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A voz do autismo

28 / março / 2014

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Publicado originalmente em 2007 no Japão, O que me faz pular foi escrito por Naoki Higashida, um menino autista de 13 anos que, com rara simplicidade e sensibilidade, dá voz à subjetividade de pessoas nessa condição. “Quando eu era pequeno, nem sabia que era uma criança com necessidades especiais. Como desco­bri? Com os outros me dizendo que eu era dife­rente de todo mundo, e que isso era um proble­ma. Pura verdade. Para mim, era muito difícil agir como uma pessoa normal. Até hoje eu não consigo ‘fazer’ uma conversa de verdade”, explica o autor.

David Mitchell, escritor, tradutor do livro para o inglês e pai de uma criança com a mesma condição de Naoki, diz na introdução da obra: “suas explicações sobre por que crianças com autismo fazem o que fazem fo­ram, literalmente, uma resposta às minhas preces. O que me faz pular, concebido por um escritor ain­da com um pé na infância, e cujo autismo é pelo menos tão complexo quanto o do nosso filho, foi como uma revelação divina. Através das palavras de Naoki, pela primeira vez senti como se o meu ga­roto estivesse falando conosco sobre o que acontece dentro de sua cabeça.”

As palavras de Naoki chegam ao Brasil pela Intrínseca no dia 2 de abril, Dia Internacional da Conscientização do Autismo.

Acha mais fácil entender os outros quando falam com você em linguagem infantil?

“Crianças com autismo também crescem e se desen­volvem a cada dia, mas, mesmo assim, somos tra­tados como bebês para sempre. Imagino que seja porque parecemos nos comportar como se fôssemos mais novos do que somos, só que, toda vez que falam comigo como se eu ainda fosse uma criancinha, fico realmente incomodado. Não sei se as pessoas acham que vou entender melhor a linguagem tatibitate ou se acham que prefiro ser tratado dessa forma.

(…) Cada vez que alguém me subestima, eu me sinto extremamente infeliz — como se não tivesse nenhuma chance de um futuro decente. Compaixão de verdade significa não pisar na au­toestima alheia. Pelo menos é assim que eu penso.”

Por que você faz coisas que não deve mesmo que já tenha sido advertido um milhão de vezes?

“’Quantas vezes eu tenho que dizer isso?!’

Nós, pessoas com autismo, ouvimos isso o tempo todo. Eu sou constantemente repreendi­do por fazer as mesmas coisas de sempre. Pode parecer que fazemos por maldade ou por pirraça, mas, juro, não é o caso. Quando somos adverti­dos, nos sentimos mal por mais uma vez termos feito algo que já nos haviam avisado que era errado. Só que, quando aparece a oportunidade, já nos esquecemos do que aconteceu na última vez e somos levados a fazer tudo de novo.

Você deve estar pensando: ‘Ele nunca vai apren­der?’ Sabemos que estamos deixando vocês tristes e chateados, mas sinto dizer que é como se não ti­véssemos escolha, e é isso. Mas, por favor, façam o que fizerem, não desistam de nós. Precisamos de sua ajuda.”

Por que você faz as mesmas perguntas o tempo todo?

“É verdade, sempre pergunto as mesmas coisas. ‘Que dia é hoje?’ ou ‘Amanhã tem aula?’. Sobre assuntos corriqueiros como esses, eu pergunto de novo e de novo. Não faço isso porque não entendo — na verdade, mesmo quando estou perguntando, sei que entendo.

A razão disso? É que esqueço muito rápido o que acabo de ouvir. Dentro da minha cabeça não exis­te grande diferença entre o que me disseram agora mesmo e o que ouvi muito tempo atrás.

Imagino que a memória de alguém nor­mal seja ordenada de forma contínua, como uma fila. A minha seria mais como uma piscina de bolinhas. Sem­pre tento ‘pegar’ essas bolinhas — fazendo perguntas — para chegar até a lembrança que elas representam.”

Por que você está sempre correndo?

“Minha mente está sempre inquieta, vagando de um lado para o outro. Não é que eu queira sair cor­rendo; só não consigo evitar disparar em direção a qualquer lugar que entre em meu campo de visão. Também fico incomodado, já que vivem me dizen­do para não fazer isso. Mas não consigo me conter.”

Qual a pior coisa de ser autista?

“Vocês não percebem. O fato é que vocês não fazem ideia de como nos sentimos mal. As pessoas que cuidam de nós podem até dizer: ‘Quer saber? Tomar conta desses garotos é um trabalho muito difícil!’ Mas ninguém sabe o quanto nós — que estamos sempre causando problemas e somos inúteis em quase tudo que tentamos fazer — nos sentimos culpados e infelizes.”

Você gostaria de ser “normal”?

“Em poucas palavras, aprendi que cada ser hu­mano, com ou sem deficiências, precisa se esforçar para fazer o melhor possível e, ao lutar para conse­guir a felicidade, ele a alcança. Veja bem, para nós o autismo é normal, então não temos como saber o que os outros chamam de ‘normal’. Porém, a par­tir do momento em que aprendemos a nos amar, não sei bem se faz diferença termos autismo ou não.”

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Comentários

6 Respostas para “A voz do autismo

  1. Uma palavra: fantástico, de um poder surpreendente. Tive a oportunidade de ler alguns trechos e é um obra encantadora, tocante. Conheci algumas crianças autistas (incluindo o filho de uma amiga muito próxima), conviver alguns minutos com ele é ter a oportunidade de repensar sobre a ignorância que temos em relação ao tema, uma abertura mental impagável.
    Estou ansioso para ler a obra por completo.
    Beijos e parabéns por trazerem o título.
    Ademar Júnior
    http://coolturalblog.wordpress.com/

  2. Tenho filho autista e cada vez mais fico impressionada com a relação e reação deles. É muito caractistico. O esclarecimenro é importante pois tem muita gente que não conhece.

  3. pois eu tenho o neto autismo pois fico triste por ver as atitude que le toma tem apenas 3 anos nao ceio o motivo por ele cer especial so seio que amo de mais eu ate choro quando ele esta nevoso e seio que nao e culpa dele ne de niquem mais esto so quem saber e deus por isso peco a deus para que deus tenha piedade de todas as mae que tem filhos a sem eu lie a cartinha do menino com altismo mi deixo em meia triste por ver como eles se sente mais foi bom por que aprende um pouco com ele

  4. Achei muiiiito interessante uma mensagem poderosa pra muitos de nós…Há muito ainda pra se aprender…com esses Anjos que DEUS confiou em nossas vidas.

  5. Eu tenho um filho com autismo leve,eu amo meu filho etodos os dias eu tento aprender como posso ajudá-lo. Mas muitas vezes eu aprendo mais com ele. E como me surpreendo com o meu príncipe.

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