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Entrevista colaborativa com Markus Zusak

23 / julho / 2013


Para marcar o lançamento de A garota que eu quero, livro inédito de Markus Zusak (A menina que roubava livros e Eu sou o mensageiro), fizemos uma entrevista colaborativa com o autor. Confira as cinco perguntas de leitores selecionadas durante o Concurso Cultural e respondidas pelo próprio Zusak:

A menina que roubava livros é uma leitura incrível e sublime, porém difícil, no sentido de ser dolorosa e de nos arrancar lágrimas. Gostaria de saber qual foi a passagem ou momento mais doloroso para você na escrita desse livro ou de outros livros de sua autoria. Qual foi o trecho ou capítulo mais difícil de fazer, qual foi o texto que mais fez doer seu coração?
Enviada por Karen Vaz Siqueira Alvares

Markus Zusak: Acho que as últimas 50 páginas do livro foram, ao mesmo tempo, as mais difíceis e as mais fáceis de escrever. Eu as escrevi muito rápido, ao longo de duas noites, mas fiquei arrasado o tempo todo. Foi muito difícil, principalmente me despedir de todos os personagens a que me apeguei tanto, por tanto tempo. De todos, Rudy foi o mais sofrido. Ele era meu personagem preferido a partir do momento em que se tornou Jesse Owens…

Assim como Cameron Wolfe, você também é o mais novo de quatro irmãos, e assim como o personagem de Hans Hubberman, o seu pai também era pintor de casas. Você sempre tenta colocar alguma inspiração autobiográfica na criação dos personagens?
Enviada por Eduarda Menezes

Markus: Não, acho que entram no texto naturalmente, ou por necessidade. Na primeira vez em que escrevi sobre Cameron Wolfe, ele só tinha um irmão e uma irmã… mas acrescentei Steve por dois motivos. O primeiro foi que pensei que a ideia de um irmão e uma irmã se parecia demais com uma série de televisão antiga chamada The Wonder Years (chamada Anos Incríveis no Brasil). Agora percebo que não tinha nada a ver – o livro e a série eram diferentes. O segundo motivo foi que precisava de um personagem que incitasse Cameron a querer se provar para o mundo – e esse personagem sempre foi Steve.

No caso de Hans Hubermann, eu comecei a escrever e, quando percebi,  Hans era pintor. Nem pensei sobre isso. Quando essas coisas acontecem, não há o que questionar.

Você já declarou algumas vezes que foi um garoto introvertido na adolescência e que tinha diversas ideias, e que destas surgiram seus livros. Você poderia dizer o quanto o Cameron Wolfe herdou de sua personalidade? O que autor e personagem têm em comum?
Enviada por Renato TUZ

Markus: Acho que eu sempre fui tão patético quanto Cameron! Não, nunca fiquei esperando por horas na frente da casa de uma garota, mas talvez isso tenha acontecido em termos metafóricos. Eu era meio estranho e calado, mas também muito ambicioso e determinado. Acho que me tornei mais confiante com o passar do tempo. Cameron sou eu aos 17 anos, esperando para se tornar o que precisa ser, e desesperado para fazer com que isso aconteça.

Após o sucesso mundial de A menina que roubava livros, é comum que os leitores criem grandes expectativas em relação ao lançamento de seus novos livros. Como você lida com essas expectativas de seus leitores?
Enviada por Matheus Pereira

Markus: As expectativas dos leitores são altas, mas tenho certeza de que as minhas são mais ainda. Meu objetivo sempre foi escrever um livro melhor que o anterior. Depois de A menina que roubava livros, o padrão ficou muito mais elevado, porque imagino que tenha uma quantidade maior de leitores hoje. Mas sempre acho que um livro só começa a funcionar quando você está quase dizendo ao público: “Sabem do que mais? Estou farto de me preocupar com vocês – agora são vocês que têm que me acompanhar”. É irônico, mas muitas vezes a melhor forma de atender a seu público é ignorá-lo.

Se Ed Kenedy (Eu sou o mensageiro) recebesse uma carta com o endereço de Lisel Meminger, qual mensagem seria entregue?
Enviada por Renan Vieira

Provavelmente esta é a pergunta mais fascinante que me fizeram até hoje, e me fez pensar em escrever um conto ou romance curto sobre essa ideia. Por enquanto, tenho que dizer: “Não sei”. Mas teria alguma coisa a ver com Max, acho. É meio que olhar para uma bola de cristal e de alguma forma vejo uma luta de boxe no grande Estádio do Maracanã no Rio, uma revanche em Sydney, Ruben Wolfe… e o táxi de Ed Kennedy, dando voltas por todos esses lugares. Se um dia eu escrever sobre isso, terei que lhe dar os créditos.

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Comentários

8 Respostas para “Entrevista colaborativa com Markus Zusak

  1. A quarta pergunta foi a melhor para mim. ” É irônico, mas muitas vezes a melhor forma de atender a seu público é ignorá-lo.” Genial =D

  2. Adorei! Esse autor é incrível e me deixou bem curiosa com a resposta dele para a última pergunta. :DD

  3. Mandei a minha pergunta, mas não foi escolhida. Mas adorei as que foram, e amei mais as resposta do Zusak. Virei mais fã dele, ainda!
    Ainda não li A garota que eu quero, mas já está entre os meus desejados!

  4. UAU! O próximo best-seller pode ter nascido à partir de uma ideia de um leitor brasileiro.

  5. A última pergunta e consequentemente sua resposta, foi genial, me fez querer este conto… Se ele escrevesse eu seria a pessoa mais feliz, com toda certeza…

  6. Gostei demais das perguntas e das resposta. E a última foi muito boa! Também fiquei super interessada em saber qual a mensagem que o Ed teria pra a Lisel. Parabéns aos autores das perguntas =)

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