[eu não me chamo anônimo]

Por Pedro Gabriel

12 / novembro / 2013

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Desde que criei a página (no Facebook), a intenção sempre foi dividir, com quem quisesse ou quem me encontrasse, um pouco dos meus guardanapos, da minha arte e das minhas criações diárias. A ideia nunca foi dividir meu álbum de família. Quem tem que aparecer é o que eu faço e não como eu sou. Apesar de ter muito (muito!) do que eu sou no que eu faço.

Até hoje recebo pedidos para eu postar uma foto minha no meu mural. Alguns acham que sou mulher. Outros acreditam que sou vários: um coletivo de criadores de guardanapos! Eu acho isso tão bacana ser essa pluralidade de possibilidades. Poder ser mulher, poder ser vários, poder ser uma pessoa totalmente diferente criada pela pessoa que me lê. Meus guardanapos não têm gênero. Meus guardanapos não têm rosto. Eles acabam sendo um pouco de mim e um tanto de quem os adota.

Eu entendo a curiosidade das pessoas. O fato do autor da página até então não ter um rosto definido pode ter gerado pequenas dúvidas ou dado um ar de mistério. Alguns até apontaram como sendo uma estratégia de marketing. Para mim a explicação sempre foi muito simples.

Na descrição do Eu me chamo Antônio tem uma frase que resume o meu trabalho: “Antônio é um personagem de um romance que está sendo escrito, vivido”. Sempre deixei claro que ali é o espaço que criei para expressar com palavras desenhadas o que eu não consigo expressar com palavras pronunciadas. O Antônio é a projeção dos meus sentimentos.

Eu não tenho problema algum em mostrar minha foto ou em aparecer. Mas tudo em seu lugar. Tudo em seu momento. Adriana, minha amiga, me viu ontem. Sophie me ligou. Lourenço me deu um abraço. Jantei com a Mariana. E ela acha que eu emagreci um pouco. Fiquei feliz. Tomei um chope com o Vitor e o Fernando. Matamos a saudade. Eu existo. Eu nunca me chamei anônimo. Eu me chamo Antônio.

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Pedro Gabriel nasceu em N’Djamena, capital do Chade, em 1984. Filho de pai suíço e mãe brasileira, chegou ao Brasil aos 12 anos — e até os 13 não formulava uma frase completa em português. A partir da dificuldade na adaptação à língua portuguesa, que lhe exigiu muita observação tanto dos sons quanto da grafia das palavras, Pedro desenvolveu talento e sensibilidade raros para brincar com as letras. É formado em publicidade e propaganda pela ESPM-RJ e autor de Eu me chamo Antônio Segundo – Eu me chamo Antônio.
Pedro escreve às terças.

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Comentários

10 Respostas para “[eu não me chamo anônimo]

  1. Sendo Antônio ou não, a genialidade é a mesma. Sou tua fã!

  2. Eu conheci “Antonio” por um acidente. Acredito que um rosto para o personagem não seja necessário. O importante é o sentimento!

  3. Sempre criativo.
    Destaco duas linhas:
    “Quem tem que aparecer é o que eu faço e não como eu sou. Apesar de ter muito (muito!) do que eu sou no que eu faço.”
    e
    “Sempre deixei claro que ali é o espaço que criei para expressar com palavras desenhadas o que eu não consigo expressar com palavras pronunciadas. O Antônio é a projeção dos meus sentimentos.”
    que explicam bem o seu trabalho:
    SÃO GUARDANAPOS QUE TRANSMITEM MENSAGENS COM MUITO MAIS QUE APENAS PALAVRAS, ELES SÃO CARREGADOS DE SENTIMENTO.

    Para mim, este é o motivo do sucesso: SENTIMENTOS VERDADEIROS.

    Parabéns Antônio, não tem como não ser sua fã mesmo sem o conhecer fisicamente.

  4. Adoro o seu trabalho, àquele que expressa de forma tão simples, mas, que acaba sendo intenso.

    Desde que comecei a seguir a page, me espanto, me admiro, me surpreendo a cada “bilhetinho” num guardanapo qualquer, que, pelo menos para mim, me faz refletir, rir, quase chorar, trás algo de útil (muito útil) para o meu dia.

    Só tenho que lhe parabenizar pelo seu trabalho, pela sua ousadia.
    E saiba que quando a page “Eu me chamo Antônio” curtiu uma simples postagem minha, fiquei completamente estasiado, feliz ao ponto de fazer outra publicação, demonstrando a minha satisfação!

    Lhe desejo muito sucesso, de verdade, um sucesso merecido! E espero que eu consiga adquirir seu livro, o mais rápido que possível! Meu Parabéns!!!

  5. Tanto faz sendo Antônio, Pedro, Gabriel ou até os três. Amo sua arte, suas ideias, seu trabalho e sua humildade, isso deixa seu trabalho ainda mais completo e se depender de mim, você vai continuar indo nos bares da sua cidade para escrever, porque hoje eu preciso me embriagar com suas palavras. Você é genial Pedro (Antônio) Gabriel!

  6. Me inspira e alegra a alma…
    Você é genial, sou tua fã!

  7. eu me apaixonei pela pagina , e falo com todas as pessoas que eu conheço e tem a sensibilidade para ler. Meu poeta do sec. 21 , adoro como traz tranquilidade e impacto nos seus guardanapos , minha amiga diz que eu sou uma ANTONIA assumida . Maravilhoso trabalho Pedro Gabriel

  8. Pedro,
    O fato do seu rosto aparecer só resultou na minha paixão por Vc. Paixão pelo seu trabalho eu já tinha. Com certeza irei na noite de autógrafos 🙂

  9. Sendo Pedro, Antônio, Gabriel, Anhorn, o importante é o talento que tem e ninguém poderá tirar isso de você.

    Obrigada por compartilhar conosco!

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