Maurício Gomyde

A Bienal surpreendente

16 / setembro / 2015

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Passei onze dias dentro de uma bolha chamada Bienal do Livro Rio. Foi como ir a um universo paralelo, outra dimensão no espaço-tempo. Fui teletransportado ao planeta-livro, onde os estranhos seres que o habitam são fanáticos por literatura, curtem autores e realizam as mais variadas loucuras para vivenciar essa experiência em sua plenitude.

Dentro da bolha, não sabia de nada que estava acontecendo no outro planeta, a Terra. Alguém nasceu? Alguém morreu? Alguém sobreviveu a uma tormenta? Houve tormenta? Quem conquistou o quê? Que time ganhou, que time perdeu? O juiz roubou mais uma vez? O presidente daquele poder ainda está lá? E daquele outro? E a crise? Tem ainda? Quando voltei à Terra, percebi que a vida continua e que talvez eu tenha vivido uma experiência difícil de ser retratada a quem não estava “em viagem”.

Milhares de pessoas se acotovelaram para ver, tocar e pegar autógrafo de seus autores favoritos. Ou para revelar, nos poucos minutos de contato, o quanto suas vidas foram tocadas pelas histórias. Houve gente, claro, que se descabelou e soltou gritos histéricos àquele autor de quem nunca tinha ouvido falar. Quando a gritaria começa é uma loucura! Todo mundo grita junto. Vai que é alguém famoso? Pegaria mal dizer que não faz a menor ideia de quem se trata, né? O importante é gritar.

Foi a festa dos marcadores, dos panfletos, dos primeiros capítulos impressos. Para os colecionadores, prato cheio. Como as sacolas, recheadas de livros nacionais. Viva a nossa literatura, renascida e cada vez mais forte! Nós, autores brasileiros, competimos bem com os estrangeiros, em venda e histeria. Se o time internacional veio cheio de best-sellers com ficções românticas, dramáticas e chick-lits, ou histórias sobre a banda do momento, o nacional contra-atacou com autores-puros, autores-blogueiros, autores-vlogueiros, autores-padres, autores-celebridades, autores-independentes. Cada um com seu estilo e público. Não tenho números, mas o que muito ouvi foi: se há crise, ela passou longe dos corredores do Riocentro.

Surpr

Particularmente, vivi dentro de uma bolha menor, chamada “Estande da Intrínseca”. Foi uma experiência muito bacana fazer parte deste time na minha primeira Bienal do Rio. Estande lotado todos os dias, tive a oportunidade de conhecer novos leitores e de reencontrar antigos. Como Surpreendente! ainda está no início de sua vida no mercado, contei mais de quinhentas vezes a sinopse aos interessados na obra. Tudo bem, faz parte. Tudo pela arte! Cheguei a sonhar com essa sinopse alguns dias, tive pesadelos com os personagens me perseguindo… Mas, no fim, foi um sonho!

Agora é vida real, de volta à luta. Com saudade, porque a bienal foi surpreendente! E isso não foi um trocadilho.

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Comentários

12 Respostas para “A Bienal surpreendente

  1. Foi realmente fantástica a bienal, realmente a gente esquece de tudo quando está por lá, nós que amamos os livros. E vc merece todo esse sucesso.

  2. Olá! Adorei seu texto e me identifiquei,bastante, com ele. Também foi a minha primeira Bienal. Passei 3 dias chegando cedo e saindo o mais tarde possível e, sim, soltei alguns gritinhos porque tentei me conter ao máximo…rs. Mas, percebi que era uma missão muito difícil. Encontrar com o autor que escreveu aquele livro que você leu é, me desculpe a palavra, fodástico! Realmente é uma experiência linda. Agora é só começar a pensar na Bienal 2016 em São Paulo.

  3. Vai ter lançamento em São Paulo? Quero muito muito.

  4. Eu quero muito ler o livro. Cada dia fico com mais vontade. Comprei pela internet e ainda não chegou :'(

  5. a bienal foi linda e o estande da intrinseca disparado o melhor. todo mundo atencioso e mesmo nas horas em que tinha muita fila foi facil comprar. Muitos livros ótimos. Comprei o surpreendente, caixa de passaros e os dois da Isabela Freitas.

  6. Foi com certeza uma Bienal Surpreendente. E foi um prazer encontrá-lo e bater aquele papo delicioso. Aguardando ansiosa novos encontros. Sucesso!

  7. Foi a sinopse contada diretamente pelo autor que me fez mais interessada pelo livro! E a linda dedicatória para mim e para o meu pai, também. Foi um prazer imenso te conhecer, conhecer o Surpreendente (de longe o meu livro preferido dentre minhas aquisições da bienal, agora que li). Muito obrigada!

  8. Amei o texto. Sou fã do Maurício, e ele descreveu perfeitamente a loucura que foi a Bienal!! E que livro é esse? Surpreendente é pouco. Parabéns pelo sucesso

  9. Que delicia ler o que escreveu! ! Sucesso e vida longa na nova editora! !

  10. O Maurício é o autor mais simpático e atencioso do mundo. Já tinha ouvido falar nele e quando soube que ele estava no estande fiquei muito feliz. Ele contou a história com tanta paixão que levei na hora. Já li e o Surpreendente foi o melhor livro que li este ano.

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