POMBOS RELATAM CRIMES URBANOS

Por Clarice Freire

26 / março / 2015

pombos

DA JANELA DA DELEGACIA:

Pombo 1:
— Vi um homem fugir da prisão hoje.

Pombo 2:
—  Que perigo! O que ele fez?

Pombo 1:
— Quando amava, tinha efeito em cadeia.

DE UM POSTE APAGADO NA PRAÇA:

Pombo 1:
— Hoje eu vi um sequestro relâmpago.

Pombo 2:
— Que horror. Como foi?

Pombo 1:
— Tiraram aquela alma velha de casa, mataram as traças. Arejaram seus medos enfadonhos. Roubaram seus projetos, transformaram em sonhos. Depois entendi por que chamaram de relâmpago o sequestro.

Pombo 2:
— Por que? O que fizeram com ela?

Pombo 1:
— Acenderam.

DO TELHADO SUJO,  CENTRO DA CIDADE:

Pombo 1:
— É. A cidade anda muito violenta. Ontem, quase me mataram só porque roubei um tiquinho de queijo.

Pombo 2:
— Ontem, da sacada cinzenta, vi um rapaz sacar o sorriso da moça e roubar-lhe um beijo.

 

 

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Clarice Freire nasceu no Recife, em 1988, e desde muito cedo aprendeu a usar as palavras para acalmar suas inquietações. Cresceu admirando os desenhos em lápis de cor da mãe, Lúcia, e os versos do pai, Wilson. Uma noite, ouviu falar que a lua era bela porque, mesmo sendo só areia, deixava refletir a luz de outro, e por isso as noites não são escuras. Daí veio a inspiração para o nome de sua página no Facebook, Pó de Lua, criada em 2011.
Clarice escreve, quinzenalmente, às quintas.

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