Bastidores

As primeiras pistas de S.

11 / dezembro / 2015

Por Giu e Ulisses*

Prova_S

Giu: Oi, pessoal, tudo bem? Meu nome é Giuliana e fui convidada pela Intrínseca para falar um pouco, junto com meu marido, Ulisses, sobre o S., o livro de J.J. Abrams e Doug Dorst, lançamento da Intrínseca. Bem, antes de mais nada, acho melhor explicar que fomos convidados porque trabalhamos no livro (para o pessoal não começar a pensar que a Intrínseca chama qualquer maluco para escrever os textos do blog). Eu era mais responsável pela adaptação e preparação do texto…

Ulisses: E eu tive a função de tentar entender e adaptar os diversos códigos que estão no livro.

De cara, o que dá para perceber é quanto o S. é rico. Logo no início, o leitor já vê que existem diversas formas de ler a obra. Há o “texto principal” no “livro dentro do livro”, O Navio de Teseu, que, por si só, já é envolto em mistérios. Há também milhares de notas manuscritas pela Jen e pelo Eric, personagens que leem o livro e se comunicam pelas margens do texto. Eles começam discutindo o principal mistério da história: a verdadeira identidade de V. M. Straka, autor de O Navio de Teseu, mas esse mistério acaba envolvendo-os em uma busca muito maior.

untitledIsso sem falar nos materiais extras. Mas quando eu digo “material extra” não quero dizer um prefácio qualquer! Dentro do livro há um guardanapo com um mapa desenhado, recortes de jornal, alguns cartões-postais e até mesmo fotos antigas, tudo feito de forma estupendamente realista. Para vocês terem uma ideia, um dos cartões-postais da história veio do Brasil, e o carimbo dos correios brasileiros é exatamente igual ao usado na época.

E tanta verossimilhança faz com que o leitor seja quase um dos personagens da trama. É como se você tivesse entrado na biblioteca da faculdade e encontrado aquele exemplar de O Navio de Teseu. Todo o cuidado editorial foi para que o mergulho na narrativa fosse completo, como se você tivesse recebido aquele livro de pessoas que de fato existiram e por isso precisasse desvendar o mistério. Para quem ama ler, o S. transcende o objeto livro. O Ulisses e eu não temos nenhuma frescura em relação a e-books, muito pelo contrário. Mas S. só pode ser apreciado em sua totalidade no objeto físico, pois nele o meio, a mensagem, o objeto e o objetivo se confundem em um só.

O nosso processo de trabalho também foi bastante singular. Como falei, eu fui o responsável pela adaptação dos códigos. Enquanto a Giu trabalhava no texto, eu tentava descobrir os segredos escondidos no livro. O que posso dizer aos leitores que, como eu, gostam de desvendar códigos é que S. é uma diversão sem fim. O livro é cheio de cifras, códigos históricos, destaques misteriosos; enfim, uma infinidade de coisas. Confesso que um ou outro eu tive que procurar na internet, mas só porque o prazo final estava se aproximando (ou seja, recorri a diversos sites por profissionalismo, não por incompetência).

O texto em si também foi bastante trabalhoso. Em um livro dessa magnitude, com muitas linhas temporais e informações que se cruzam em diferentes capítulos, foi um desafio manter tudo organizadinho. Desafio maior foi inserir as emendas de forma que o pessoal da Intrínseca conseguisse entender…

A versão brasileira do S., aliás, tem uma história interessante, pois, para reproduzir as partes manuscritas do livro, a Intrínseca contratou um designer com a habilidade, digamos, incomum, de copiar a caligrafia alheia, que escreveu à mão todo o texto das margens do livro. Algumas editoras estrangeiras simplesmente colocaram fontes computadorizadas, ou seja: a Intrínseca realmente se esforçou para manter o realismo. Então, podem acreditar quando digo que essa edição foi feita com o maior carinho e competência não apenas por nós, mas por toda a equipe da editora.

Então, é isso. Estamos torcendo para vocês gostarem tanto do S. quanto a gente! Para aqueles que terminarem a leitura e ainda quiserem mais, lembrem-se de que há também muito material criado pelos autores que pode ser encontrado na internet, como páginas de redes sociais de personagens, além de seus blogs e tumblrs. S. é verdadeiramente um ongoing mystery, bem ao estilo do J.J. Abrams (lembram de Lost?).

E, como o livro será lançado perto do Natal, não fujam da tradição natalina e comprem bastante! Comprem para vocês, para a família e para todos os seus amigos!

 

Leia também: Conheça o projeto de S.

Giu Alonso é editora, tradutora, revisora, ama livros e tem rinite alérgica nas horas vagas.

Ulisses Teixeira, eleito por sete anos seguidos “o sorriso mais bonito do Méier”, abandonou cedo demais a carreira de modelo para se dedicar ao mundo editorial.

Tags , , , .

Leia mais Bastidores

As primeiras pistas de S.

As primeiras pistas de S.

Perdidos no mundo de J.J. Abrams

Perdidos no mundo de J.J. Abrams

Sol da meia-noite: Como nasce um lançamento simultâneo

Sol da meia-noite: Como nasce um lançamento simultâneo

Uma visita ao anexo secreto de Anne Frank

Uma visita ao anexo secreto de Anne Frank

Comentários

10 Respostas para “As primeiras pistas de S.

  1. Parabéns pelo trabalho. Acabei de receber o livro ( receber porque comprei pela internet ) e estou muito feliz mesmo com o resultado que foi entregue pela editora. Um livro para se orgulhar, espero mergulhar nas páginas logo logo. Obrigado pelo esforço.

  2. Retirado de um comunidade do facebook:” na versão brasileira do livro Eric pede para quem encontrasse o livro, deixasse-o para ele na sala P19 { 1 – folha de rosto }. Na versão inglesa a sala é B19. ” alguma explicação para essa mudança?

  3. Já estou com o livro em mãos. Obrigado Intrínseca pelo trabalho

  4. Carlos Cauás, acho que o P19 da sala tem ligações ao livro “Preto dezenove”, do Straka. Imagino que inglês seja B19, por ser Black 19

  5. GALERA, SE O GUARDANAPO OU ALGUM DOS ITENS QUE ESTÃO DENTRO DO LIVRO SAIR DA PÁGINA, INFLUENCIA NA LEITURA? SERÁ QUE TEM ALGUM LINK OU ALGO PARECIDO QUE ORIENTA A COLOCÁ-LOS DE VOLTA NA PÁGINA DE ORIGEM?

  6. Comprei pela internet e o livro acabou de chegar. Fantástico! Parabéns pelo trabalho.

  7. “Para aqueles que terminarem a leitura e ainda quiserem mais, lembrem-se de que há também muito material criado pelos autores que pode ser encontrado na internet, como páginas de redes sociais de personagens, além de seus blogs e tumblrs.”

    Eu estou com um blog, chamado A Ilha de Obsidiana, onde estou traduzindo todo esse material extra (que são oficiais) que os autores disponibilizaram pela internet.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *