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DA LUA PARA O PAPEL

15 / agosto / 2014

Clarice + Pó de lua

Cada livro carrega uma história além daquela que vem impressa em suas páginas. Ainda mais uma obra como Pó de Lua, de Clarice Freire, que envolve um projeto gráfico com uma proposta tão original quanto as criações da autora. Foram meses de planejamentos, reuniões e trabalho árduo. Em entrevista, a editora Livia de Almeida revela um pouco de como foi a concepção desse livro. Confira abaixo:

 

Intrínseca: Como surgiu a ideia para a publicação do Pó de Lua?

Livia de Almeida: Conheci o trabalho da Clarice como tantos leitores, graças à recomendação do Pedro Gabriel via Facebook. Depois, ele voltou a insistir para que eu prestasse atenção nos textos ilustrados dela. Fiquei encantada quando percebi que ela combinava a um traço delicado, feminino, uma mordacidade, uma agudeza de observações. Pensei que essas criações poderiam ganhar uma outra vida na página impressa. Levei a ideia para o Jorge um dia antes do feriadão de Natal de 2013 e ele me mandou embarcar para Recife para conversar com a Clarice o mais rápido possível. Bom, o mais rápido possível acabou sendo às vésperas do réveillon, porque as passagens aéreas estavam todas esgotadas. A gente se conheceu pessoalmente, trocou ideias e percebeu que tinha um monte de identificações. Em resumo, a gente descobriu depressa que falava a mesma língua.

 

Intrínseca: Como foi trabalhar com Clarice?

Livia:Claro que vai parecer rasgação de seda, é um privilégio trabalhar com pessoas criativas. A gente não para de aprender! E a Clarice tem um drive, uma disciplina impressionante. Volta e meia nos surpreendia com um volume de trabalho inacreditável, e tudo da maior qualidade. Um belo dia, ela apareceu aqui na editora para uma reunião com mais de 100 desenhos novos que ela havia produzido em menos de uma semana, num momento de inspiração e insônia. Tivemos que deixar de fora muita coisa, com dor no coração.  Outra coisa que descobri com a convivência é que com a Clarice não tem tempo ruim.

 

Intrínseca: Quais foram os maiores desafios na edição do livro?

Livia: Criar um livro a partir dos poemas desenhados de Pó de Lua era um desafio e tanto. “Meu Deus”, eu pensei, “como levar para a página impressa algo que é quase tão leve como o ar, quase intangível?” A própria Clarice me veio com a resposta, inspirada por um grande amigo dela, que foi dividir o livro entre as quatro fases da lua. Cada fase tem um mood, um clima. A minguante fala do tempo, da lembrança, da saudade, da ausência; a nova é praticamente uma reafirmação de valores e de identidade; a crescente viaja no amor no sentido mais amplo da palavra, e não apenas no viés romântico, e por fim, a lua cheia é a descoberta da leveza, uma tentativa mesmo de eliminar os efeitos da gravidade. Isso funcionou como uma bússola para a gente.

Teve também um processo de aprendizado conjunto, porque o formato do livro é diferente do formato da tela do computador, do quadrado do Facebook e do Instagram, onde ela se expressa. Por incrível que pareça, a página oferece uma enorme liberdade criativa e abre um leque de possibilidades para invenções, para a composição entre texto e imagem. Com o decorrer do trabalho, a Clarice começou a experimentar mais cor, novos materiais.  Como resultado, a lua cheia, o último segmento do livro, é uma explosão de cores, uma versão de Pó de Lua como nunca se viu numa tela.

Acho que é legal ressalvar que o trabalho da Clarice é a prova viva de que leveza não é a mesma coisa que superficialidade; não é ver o mundo com lentes rosadas. Ela trata de assuntos até espinhosos, como hipocrisia, perdas, dores, mas sempre sem perder contato com uma imensa alegria de viver.  E é contagiante. Quando você termina de ler fica um pouco mais “aluado”.

 

Intrínseca:  O que os leitores podem esperar do Pó de Lua?

Livia: Olha, eu espero que os leitores viajem na sonoridade da escrita, flutuem junto com o traço, intriguem-se e encontrem um pouquinho dessa alegria e dessa paixão que a Clarice coloca cuidadosamente em tudo o que faz.

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Comentários

6 Respostas para “DA LUA PARA O PAPEL

  1. Os textos são incríveis e lindos tanto quanto a autora. Não vejo a hora de ter o livro em mãos. Parabéns pela sensibilidade.

  2. Livia: Quanta generosidade dividir esse processo com os leitores e mais ainda, estar nos bastidores de tanta poesia e sensibilidade! Parabéns pela competência e por ser essa pessoa tão bonita por dentro e por fora! Falando assim parece até que te conheço, não é? De certa forma conheço sim. Sem saber que estava por trás do Pó de Lua de Clarice (que admiro muito), trocamos algumas palavras na Casa da Intrínseca na Flip sábado à noite. Eu estava lá com meu marido e filho de oito anos, o menino que dizia “não vou conseguir dormir sem encontrar o livro do Banguela e Soluço”, lembra? Se não lembra, não tem importância. Eu me lembro de você e do seu olhar, um olhar doce, aberto ao mundo, querendo decifrar as pessoas ou traduzir seus caminhos. Quase arrisquei uma tietagem, mas não tinha lápis nem papel, e fiquei sem graça pra pedir um selfie. Hoje, conhecendo a história dos bastidores do Pó de Lua, tive vontade de ser Clarice; de talvez, quem sabe, ter aproveitado mais o momento naquela noite de sábado em Paraty.
    Mas por que não arriscar agora?
    Bom, meu nome é Fabíola, tenho 40 anos e sou dentista. Meu desejo secreto é ser escritora e deixo aqui o link do meu blog. Visite se puder, vou gostar muito…
    Grande beijo de uma fã,
    Fabíola
    http://www.asomadetodosafetos.blogspot.com.br/

  3. o livro pó de lua ficou lindo, parabéns a editora e a Clarice Freire, eu pude ler um pouco do livro ebook, é muito lindo, uma obra de arte, os poemas sao lindos.

  4. Clarice estou apaixonada pelo “Pó de Lua” mesmo sem ler. Não vejo a hora de ter seu livro nas mãos e devorá-lo. Também estou lançando meu primeiro livro “Artimanhas do destino” na Bienal pela Editora Scortecci. Te desejo muito sucesso.Beijos.

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