Clóvis Bulcão

Os Guinle, um livro que nasceu na PUC

2 / julho / 2015

PUC (3)

Só recentemente me dei conta de que Os Guinle tem o DNA da minha universidade, a PUC- Rio. Foi em uma das salas do quinto andar, na ala Frings, no início dos anos 1980, que esbarrei com a trajetória da família. Era a cadeira História do Brasil III, ministrada pelo professor Ilmar Rohloff de Matos, que ainda hoje trabalha lá. Ali, de forma despretensiosa, percebi que havia algo de diferente no clã dos Guinle. É verdade que do sonho até a sua materialização, o lançamento do livro, passaram-se décadas.

Ao longo da pesquisa, e essa informação ficou fora do livro, fiquei sabendo que a PUC também deve a sua existência aos Guinle. O cardeal Sebastião Leme e o padre Leonel Franca, nomes super conhecidos pelos alunos, sempre receberam a ajuda de Guilherme Guinle. A celula mater da PUC, as Faculdades Católicas, contava muito com o apoio da Associação de Amigos da Universidade que foi presidida, até a sua morte, por ele. Guilherme, que era ateu, atuava como um dirigente da PUC. Na década de 1950, ele conseguiu que o então presidente da república, Juscelino Kubitschek, visitasse o campus da Marquês de São Vicente. Após um almoço no prédio Granjean de Montigny, surgiram os recursos para a construção do Instituto de Tecnologia.

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As fontes não sabem avaliar o total da ajuda de Guilherme Guinle, mas imagina-se algo de grande monta. Também não podemos menosprezar os efeitos indiretos de sua atuação pela PUC. Muita gente colaborou financeiramente, pois confiava em seu talento como gestor.

Outro vínculo da PUC com o livro é a minha relação com a editora Lívia Almeida. Nos conhecemos nos pilotis, também nos anos 1980. Ela fazia jornalismo, mas namorava um estudante de geografia, e frequentava a rapaziada do CCS. Eram tempos super-românticos e encharcados de um inesgotável otimismo. Era o fim da ditadura militar e nós da PUC militávamos por dias melhores. A história do Brasil passava pelo campus: impossível esquecer a não-visita de Miguel Arraes, a palestra de Teotônio Vilela e a conversa com o folclórico Maria Juruna.

Na Intrínseca, aliás, encontrei outros filhos da PUC que contribuíram para o sucesso dos Guinle, como o publisher Jorge Oakim e os jornalistas Gustavo Autran e Catharina Wrede.

Eu, como muitos ex e atuais alunos, não tenho a mais vaga ideia da real importância da família Guinle para a existência da nossa universidade. No momento, além do meu livro, está sendo produzido um documentário para o History Channel Brasil sobre Guilherme Guinle. Portanto, talvez seja um bom momento para a PUC resgatar a memória de um de seus mais entusiasmados colaboradores.

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