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A MENINA QUE ROUBAVA LIVROS – ENTREVISTA COM A ATRIZ EMILY WATSON

24 / janeiro / 2014

A estreia do filme A menina que roubava livros nos cinemas brasileiros está se aproximando: 31 de janeiro!

Para aquecer o coração dos fãs, a atriz Emily Watson, que interpreta a rabugenta mãe adotiva de Liesel, falou um pouco sobre sua participação na adaptação cinematográfica:

Por Joe Utichi – www.joeutichi.com

Nascida em Londres, a atriz Emily Watson começou sua carreira nos palcos do West End, atuando em peças como The Children’s Hour (Infâmia), Three Sisters (Três irmãs) e Much Ado About Nothing (Muito barulho por nada). Participou da Royal Shakespeare Company por um tempo, estrelando produções como A Jovial Crew, The Taming of The Shrew (A megera domada), All’s Well That Ends Well (Bem está o que bem acaba) e The Changeling.

A atriz era relativamente desconhecida quando o diretor dinamarquês Lars von Trier a escalou para o papel principal de Ondas do Destino. O filme, premiado em Cannes em 1996, imediatamente a revelou como um talento em ascensão. Watson foi indicada para o Oscar e para o prêmio BAFTA, e  Ondas do Destino conquistou um lugar na lista dos dez melhores filmes da década, de acordo com Roger Ebert e Martin Scorsese.

Ela obteve outra indicação para o Oscar pelo seu papel igualmente controverso de Jacqueline du Pré, em Hilary e Jackie, de Anand Tucker, e interpretou a personagem-título de As Cinzas de Ângela, de Alan Parker, no papel da mãe de Frank McCourt. Estrelou ao lado de Daniel Day-Lewis em O Lutador, de Jim Sheridan, e atuou como Olive Stanton em O Poder Vai Dançar, de Tim Robbins, do qual também participaram John Cusack, Bill Murray e Susan Sarandon. Em 2001, fez parte do elenco de Assassinato em Gosford Park, de Robert Altman, que contava ainda com talentos como Maggie Smith, Charles Dance e Kristin Scott Thomas.

Logo se seguiram papéis de grande visibilidade. Watson atuou em Dragão Vermelho, de Brett Ratner, prequel de O Silêncio dos Inocentes; em Embriagado de Amor, de Paul Thomas Anderson, com Adam Sandler; e no filme de ação e ficção científica Equilibrium, com Christian Bale, com quem já havia contracenado num de seus primeiros papéis no cinema: Reflexos do Passado, de 1997.

Com A Vida e a Morte de Peter Sellers, Watson foi indicada para o Globo de Ouro por sua atuação ao lado de Geoffrey Rush ― de novo seu companheiro de elenco em A Menina que Roubava Livros ─, fazendo o papel da primeira esposa do ator. A seguir, participou dos filmes A Conquista da Liberdade, Mentiras Sinceras e A Proposta. Também fez parte da equipe de dubladores de A Noiva Cadáver, famosa animação de Tim Burton.

Seus papéis mais recentes foram ao lado de Julia Roberts e Carrie-Anne Moss, em Um Segredo entre Nós, e no épico Cavalo de Guerra, do diretor Steven Spielberg. Emily ganhou o prêmio BAFTA por sua atuação em Appropriate Adult, filme em duas partes feito para a televisão, em que interpretou Janet Leach ao lado de Dominic West, que deu vida a Fred West.

Em A Menina que Roubava Livros, adaptado do romance homônimo de Markus Zusak, Watson é a rabugenta dona de casa Rosa Hubermann, mãe adotiva de Liesel, a menina no coração da história. Do set de filmagens na Alemanha, ela comentou o projeto.

Deve ser uma alegria interpretar Rosa. Embora seja muito rígida, ela tem um coração extraordinário.

Com certeza. Estou muito animada por participar disso. É bastante divertido representar uma pessoa rigorosa que, no final, se revela tão boa. De certo modo, no início é preciso que ela seja inteiramente vista pelo ponto de vista de uma criança, que a considera uma madrasta malvada. Ela é um arquétipo. Sua casa se parece um pouco com as dos contos de fadas. Mas depois, à medida que se conhece melhor Rosa, acho que acontece um momento interessantíssimo em que a história da guerra passa a ser contada pelo ponto de vista de alemães comuns, que não estão envolvidos na ideologia nazista. Ou que estão, porque todo mundo está, mas não acreditam nela. No caso de Rosa, não é que ela seja particularmente radical; ela está apenas levando sua vida quando uma escolha moral bate à sua porta. Em uma fração de segundo, ela precisa tomar uma decisão sobre o que é pessoal e que caminho seguir.

Você diria que ela é realista enquanto Hans é idealista?

Sem dúvida. Sempre acabo interpretando o tipo de mulher que é o arrimo da família, que faz tudo funcionar, mantém todos unidos, está sempre em ação, não tem tempo para ser poética a respeito da vida, pessoas assim!

Você trabalhou com Geoffrey Rush em A Vida e a Morte de Peter Sellers. Foi bom encontrá-lo novamente?

Assim que soube que Geoffrey estava no filme, não precisei pensar duas vezes. Não o via praticamente desde então. Ele mora na Austrália. Provavelmente o vi uma ou duas vezes durante esse meio-tempo. Ele é hilário. É muito divertido e me faz dar boas risadas. Está sempre fazendo piadas e contando histórias engraçadas. Pode estar lá sentado, pensando, e de repente surge com a piada mais boba. É um palhaço, o que é ótimo para o papel de Hans. E seu trabalho é muito meticuloso. É como um cachorro roendo um osso bem devagar.

Você acha instigante participar de uma história como essa, que é vista da perspectiva de uma menina que não tem uma visão global do que está acontecendo?

Com certeza. Liesel odeia Hitler porque seus pais foram levados embora e provavelmente mortos pelo regime. Mas como ela se sentiria se sua família tivesse sido bem-tratada?  É muito interessante também toda a perspectiva da Morte, falando da guerra como algo que está acontecendo com a humanidade. Adoro a passagem em que ela diz: “Ao longo dos anos, vi inúmeros rapazes que pensam estar correndo para outros rapazes. Não estão. Eles correm para mim.”

Você fez pesquisa sobre aquela época?

É uma época que eu já conheço muito bem, mas só estando em Berlim, onde há tanta coisa sobre a guerra e sobre como as pessoas comuns viviam, é que é possível ter tudo isso à sua volta. A cidade é bem consciente de sua história, de uma forma boa e positiva, sem negar nada. Pelo contrário, os cidadãos demonstram o que sentem a respeito, e há muitas exposições e museus. No início dos ensaios foi bastante estranho. Eu estava lá sentada, falando sobre a guerra, quando de repente pensei: “Uau, e os pais ou avós dessas pessoas, de que lado estavam?” De certa forma, fiquei um pouco desconfortável com isso, porque quem somos nós para julgar o comportamento das pessoas? Será que não teríamos agido igual se estivéssemos lá? A gente tem esperança de que faria a coisa certa.

Como é trabalhar com Brian Percival?

Ele é muito concentrado na história e no ponto de vista de quem a conta. É muito gentil e aproveita bastante o tempo disponível. Ele passou de cinco a sete páginas de roteiro por dia na televisão para duas ou três, e isso faz uma enorme diferença. Assim é possível trabalhar os detalhes, o que é fantástico.

O set externo com a rua Himmel é bem impressionante. Ajuda estar cercada por um cenário tão detalhado?

É extraordinário, e também estou cercada por alemães. Quando cheguei a Berlim pela primeira vez, várias pessoas falaram que saumensch, uma palavra que Rosa está sempre dizendo, não era um termo usado aqui. Achei estranho, porque tinha certeza de que Markus não o usaria se não estivesse correto. Acabei descobrindo que era de um antigo dialeto. Conheci o chefe dos contrarregras, que disse: “Ah, minha avó falava isso o tempo todo.” Não tenho certeza de que ainda é repetido na região, mas definitivamente não vem de Berlim.

Estar cercada de alemães ajudou você no sotaque?

Ah, ajudou, sim. A riqueza de conhecimento é de fato verdadeira. Mas acontece que a Alemanha tem regras muito rígidas com relação às horas de trabalho infantil. Então acho que Sophie só pode trabalhar cinco horas por dia, e com um intervalo a cada hora. Não é muito tempo. Ela vai à escola no set, mas algumas vezes precisamos fazer as cenas com uma dublê porque ela não tem mais tempo disponível. Mas é bom. Por causa disso, não trabalhamos até muito tarde, o que é ótimo. Fechamos as filmagens quando temos que fechar, vamos para casa e todo mundo pode descansar, e isso é bom.

O interior da casa dos Hubermann foi projetado para ser bem realista. É interessante tentar conhecer o set e tratá-lo como sua casa?

Demos um duro danado para fazer parecer que ali fica seu negócio. Rosa está sempre ocupada, lavando, passando, secando roupas. É realmente estressante fazer isso tudo. Ela fica bem estressada por estar sempre trabalhando. É por isso que é tão malvada com todo mundo! Tínhamos um divisão clara da hora do dia de cada cena, então eu decidi com o departamento de arte o que ela faria em cada um desses momentos. Mesmo que eu não esteja trabalhando na cena, os objetos sempre estão ali como pano de fundo. O processo do dia de trabalho teve muito destaque.

Tratar desses detalhes você mesma ajuda na performance?

Ajuda. Quer dizer, obviamente num filme como esse eu tenho que dizer que gostaria que as coisas fossem assim ou assado. Não posso dizer: “Ah, vou fazer uma omelete. Preciso de ovos.” Para mim, particularmente nesse tipo de cenário doméstico, são esses detalhes que tornam tudo mais real, já que estou interpretando alguém muito ativo. Hans é o oposto. Ele está sempre no presente, com frequência sentado, pensando. Ele é um filósofo. Ela é uma pessoa que faz. Eu precisava estar sempre ocupada. Sempre correndo, mais e mais.

 

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