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Meia volta de lua

15 / dezembro / 2014

Coluna 7 - Meia volta de lua

Cheguei  com sete minutos de atraso pra fingir que não atrasei cinco minutos de propósito. A lua ainda estava escondida no mar. Você não tinha chegado.

Sentei no quiosque e fiquei pensando.

É ruim sentar em cadeira de plástico.

Caipivodka de kiwi ou de morango?

Quem foi, foi, quem não foi, está.

Queria passear em Portugal.

A lua começou a aparecer atrás do mar.

“És um senhor tão bonito quanto a cara do meu filho.”

Vem ou não vem?

É ruim quando as coisas são tanto faz no nervoso da gente.

Também é ruim quando elas são importantes demais.

Então é ruim.

E essa caipivodka tá sem açúcar.

Você chegou.

Nos cumprimentamos afavelmente.

Passada a dificuldade inicial, engatamos uma conversa sem fim.

Trânsito. Falta d’água. Partido político. A vida dos outros. Outra caipivodka?

A lua estava a um palmo do mar.

Talvez tenha sido efeito da cachaça, o fato é que me surpreendi com a honestidade do seu sorriso. Cogitei que fosse verdade a minha ingenuidade de criança. Cantarolei “Volver a los 17” dentro da minha cabeça. O seu querer me emprestou vontade.

Atravessamos a cidade em silêncio.

Depois chamei um táxi. Eu estava diferente.

A lua começava a se esconder atrás da montanha.

O táxi chegou.

 

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Comentários

Uma resposta para “Meia volta de lua

  1. Adriana Falcão tem sempre um jeitinho especial de ser poeta dentro da prosa. Ela diz coisas que nos tocam o coração, por simples e belas que são. É sempre um prêmio ler seus textos, como se a vida nos desse de presente esse momento de descanso. Uma folga do nervoso, do estresse descabido, do trânsito enlouquecido, do chefe irascível, do azedume, da competição. Essas negatividades dando lugar a uma doidice suave, a uma beleza sem par das palavras, a um sentimento de doçura. Quando diz “seu querer me emprestou vontade”, disse tudo. Disse da mudança, como a que se operou em mim quando li isso. Um beijo, obrigada Adriana!

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