Bastidores

De volta a uma galáxia muito, muito distante

18 / dezembro / 2015

Por Bruno Machado*

[O texto NÃO contém spoilers de O despertar da força. Não se preocupe.]

Quando a Disney anunciou que o sétimo episódio de Star Wars seria dirigido por J.J. Abrams, confesso que fiquei com receio. Adepto do que ele mesmo chama de Mystery Box, suas produções sempre foram marcadas pelas perguntas incessantes para captar a atenção do público. Ainda que ache que Lost não terminou assim tão mal, outras produções como Cloverfield – monstro e Super 8 acabavam perdendo alguma coisa com tantos questionamentos não respondidos. Mas todo o meu receio se dissipou durante os primeiros minutos de O despertar da Força.

Assistir ao filme em si já foi uma experiência. Apesar de fã da série, a ausência de uma forma comercial de viagem no tempo me impediu de assistir à trilogia clássica nos cinemas, e não vamos entrar no mérito de o que o público sentiu após aqueles filmes (caso você não tenha assistido a nada da série, uma dica: pule qualquer número abaixo de IV.). Foi uma sensação diferente sair do cinema pensando que jedis, lado negro e a força eram parte da minha geração, e não só partes de um clássico de 30 anos atrás.

Ao ver o Episódio VII, é fácil perceber a paixão de Abrams pelo primeiro filme de George Lucas. Com influências de spaghetti western e do cinema oriental, Star Wars (Que depois ficou conhecido como Episódio IV – Uma nova esperança) revolucionou o cinema e a cultura pop em geral, sendo um dos responsáveis por abrir as portas para histórias com monstros, super-heróis e sagas épicas de fantasia. Com o incomum fato de ser o sétimo filme tanto na cronologia quanto na confusa numeração, O despertar da Força não reinventa a roda, mas é uma bela homenagem ao primeiro filme.

Estão ali as mesmas influências do Monomito, ou a Jornada do herói, de Joseph Campbell. O aspecto quase paradoxal de um universo ao mesmo tempo moderno e antigo, com tecnologias futuristas convivendo com duelos de espadas. Tudo aquilo que os fãs tanto reclamaram dos filmes da década de 2000, como o uso criminoso de computação gráfica, parece ter sido repensado. É como se de repente um torcedor se tornasse técnico da seleção e fizesse tudo que o resto da torcida grita ao longo de um jogo.

Não é uma revolução no mundo, mas é um recomeço. Como muita gente na sala de cinema às três da madrugada, eu saí do filme querendo que Episódio VIII começasse logo em seguida. Apesar de seus momentos mais irregulares, O despertar da Força é um filme que transporta o público para uma galáxia muito, muito distante.

É como Han Solo fala em um dos trailers: Nós estamos em casa.

E é muito bom voltar para casa.

 

Leia também:

As primeiras pistas de S.

Perdidos no mundo de J.J. Abrams

 

* Bruno Machado é assistente de mídias sociais no departamento de Marketing. Acha muito estranho que não entendam que a ordem certa dos episódios de Star Wars é IV, V, VI e, agora, VII. Ir ao cinema para assistir aos episódios I, II e III causou um trauma feliz que o fez esquecer do enredo desses filmes.

Leia mais Bastidores

O Regresso é o grande vencedor do Globo de Ouro de 2016

O Regresso é o grande vencedor do Globo de Ouro de 2016

Quando um desafio de J.J. Abrams cai na sua mesa

Quando um desafio de J.J. Abrams cai na sua mesa

O que esperar de Mister, o novo protagonista de E L James

O que esperar de Mister, o novo protagonista de E L James

Como escolhemos o título “O construtor de pontes”?

Como escolhemos o título “O construtor de pontes”?

Comentários

6 Respostas para “De volta a uma galáxia muito, muito distante

  1. Olá, Bruno! Vc descreveu exatamente aquilo que senti, em especial sobre a frase de Solo encontrar eco nos fãs que sentiram a mágica de Star Wars de volta. A ideia da história é simples, sempre foi; macular isso com um excesso absurdo de efeitos especiais e cenas toscas deixou uma ferida agora plenamente cicatrizada. Que vontade de dar um abraço em J J Abrams e dizer: obrigada.

  2. Boa noite. Guerra nas estrelas entrou na minha vida em 1983, quando comecei a me entender por gente. A trilogia clássica bem construída, história bem amarrada, mas que deixou janelas para franquias e continuações. Confesso que a despeito, dos excessos de efeitos especiais a trilogia de 2000 deixou claro o porquê da admiração por personagens com Obi Wan e Yoda. Não havia porque não apresentá-los ao público da forma como imaginávamos. Irei ao cinema no próximo fim de semana para ver o novo filme. Tenho certeza de que serão mais elementos de uma grande e quase infinita saga que nas mãos da Disney tenderão bons e maus spin off. Ademais, Lucas merece nosso respeito por todo o esforço pessoal empregado para levar guerra nas estrelas ao cinema.
    Abs

  3. “O Despertar da Força”, é só isso, uma homenagem “à la Disney”, ao primeiro filme da série. No mais começa errando por se tratar de um “episódio VII”, entendam: a série em “espisódios” de Star Wars, é a história da queda e redenção de Anakin, sem Anakin, não há “episódio” algum. Depois, existem tantos furos de roteiro no filme que surpreende qualquer publico atento, personagens fracos e mal construídos, etc, etc, etc. A maior questão que J. J. Abram deixou, ao meu ver pelo menos foi: “o que é isso?”

  4. Ronald, gostaria que você me apontasse os furos de roteiro, porque todos os “furos” que vi citarem foram falta de atenção do espectador. A crítica especializada também concorda comigo : poucos dizem que o filme não agradou

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *