Adriana Falcão

Bodas de ar

19 / janeiro / 2015

Di Cavalcanti, “Baile Popular” (1972)

Di Cavalcanti, “Baile Popular” (1972)

Passam rapazes, passam moças, passam pernas, desejos, risos, passam amores.
O verão tem essa mania de lembrar a gente de que é passageiro.
Primeiro vagão da maria-fumaça do ano, ele invade janeiro e fevereiro nos alertando: “aproveite, a vida passa”.
Depois do Carnaval, a história é outra.
Até então, torna-se obrigatório se divertir, bailar, beijar, namorar. Os amores de verão são assim, solares, aluados, leves, despretensiosos.
Por essa época, os casais mais antigos podem sofrer tempestades. Vai que um dos dois se sente atraído pelo clima, e tem necessidade de passeios? Quando isso acontece, o outro, coitado, sente na alma um frio de medo de perder seu amante pelos ares. E redescobre, uma vez mais, que tudo muda, o verão é só uma estação do ano, só mais um marco no calendário.
Na verdade, quem passa mudando as temperaturas é o tempo.

 

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