Clóvis Bulcão

Eu fui ao Teatro Fênix

5 / outubro / 2015

Teatro Fênix

O Teatro Fênix (Postal de 1910, via Caravelas)

A lista do legado dos Guinle no Rio de Janeiro, e no Brasil, é extensa e surpreendente. Entre as heranças mais famosas deixadas por eles estão o Copacabana Palace, o porto de Santos e o palácio Laranjeiras. Mas existe um empreendimento que nunca é relacionado à família e que já foi considerado um ícone em todo o Brasil: o Teatro Fênix.

Sua construção, em meados da década de 1910, é uma das maiores incógnitas da biografia dos Guinle. Eles não tinham nenhuma relação comercial com o mundo das artes, mesmo assim ergueram essa portentosa casa de espetáculos no Centro do Rio, à rua Barão de São Gonçalo (atual Almirante Barroso), paralela à avenida Central (atual Rio Branco), ou seja, no coração da cidade.

Nesse início de século, a então Capital Federal, que já contava com o Theatro Municipal, talvez não tivesse capacidade para lotar dois grandes teatros. Concebido para abrigar um misto de music-hall e cinema, o Fênix nunca deu muito certo. Tanto que a família logo perdeu o interesse pelo negócio e arrendou o imóvel. Ao longo de sua existência, a casa mudou de nome: Teatro Fênix, Teatro Ópera, Cinema Ópera e, por último, Teatro Fênix novamente.

Em 1958, com um projeto milionário na mão, a família Guinle decidiu derrubar o Fênix para construir no terreno um novo prédio. Entretanto, a notícia de sua demolição não foi bem recebida pela imprensa nem pela sociedade. Além do mais, de acordo com uma lei municipal vigente, todo teatro demolido deveria ser substituído por outro.

Para atender à exigência da lei e viabilizar a transação imobiliária no Centro, os Guinle recorreram ao terreno reservado a cocheiras que possuíam na atual rua Linneu de Paula Machado, no bairro do Jardim Botânico. Foi nesse local que ressurgiu o Teatro Fênix. Para ganhar o apoio da opinião pública, foi anunciado que suas instalações seriam modernas e confortáveis. Mas quem conheceu esse novo Fênix sabe que seu interior não era bem assim.

Fato é que o teatro não decolou. Até que, em 1972, a TV Globo resolveu alugá-lo temporariamente depois que seus estúdios, no mesmo bairro, foram consumidos pelo fogo. Foi quando o Fênix renasceu das cinzas e finalmente deixou de ser uma empresa malsucedida. A relação Guinle-Globo duraria até 1999, ano da inauguração, em Jacarepaguá, de seu gigantesco e moderno centro de produção, o Projac.

Até 1999, período em que serviu exclusivamente de palco de programa de auditório da Globo, o Fênix se transformou no mais famoso teatro do Brasil. Milhões de brasileiros, ao longo de 27 anos, acompanharam, ao vivo ou pela TV, artistas internacionais, como Astor Piazzolla, Pablo Milanés e Mercedes Sosa, e nacionais, como Renato Aragão, Xuxa, Fausto Silva, Chico Buarque e Caetano Veloso, em suas dependências.

Enquanto funcionou como estúdio da Globo, ir ao Teatro Fênix era um fetiche de diferentes gerações em todo o Brasil. Após a sua demolição, em 2000, a casa de espetáculo passou para uma nova dimensão: as mídias sociais. Pois no velho e abandonado Orkut, ainda existem grupos que evocam, saudosos, o Teatro Fênix.

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Comentários

3 Respostas para “Eu fui ao Teatro Fênix

  1. Oi, Clovis, só uma observação: o Projac foi inaugurado em 1995 mas manteve contrato com o Teatro Fênix (assim como com Tycoon, Cinédia e Herbert Richers) durante alguns anos até que seus estúdios alcançassem número suficiente para dispensar endereços externos.

  2. Meu sonho de criança era ir às gravações do Xou da Xuxa, que eram 5 por dia e participar do Faustão ao vivo no Domingo, sem falar de Os Trapalhões, mas, mesmo minha mãe morando no Rio e eu no ES, nunca pude ir, os melhores anos da minha vida, foram os anos 80

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