Clóvis Bulcão

Gaffrée e/ou Guinle

25 / junho / 2015

hospital

Para os moradores do Rio de Janeiro o nome Gaffrée & Guinle é razoavelmente conhecido. É o nome de um hospital que, durante muitos anos, foi o maior da cidade, na rua Mariz e Barros, no bairro da Tijuca. Em Santos (SP), existe uma estátua que homenageia a dupla fundadora do porto local. Já em Bagé, Rio Grande do Sul, a associação do nome Gaffrée com Guinle ainda hoje causa certo desconforto.

Ninguém sabe dizer os motivos que levaram Cândido Gaffrée a trocar sua cidade natal pelo Rio de Janeiro. São várias as possibilidades: briga com o pai, busca de um ambiente econômico mais favorável (Cândido, aos 17 anos, já era um homem bem-sucedido) ou a necessidade de um refúgio para viver um estilo de vida diferente.

Um ano após à chegada do gaúcho na capital do Império do Brasil, em 1871, Cândido e Eduardo Guinle se tornaram sócios. Em 1875, entrava em cena Guilhermina, a terceira vértice do que viria a ser um triângulo.  São muitas as fontes que confirmam essa história. Sem contar que nas duas famílias, Gaffrée e Guinle, ela é contada sem nenhum problema.

Além da construção de um verdadeiro império, Gaffrée e Guinle construíram uma família. O fato é que Cândido passou a ser muito mais próximo dos filhos de Guilhermina do que dos próprios familiares. Ele até trouxe uma irmã e um sobrinho, Cândido Brum, para morar no Rio de Janeiro. O jovem veio de Bagé para estudar medicina. Imediatamente, começaram os problemas entre os dois. Cândido Brum não suportou a clara preferência do tio pelos meninos Guinle. O jovem estudante de medicina acabou rompendo com Cândido Gaffrée.

Essa inequívoca preferência ficou escancarada em seu milionário testamento. Alguns filhos de Guilhermina foram claramente beneficiados. Aos parentes, mesmo à irmã que morava no Rio de Janeiro, foram deixados alguns poucos tostões.

Pesquisando para escrever a biografia, percebi que alguns Gaffrée insinuaram que teriam sido lesados pelos Guinle. Mas essa tese não é verdadeira. Quem abandonou os Gaffrée de Bagé foi o próprio Cândido, opção que reforça a ideia de que reconhecia os filhos de Guilhermina como seus.  Logo, é errado dizer que houve o abandono dos Gaffrée. Houve o surgimento de uma nova linhagem, os Gaffrée Guinle.

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Comentários

Uma resposta para “Gaffrée e/ou Guinle

  1. Muito interessante a história dessas familias,vou ler o livro.

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