DIÁRIO DE ISABELA FREITAS

Por Isabela Freitas

16 / abril / 2015

saudade

Se existe algo que dói mais que saudade, por favor, eu não quero conhecer. Saudade dói, machuca, destroça. Aperta o peito e não nos deixa respirar. Não importa de quem seja… De uma amiga que não conversamos mais, de alguém que não podemos alcançar, de um amor que já se foi. Tudo passa. Os momentos passam, as pessoas passam, mas a saudade fica. Ela insiste em ficar, insiste em doer, insiste em lembrar.

Não adianta correr: a saudade vai te encontrar. Tento desesperada fugir dos sentimentos, fingir que não lembro, fingir que nunca te conheci. Mas ela vem, é claro que vem. A saudade vem me lembrar o quanto fui feliz ao seu lado, a saudade faz questão de mostrar que sem você nada tem graça. Olho todos os rostos procurando por você, admiro sorrisos pensando em como eles não brilham tanto quanto o seu. Cadê você, hein? Me deixou sozinha com ela. Você se foi e só ficou a saudade.  Só ficou sua voz na minha cabeça dizendo todas aquelas besteiras que eu tanto amava. Só restou algumas fotos rasgadas e memórias falhas. De você só ficou a saudade. Doendo, me matando, me lembrando. Me lembrando que você se foi.

Sinto saudade até do que nunca existiu, do que nunca vai existir. Sinto saudade de momentos que criei em minha mente perturbada, mas que nunca aconteceram. Nunca vão acontecer. Sinto saudade de sonhar com possibilidades, de esperar por algo. Hoje sei que não é mais possível.  Sinto saudade do seu cheirinho no meu casaco, dos seus abraços fortes que tanto me confortavam e dos seus beijos que eu nunca quis que terminassem. Mas terminaram. E eu só posso aceitar, seguir em frente, esquecer. Aceitar, tudo bem; seguir em frente, até vai. Mas esquecer é pedir demais. Acho que momentos bons deveriam existir pra sempre, pelo menos em nossas memórias. Dói demais, eu sei que dói. Mas são necessários para nos lembrar o quanto fomos felizes um dia. E mais ainda, são necessários para nos encorajar a criar novas lembranças.

 

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Isabela Freitas é autora de Não se iluda, não e de Não se apega, não, o primeiro livro jovem nacional da Intrínseca. Em 2011, começou seu blog, que já soma mais de 130 milhões de visualizações. Estudante de Direito, pretende cursar Jornalismo um dia. Mora com os pais em Juiz de Fora (MG), onde nasceu.

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Comentários

3 Respostas para “DIÁRIO DE ISABELA FREITAS

  1. Saudades é tudo isso sim e eu concordo vivo de saudades.

  2. Li alguns textos apenas mais já gostei mto é como se estivesse retratando o que está ocorrendo comigo ..parabéns pelo dom que Deus lhe deu… 🙂

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