Clóvis Bulcão

Primo, prima

9 / julho / 2015

Retrato a crayon, de Branca Guinle, por Henri Royer

Retrato a crayon, de Branca Guinle, por Henri Royer

Devo confessar que, ao longo da vida, tive alguns namoros com primas. Há pouco tempo, em sala de aula, cheguei a perguntar a meus alunos do ensino médio se algum deles havia passado por essa experiência. A reação foi de choque. A maioria defendeu que primos são como irmãos, logo, esse tipo de relação seria um tabu, algo inadmissível. Foi só então que me dei conta de que não tenho primos-irmãos. As primas que namorei eram de segundo grau e nenhuma morava no Rio, foram histórias de curta duração. Mesmo assim, duvido que tivesse problemas manter um rolo mais demorado com alguma.

Casamentos entre primos não eram raridade em outros tempos, pelo contrário. Em Os Guinle conto a história real de um triângulo amoroso entre primos-irmãos. As fotos de época revelam que Branca Ribeiro era uma gata. Seus primos Eduardo e Guilherme Guinle se interessaram assumidamente por ela. Eduardo, o primogênito, era charmoso, bonitão e ótimo aluno. Parecia ter um futuro promissor como capitão dos negócios da família. Guilherme era mais tímido e completou os estudos aos trancos e barrancos.

Hoje em dia, talvez sua mãe ficasse de cabelo em pé se você demonstrasse interesse pelo filho da irmã dela. Na virada do século XX, no entanto, isso não causava espanto. Dona Guilhermina, a matrona super-religiosa, deu o maior apoio. Para os dois? Nada disso. A forcinha foi para Eduardo, seu queridinho. Não se sabe se a ajuda da mãe foi determinante, mas Branca e Eduardo acabaram se casando.

Foi muito duro para Guilherme perder uma bela mulher para o próprio irmão, e sob os auspícios da mãe. Aparentemente, ele nunca mais manifestou interesse por outra, uma parte do livro que tem suscitado grande discussão. Eduardo morreu precocemente e Branca se viu viúva ainda bonita e jovem. Durante décadas, a família inteira se reunia para o jantar. Branca e Guilherme sentavam-se lado a lado. O que ninguém sabe dizer é o tipo de emoção que essas refeições despertavam nos dois primos.

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Comentários

Uma resposta para “Primo, prima

  1. Bastante interessante o texto. Gostaria de obter o livro assim que sair. Obrigada.

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