Bastidores

Perdidos no mundo de J.J. Abrams

4 / dezembro / 2015

Por Danielle Machado*

Clendenin, Jay –– B581318697Z.1 BEVERLY HILLS, CA––JUNE 5, 2011––Writer and director J.J. Abrams is photographed during promotion of his upcoming film, "Super 8," at the Four Seasons hotel in Beverly Hlls, June 5, 2011. (Jay L. Clendenin/Los Angeles Times)

(Foto por Jay L. Clendenin/Los Angeles Times)

Quem é J.J. Abrams? O cara de Lost, ué. Quer dizer, agora ele é o cara de Star Wars. Lá nos anos 1990, quando a gente via seriado legendado e fora de ordem na TV a cabo, para mim ele era o cara de Felicity.

É. Porque bem antes de jogar o pessoal todo numa ilha esquisita e plantar a semente da dependência em zilhões de espectadores que acompanharam 121 episódios para ver (ou não) no que aquela maluquice ia dar — e com isso ganhar um Emmy já no episódio piloto —, ele cocriou, dirigiu, roteirizou e produziu, não ao mesmo tempo, a singela saga da mocinha que sai de casa para uma universidade em Nova York atrás de um interesse amoroso e vive altas deprês e aventuras. Os episódios sempre começavam com a garota Felicity em seu quarto falando da vida para um gravador. Acho que aí já estava o toque de metalinguagem do moço, a história dentro da história (o que me remete ao S. dentro de O Navio de Teseu, ou vice-versa, se é que cabe dizer assim).

Felicity (1998 – 2002) foi a primeira incursão de J.J. na TV, mas no cinema ele começou bem antes. Com 16 anos escreveu músicas para a trilha de um filme, e seu primeiro crédito como roteirista foi numa comédia estrelada por James Belushi, Milionário num Instante (1990), que algumas pessoas, como eu, devem ter visto na Sessão da Tarde.

A farra nas telonas começa a esquentar de verdade um pouco depois: Armagedon (1998), Missão Impossível (2006), Cloverfield (2008), Star Trek (2009), Super 8 (2011) Eu, que sou menina em busca de heroínas, já voltei para a TV, deixei Felicity para lá assim que a moça cortou o cabelo (não me julguem, a audiência caiu no mundo todo) e me agarrei com a Jennifer Garner (bem antes do Ben Affleck) em Alias (2001- 2006), que J.J. novamente cocriou, dirigiu, roteirizou e produziu, plus: deu de presente para Jenny a bicicleta rosa com a qual ela rodava pelos sets. Inclusive, foi Alias que abriu as portas para J.J. entrar na franquia Missão Impossível. O dono da bola, Tom Cruise, também se identificava com heroínas badass e assistia à série.

Muito cinema, muita TV, uma composição para trilha sonora aqui, uma abertura de seriado ali, mais Emmy, mais Globos de Ouro, e então saltamos para Star Wars, um divisor de águas nessa história toda. Abraçar essa franquia, na Disney, com George Lucas torcendo o nariz… não tem bênção de Spielberg que te proteja. J.J. já afirmou categoricamente que nada foi disneyficado, Lucas alfinetou que o novo filme está com muita conversinha e pouca nave espacial. Agora nos resta aguardar a estreia para conferir.

Enquanto isso, nada de ir para a Netflix ver mais coisas do J.J.: se você quer conhecer a verdadeira essência dele, leia o S.. Estão lá o mistério insondável de Lost, os dilemas de Felicity, o suspense de Alias, um toque de Fringe, uma pitada de Person of Interest — várias nuances misturadas num incrível quebra-cabeça literário que vai mudar o jeito que você vê um livro. Abra com cuidado, e se perca em S. com J.J. Abrams.

Conheça S.

 

Danielle Machado é editora. Gosta de cinema, TV, livros, internet e quaisquer outros entretenimentos que se possa desfrutar sentado no sofá, sem gastar energia. Agora mesmo está exausta.

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