Clóvis Bulcão

Brigas em família

11 / janeiro / 2016

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Dolores Sherwood e Jorginho Guinle (fonte)

Em uma confraternização de fim de ano tipo Clube do Bolinha, ou seja, com homens apenas, escutei uma longa e variada lista de relatos de brigas familiares. O tema se justificava, pois no Réveillon as famílias em geral se reúnem e o ambiente muitas vezes fica propício a arreglo de velhos contenciosos.

Cunhados e cunhadas, parentes e agregados incorporados ao clã por decisão de terceiros podem, em tese, causar muita confusão. Sua má fama foi eternizada pelos humoristas Hubert e Marcelo Madureira, que criaram o personagem Agamenon Mendes Pedreira, que, além de esposa, a Isaura, tem um cunhado esquisitão, o Enéas.

Mas nada deve ser tão chato quando duas cunhadas que se detestam e se tornam rivais. Foi o caso das esposas dos irmãos Carlinhos e Jorginho Guinle, um dos maiores playboys da época. O primeiro foi casado, entre 1951 e 1955, com a egípcia Irene Arbib; o segundo, com a americana Dolores Sherwood, de 1945 até 1955.

Irene estudou em Londres e era poliglota. Dolores, de acordo com a sogra, Gilda, era uma “reles garçonete”. A egípcia, morena; a outra, loira. Dolores chamava a rival de “Cleópatra dos pobres”, enquanto Irene dizia que Dolores fora manicure, para insinuar que a americana era suburbana.

Para o jornalista Antonio Maria, Dolores era parâmetro de beleza. Em 1954, para alegria de Irene, a rival ficou fora da lista das dez mais da prestigiada coluna do jornalista carioca Jacinto de Thormes. A vingança de Dolores, porém, foi implacável, já que acabou sendo eleita pela coluna do americano Gigi Cassini (20 milhões de leitores) uma das dez mais elegantes do mundo.

Dolores e Jorginho tinham um casamento diferente, que hoje talvez fosse chamado de casamento aberto. No Rio de Janeiro, especialmente nas colunas de fofoca, pipocavam histórias curiosas sobre seu comportamento. Mas ela não fugia da briga e passou a espalhar que Irene também não era nenhuma santa e fizera parte do harém do rei Farouk, do Egito. E mais: dizia que ele precisava ingerir pó de chifre de rinoceronte, ovos de pombos e outras esquisitices para dar conta de Irene.

Os Guinle conviveram com essa contenda ao longo de quatro anos. Irene chegara ao Rio de Janeiro em 1951 e ficou casada com Carlinhos até a morte dele, em 1955. No mesmo ano, Dolores se separou de Jorginho e foi morar na Europa. Sua saída intempestiva do Brasil causou certo desconforto na família. Não só porque saiu levando o filho, Jorginho, sem a autorização do pai, mas também porque pôs na mala um casaco de pele e um colar de esmeralda da sogra, Gilda, que jamais foram devolvidos.

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