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Como Steve virou Steve Jobs

16 / julho / 2015

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Brent Schlender, Bill Gates e Steve Jobs na histórica entrevista realizada em 1991 para a Fortune, na casa de Jobs © George Lange

Na primeira vez em que entrevistou Steve Jobs, Brent Schlender foi aconselhado a vestir um colete à prova de balas. Era abril de 1986, e, aos 31 anos, Jobs já era uma celebridade mundial e lenda entre os jornalistas. Comentava-se na redação do The Wall Street Journal que era mais fácil entrar em uma batalha do que fazer perguntas ao cofundador da Apple.

Para surpresa de Schlender, o encontro correu bem e, durante os 25 anos seguintes, ele e Jobs desfrutaram de um relacionamento estreito. Das conversas frequentes, o jornalista conseguia as informações de que precisava para capas do Journal e, mais tarde, da revista Fourtune. Mas além das inovações tecnológicas, Brent Schlender acompanhou de perto outro processo fascinante: a reinvenção do jovem arrogante que acabou banido da Apple em um gestor maduro, capaz não apenas de salvar a companhia do fracasso, mas elevá-la a patamares jamais imaginados.

Como Steve Jobs virou Steve Jobs CAPA E LOMBADA.inddAo lado de Rick Tetzeli, editor-executivo da Fast Company que dedicou três anos a entrevistas e pesquisas, Brent Schlender escreveu Como Steve Jobs virou Steve Jobs, única biografia do inventor que teve contribuição dos mais altos executivos da Apple, entre eles o CEO Tim Cook.

Com lançamento marcado para 11 de agosto no Brasil e já em pré-venda, a biografia parte de entrevistas com amigos, familiares, parceiros e concorrentes de Jobs para apresentar um retrato íntimo e detalhado do empresário. Desde a fundação da Apple, passando pelos anos em que Jobs criou e presidiu a NeXT e comprou a Pixar, até o retorno à empresa que o consagrou, o que se vê é uma jornada de sucesso e lampejos de genialidade, mas também de fracassos homéricos e inúmeros golpes de sorte.

O êxito assombroso de Jobs em criar os produtos certos — iMac, iPod, iPhone e iPad — teve como aliado em seus últimos anos de vida o foco no aprimoramento da empresa. E é esse estilo de gerenciamento maduro, combinado à inerente paixão irrefreável de Jobs, que, segundo os autores, deu origem a uma empresa única, cuja identidade até hoje se confunde com a de seu criador.

Confira um trecho inédito de Como Steve virou Steve Jobs:

Depois da morte de Steve, seguiram-se resmas de tratados sobre ele: matérias, livros, filmes e programas de TV. Com frequência, tais peças ressuscitavam velhos mitos a seu respeito, utilizando estereótipos criados na década de 1980, quando a imprensa descobriu o prodígio de Cupertino. Naqueles primeiros anos, Steve era suscetível à bajulação da imprensa e abriu a si mesmo, e a sua empresa, aos repórteres. Estava em sua fase mais indisciplinada e destemperada. Por mais que se mostrasse um gênio para imaginar produtos inovadores, também era capaz de demonstrar uma mesquinhez e indiferença perturbadoras para com seus funcionários e amigos. Então, quando começou a limitar o acesso e a cooperar com a imprensa apenas quando precisava promover seus produtos, as histórias desses primeiros tempos na Apple se tornaram o senso comum sobre sua personalidade e sua maneira de pensar. Talvez por isso a cobertura póstuma tenha refletido tais estereótipos: Steve era um gênio com uma queda pelo design, um xamã cujo poder de contar histórias era capaz de gerar algo mágico e maléfico chamado “campo de distorção da realidade”; era um idiota pomposo que desconsiderava a todos em sua busca obstinada pela perfeição; achava que era mais esperto do que todo mundo, nunca ouvia conselhos e era meio gênio e meio babaca de nascença.

Nada disso se compara à minha experiência com Steve, que sempre me pareceu mais complexo, mais humano, mais sentimental e ainda mais inteligente do que o homem a respeito de quem li em outros lugares. Poucos meses depois de sua morte, comecei a vasculhar antigas anotações, fitas e arquivos das matérias que fiz a seu respeito. Havia muitas coisas que eu esquecera: notas improvisadas que eu escrevera sobre ele, histórias que ele me contara durante as entrevistas mas que eu não poderia usar no momento por uma razão ou por outra, antigas trocas de e-mails, até algumas fitas que eu nunca transcrevera. Encontrei uma fita cassete que ele gravara para mim e era uma cópia da fita que lhe fora dada pela viúva de John Lennon, Yoko Ono, com todas as várias versões de “Strawberry Fields Forever” gravadas durante o longo processo de composição. Tudo isso estava guardado em minha garagem, e desenterrar esse material desencadeou várias lembranças ao longo dos anos. Após remexer tais relíquias pessoais por semanas, decidi que não bastava apenas reclamar dos mitos unidimensionais sobre Steve que estavam se calcificando na mente do público. Eu queria oferecer uma imagem mais completa e um entendimento mais profundo do homem que eu cobrira de forma tão intensa, de um modo que não fora possível quando ele estava vivo. Cobrir Steve fora fascinante e dramático. Sua história era verdadeiramente shakespeariana, repleta de arrogância, intriga e orgulho, de conhecidos vilões e tolos desastrados, de sorte ultrajante, boas intenções e consequências inimagináveis. Havia tantos altos e baixos em tão pouco tempo que fora impossível traçar a ampla trajetória de seu sucesso enquanto ele estava vivo. Naquele momento, eu queria dar uma visão de longo prazo do homem que eu cobrira por tantos anos, o homem que se dizia meu amigo.


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Comentários

4 Respostas para “Como Steve virou Steve Jobs

  1. Como Steve Jobs virou Steve Jobs …

    Recebi hoje o ebook e ansiosamente comecei a lê-lo e pra minha surpresa fiquei assustado, pois estava diante de

    uma grande obra. Ainda estou lendo-o e quando terminar irei lê-lo mais duas ou talvez 5 vezes. Esta obra é

    simplesmente maravilhosa, tanto no seu conteúdo que relata uma parte muito importante da história deste

    visionário singular dos nossos tempos, como também a forma descrita que se molda em uma linda descrição fácil,

    simples, verdadeira e acima de tudo invade você de forma perfeita demonstrando o quanto foi difícil realizá-la.

    Chega, as vezes, até um clima de transcender grandes reportagens, pois faz você, através da singularidade, olhar

    que tudo é possível neste mundo, que ser simples no sentido de ser autêntico e aproveitar o que a vida tem a nos

    oferecer faz a gente crescer. Esta obra é tudo isto e estou lendo-a lentamente para me deliciar de todos os

    momentos diminutos que esta obra oferece.

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