Clóvis Bulcão

Ionita

9 / novembro / 2015

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Ionita Salles Pinto (fonte)

O telefone não parou na semana passada. Muitas pessoas ligaram querendo saber detalhes sobre a morte de Ionita Salles Pinto, no último dia 28, aos 69 anos. Ela foi a segunda esposa de Jorginho Guinle e é mãe de Georgiana, única filha daquele que era considerado um dos maiores playboys do país. Embora eu seja apenas o biógrafo dos Guinle, muita gente me toma como sendo da família. Eu não a conheci e, portanto, não tenho maiores informações. Resolvi, então, dar uma olhada em minhas anotações.

Ionita, que se assinava Stamato, foi atriz na década de 1960. Em 1966, participou da comédia Todas as mulheres do mundo, de Domingos de Oliveira, que fez muito sucesso. Além dela, o premiado longa-metragem trazia outras jovens beldades, como Leila Diniz, Ana Maria Magalhães e Irma Álvarez.

Se, por um lado, a vida amorosa de Jorginho era rica, por outro, era paupérrima. Ele colecionou casos com atrizes do cinema americano, namorou beldades do jet set internacional e, em meados da década de 1940, casou-se à sorrelfa com a americana Dolores. Pelos relatos, no entanto, não consegui perceber em nenhuma dessas relações, nem mesmo com a esposa, indícios de amor ou paixão.

O romance de Ionita e Jorginho começou entre 1967 e 1968. Hoje, tenho convicção de que ele se apaixonou perdidamente por ela. Tanto que no Carnaval de 1968 fez algo inédito e inesperado. Bastou Ionita dançar com um amigo para que ele protagonizasse um ataque de ciúmes em público — já Dolores sempre se divertia com outros homens nos bailes e ele não se incomodava. Jorginho vivia tão grudado em Ionita que, aos poucos, a imprensa carioca inventou o termo “os Jorginho Guinle” para se referir ao casal.

No início de 1969, o playboy perdeu treze quilos. Seria devido à tristeza pela morte recente de seu pai, Carlos Guinle? Uma simples dieta? Ou a causa seria a paixão por Ionita? Acho que o seu emagrecimento foi causado por amor. Talvez até por isso no ano seguinte tenha nascido Georgiana. O casal viveu muito bem até 1975, quando se separou.

Ionita entrou para a família na fase decadente dos Guinle. O Rio de Janeiro não era mais capital. Depois, em 1964, eles entraram em rota de colisão com o regime militar. Com a morte de Carlos, a decadência desse ramo da família se acentuou. Assim, a segunda esposa de Jorginho acabaria sendo tragada pelos fatos.

Por sete anos seguidos, entre 1968 e 1975, Ionita viveu um período de fausto e glória. No entanto, a opção pela relação com o playboy custou-lhe a carreira artística. Assim como o ex-marido, ela teve um fim de vida difícil. Doente e sem recursos, foi ajudada por um par de amigos. Sem nenhum favor, Ionita foi um marco na vida afetiva de um homem que, ao que tudo indica, não conhecia o amor.

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Comentários

2 Respostas para “Ionita

  1. Muito bom, Clovis. Fui advogado de Georgiana em uma ação judicial contra o jornal O DIA, por conspurcação e difamação de imagem e reputação. Ganhamos. Depois, cheguei a almoçar algumas vezes com ela e Jorginho no Cypriani, Copa, quando ele já residia no hotel, cortesia dos novos donos. Parabéns pela crônica. Abraço.

  2. Começou a sofrer muito cedo e não parou mais.Que Deus te amare sempre!

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