Diário de Isabela Freitas

Por Isabela Freitas

21 / janeiro / 2015

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Ei, sabe de uma coisa? Se eu pudesse reescrever nossa história, eu o faria. E ao contrário do que a maioria pensa, eu não mudaria a forma como tudo acabou. Não fomos feitos para um final feliz, essa é a verdade. Sempre gostei de histórias trágicas – daquelas complicadas que nem se você pensar muito consegue achar uma solução. Talvez seja por isso que assisti onze vezes ao filme do Titanic. Jack poderia dividir aquele pedaço – grande o suficiente – de madeira com a Rose. Eles até poderiam revezar entre si e assim nenhum deles morreria. Mas não. Quem escreveu aquela história se parece um pouco comigo. Gosta de amores impossíveis e de dramas exagerados.

E é por isso que eu reescreveria nossa história. Conviver com a perda de um amor dói demais no coração de uma dramática por natureza. Veja bem, você seguiu em frente e eu estou aqui escrevendo esse texto. Escuto músicas e dedico letras a você. Vejo filmes e imagino se o seu pedido de desculpas será tão lindo quanto os que vejo na televisão. Olho-me no espelho e ensaio frases que devo dizer assim que te encontrar. A dor vira poesia aos olhos de um sonhador. E eu já estou cansada disso.

Se eu pudesse reescrever nossa história, eu o faria. Voltaria para o dia que te conheci e faria tudo diferente. Quando minha amiga me oferecesse aquela bebida vermelha, eu diria que não gosto de bebidas alcoólicas. Diria que sabia me divertir apenas com o som da música e o calor das pessoas ao meu lado. Que não me importava em parecer diferente. Quando eu avistasse meu namorado ficando com minha melhor amiga, continuaria dançando. E seria como se nada no mundo fosse capaz de me atingir. E eu nunca te conheceria… Mas não.

Eu virei aquele copo com a bebida vermelha. Olhei para o lado e vi as duas pessoas que mais amava na vida, juntas. Caminhei em direção a eles e disse um monte de coisas que não gosto de lembrar. Saí como um furacão da boate e me sentei no meio fio sem ao menos importar com o vestido novo que usava. Livrei-me dos sapatos e das lágrimas que estavam esperando o momento certo para descer.  E então você apareceu. Perguntou se estava tudo bem e não me importei de encontrar conforto nos ombros (fortes) de um desconhecido. Tudo errado. Eu deveria ter dito que estava tudo bem, e você entenderia, porque as mulheres fazem isso o tempo todo. Deixaria que você encontrasse outra garota para se encantar com o seu jeitinho de dizer sempre o que todos querem ouvir. Com o seu cheiro que ainda não saiu do meu moletom. Com seus olhos cor de céu. Ai, lá vou eu de novo. Fazer poesia com meu próprio sofrimento, que patético. Entende por que eu preciso mudar a nossa história ou achar alguma outra que me distraia? Espero que sim.

 

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Isabela Freitas é autora de Não se iluda, não e de Não se apega, não, o primeiro livro jovem nacional da Intrínseca. Em 2011, começou seu blog, que já soma mais de 130 milhões de visualizações. Estudante de Direito, pretende cursar Jornalismo um dia. Mora com os pais em Juiz de Fora (MG), onde nasceu.

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Comentários

2 Respostas para “Diário de Isabela Freitas

  1. Que texto lindo! Me surpreendi. Parte da minha história.

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