comando Sul entrou em colapso. As fronteiras da Área X estão avançando.

Por décadas, a Área X foi um completo mistério. Após apagar os últimos resquícios da presença humana e criar uma barreira invisível que a separa do resto do mundo, a região foi visitada por diversas expedições de uma organização criada pelo governo para controlá-la: o Comando Sul.

Em Aniquilação, primeiro volume da série de Jeff VanderMeer, acompanhamos a 12ª expedição. Ao longo do livro, os fenômenos incomuns vão transformando a missão em um desastre, e apenas a bióloga consegue se manter fiel ao objetivo de investigar a região. A sequência, Autoridade, é focada no Comando Sul, órgão responsável por tentar compreender a Área X e que lentamente se torna tão estranho e bizarro quanto seu objeto de estudo.

Aceitação, último livro da trilogia que chega às livrarias em 24 de março, conecta os dois livros anteriores em capítulos breves e acelerados, narrados da perspectiva de personagens cruciais. Página após página, os mistérios são aos poucos solucionados, mas as consequências dos acontecimentos passados jamais serão menos profundas ou aterrorizantes.

Com elementos remanescentes do horror cósmico de H.P. Lovecraft, a série de ficção científica de Jeff VanderMeer foi indicada aos maiores prêmios de literatura do gênero, como o Hugo, o Philip K. Dick. Além disso, Aniquilação ganhou o prêmio Nebula, e será adaptado para os cinemas estrelado por Natalie Portman.

Confira abaixo um trecho de Aceitação:

aceitação“Bem ali, fora do alcance, quase perto de você: o avanço e a espuma da arrebentação, o cheiro penetrante do mar, as silhuetas das gaivotas se entrecruzando nos ares, seus gritos bruscos, incômodos. Um dia normal na Área X, um dia extraordinário — o dia da sua morte —, e ali está você, encostada a um banco de areia, meio protegida por um muro em ruínas. O sol quente contra o seu rosto, e acima a visão vertiginosa da torre do farol, iminente em sua própria sombra. O céu tem uma intensidade de cor que não admite nada além da sua prisão azul. Há areia pegajosa reluzindo no corte profundo que atravessa sua testa; há algo picante em sua boca, escorrendo.

Você se sente entorpecida e quebrada, mas há um alívio estranho misturado ao arrependimento: ter percorrido um caminho tão longo, ter parado ali, sem saber o que iria acontecer, e ainda assim… descansar. Vir para descansar. Finalmente. Todos os planos que você concebeu lá no Comando Sul, o medo angustiante e permanente de cometer um erro ou coisa pior, o preço daquilo…

Tudo agora está escorrendo na areia ao seu lado, em pérolas rubras.

A paisagem avulta à sua frente, curvando-se às suas costas para vê-la melhor. Em alguns trechos ela explode em clarões, ou gira em torvelinho, ou se reduz a um ponto luminoso, antes de voltar a entrar em foco. Sua audição também não é mais o que era; enfraqueceu, juntamente com o seu equilíbrio. E então vem essa coisa impossível: uma voz que brota da paisagem e a impressão de que há olhos sobre você, como um truque de mágica. O sussurro é familiar: Sua casa está em ordem? Mas você pensa, seja lá quem está perguntando deve ser um estranho, e você o ignora, não gosta de pensar em quem pode estar batendo à porta.

O latejar no seu ombro, depois daquele encontro na torre, está muito pior. A ferida traiu você, a fez saltar para aquela ardente imensidão azul mesmo contra a sua vontade. Alguma comunicação, algum gatilho embutido entre a ferida e aquela chama que se aproximou dançando por entre os juncos, traiu a sua soberania. Sua casa raras vezes esteve tão desarrumada e, no entanto, você sabe que independentemente do que deixará daí a uns minutos, outra coisa há de ficar. Desaparecer no céu, na terra, na água não é garantia de morte aqui.

Uma sombra une-se à sombra do farol.

Em seguida, chega o rangido de botas e, desorientada, você grita “Aniquilação! Aniquilação!” e se debate até perceber que a aparição ajoelhada à sua frente é a única pessoa insensível a essa senha.

— Sou só eu, a bióloga.

Só você. Apenas a bióloga. Apenas sua arma desafiadora, arremessada contra as paredes da Área X.”

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