Clóvis Bulcão

Os Guinle e o samba-canção

30 / novembro / 2015

Dorival Caymmi e Carlinhos Guinle

Dorival Caymmi e Carlinhos Guinle

Acaba de sair o livro A noite do meu bem — A história e as histórias do samba-canção, de mestre Ruy Castro. A obra aborda o impacto da proibição dos jogos de azar no Brasil, em 1946, e do fechamento dos cassinos no comportamento dos cariocas, em especial, no meio da música popular brasileira. A vida noturna no Rio de Janeiro, que gravitava em torno dos cassinos, sobretudo o do Copacabana Palace e o da Urca, se deslocou então para as boates.

Isso significou, na prática, o fim da era das grandes orquestras, pois em cada cassino havia, no mínimo, duas delas. Por outro lado, incentivou a formação de pequenos grupos musicais, com três ou quatro membros, compatíveis com o tamanho das novas casas que começavam a pipocar, principalmente, em Copacabana.

Em tese, o meu livro Os Guinle não tem nada a ver com o de Ruy Castro. Eu conto a saga de uma família importante para o desenvolvimento do país; o Ruy narra a trajetória de um estilo musical. Mas são livros próximos.

Para minha surpresa, no livro do Ruy os Guinle são os personagens mais citados, com 53 referências. Se levarmos em conta as menções ao Copacabana Palace (de Octávio Guinle) e ao seu principal salão, o Golden Room, a conta pula para 124. Nem os grandes nomes do gênero musical, objeto do livro, contam com tantas menções: o cantor Lucio Alves e a cantora Elizeth Cardozo, ambos com 38, e o compositor e cronista Antônio Maria, com 42.

Os dois livros têm, aproximadamente, quarenta personagens em comum. A lista vai desde desconhecidos, como Henrique Tamm e Sergio Pettezzoni, passando por jornalistas bastante conhecidos, caso de Ricardo Boechat e Henrique Pongetti, gente do meio musical, entre eles Pixinguinha, Donga e Dorival Caymmi, até atores fundamentais da história do Brasil, como o ex-presidente Getulio Vargas.

Na bibliografia da saga da família Guinle, eu cito o Anjo Pornográfico, um dos livros mais conhecidos do Ruy, e ele cita meu livro sobre os Guinle em A noite do meu bem. Além disso, existe uma dezena de livros em comum nos nossos trabalhos.

Como Os Guinle foi lançado em junho de 2015, tenho certeza de que impactou a seleção de fotos de A noite do meu bem, pois algumas das fotos que Ruy utilizou em seu livro passaram pela minha pesquisa de imagens.

No ano em que festejamos os 450 anos do Rio de Janeiro, a memória da cidade foi brindada com dois livros que recuperam personagens e passagens importantes do último século. Obras que revelam um pouco do cotidiano da antiga capital do Brasil. Fico feliz de ter participado desse resgate.

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