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Clube de leitura: A febre

6 / outubro / 2015

Por Bruno Leite*

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Primeiro livro de Megan Abbott lançado no Brasil, A febre apresenta o caso de um surto misterioso que se espalha de maneira incendiária numa pequena cidade dos Estados Unidos. Na obra, Deenie e Lise estudam na mesma escola e são amigas inseparáveis. Quando Lise sofre uma inexplicável e violenta convulsão no meio da sala de aula, ninguém sabe como reagir. Logo depois, outras meninas começam a exibir tiques vocálicos e físicos. Entre teorias, especulações e vídeos nas redes sociais, o pânico se alastra pela cidade, ameaçando a frágil sensação de segurança de todos os envolvidos, que não conseguem compreender a causa da doença misteriosa.

Quando soube que a autora tinha se inspirado em um caso real, ocorrido em Le Roy, uma cidade no estado de Nova York, em 2012, o livro ficou ainda mais atraente aos meus olhos. Vocês também ficam ouriçados quando descobrem esse fundo de realidade na obra ou não faz diferença?

Para os fãs de thrillers com tons psicológicos, A febre é um prato cheio; sem ter a necessidade de roubar o fôlego do leitor a todo instante, o livro se vale de um cenário  pungente e realista para descortinar assuntos importantes, principalmente os ligados às descobertas da adolescência. Vocês gostaram da maneira como a autora compôs as tramas do livro e da forma como ela concebeu o texto? Se vocês pudessem encaminhar sugestões, o que diriam?

Uma das características mais intrigantes da obra é a forma como são expostas, por trás dos surtos, questões ligadas à sexualidade, entre elas, a virgindade. Abordar esse tema pode ser desconfortável para alguns autores, mas Abbott conseguiu falar sobre o assunto com fluência e naturalidade. Vocês também tiveram essa impressão ou, em algum momento, se sentiram constrangidos?

A febre

Por falar em sexo na adolescência, outra questão muito importante na narrativa é a internet. De acordo com os médicos que trataram as meninas de Le Roy, os sintomas se potencializavam quando elas assistiam aos vídeos postados nas redes pelas colegas  que também foram afetadas pela misteriosa doença.

Para vocês, até que ponto somos reféns das mídias sociais e da busca pelos inúmeros likes? Vocês acham que a autora descreveu com precisão o uso das redes sociais pelos jovens? Ela conseguiu narrar esses episódios com naturalidade? Viralizações desse tipo são possíveis no nosso cotidiano?

Quando a epidemia começa a se espalhar, os palpites sobre as causas são muitos: algumas pessoas suspeitaram da vacina contra o HPV que algumas adolescentes haviam tomado. Já outras acreditavam que as substâncias tóxicas presentes no lago da cidade contaminaram as garotas. Na mesma hora me lembrei de um caso ocorrido no Espírito Santo, o que me fez acreditar que a vacina contra o HPV pudesse ser a principal causa das convulsões e tiques desenvolvidos pelas adolescentes. Vocês também acharam que a vacina poderia ser o agente causador do surto? Ou apostaram fichas no potencial tóxico do lago?

Particularmente, tive que recorrer frequentemente ao celular durante a leitura, pois tenho um pé na paranoia e outro na hipocondria. Por isso, é interessante notar também a reação dos homens no livro diante da epidemia: vocês também tiveram a impressão de que eles estavam com mais medo e receio da situação do que efetivamente dispostos a tomar alguma atitude?

As primeiras experiências sexuais, a descoberta do corpo e as relações de amizade entre meninas fazem de A febre uma ótima parábola da adolescência feminina.

No próximo dia 8, nos encontraremos na Livraria Cultura do Shopping Bourbon Pompeia mais uma vez para compartilharmos nossas impressões sobre A febre. Se quiser se juntar a nós, é bem simples: basta mandar um e-mail para renato.costa@livrariacultura.com.br com RG, CPF e nome completo. Porém-todavia-contudo-entretanto, se não puder comparecer e desejar participar do fórum virtual, é só clicar aqui.

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Leia um trecho de A febre

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Saiba mais sobre o caso real que inspirou o livro

Bruno Leite, 26 anos, é estudante de Letras, trabalha há 8 anos no mercado editorial e é colaborador no blog O Espanador.

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