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Paradise Lost: série documenta o drama de Damien Echols

21 / maio / 2013

Comecei a receber cartas e cartões diariamente de pessoas de todo o país que viram o filme Paradise Lost e ficaram horrorizadas. O sentimento predominante era: “Eles poderiam ter feito isso comigo!” Para calcular o impacto que isso teve em mim, é preciso entender que, até aquele momento, eu não havia encontrado solidariedade nem empatia em ninguém. Para onde quer que me virasse, só encontrava desdém, desprezo e ódio. O mundo inteiro desejava que eu morresse. É impossível ter esperança diante de tal oposição. De repente, eu estava recebendo cartas de pessoas que diziam: “Lamento o que fizeram com você. Gostaria de poder fazer algo para ajudar.”
Damien Echols em Vida após a morte 

Aos dezoito anos, Damien Echols foi apontado como líder de um grupo satanista e principal responsável pelo assassinato de três garotos de oito anos em West Memphis, Arkansas. Enquanto seus amigos Jason Baldwin e Jessie Misskelley foram condenados à prisão perpétua em um julgamento marcado por falsos testemunhos, provas manipuladas e histeria pública, Damien foi enviado ao Corredor da Morte, onde deveria aguardar sua execução.

As irregularidades gritantes no desenrolar do processo, bem como a apatia dos advogados de defesa, chegaram ao conhecimento do público por meio do documentário Paradise Lost: The Child Murders at Robin Hood Hills, lançado em 1996. Desde então o caso conquistou repercussão mundial e angariou simpatizantes célebres como o ator Johnny Depp e o músico Eddie Vedder, que se empenharam vigorosamente para que a justiça fosse feita. Graças a esse esforço, o trio de West Memphis foi enfim libertado em 2011.

No livro Vida após a morte, recém-lançado pela Intrínseca, Damien Echols conta que, no dia seguinte à coletiva de imprensa da polícia de West Memphis para anunciar que haviam capturado os supostos criminosos, uma executiva da HBO leu um artigo no New York Times e o compartilhou com dois cineastas, Joe Berlinger e Bruce Sinofsky. A manchete, “Três jovens do Arkansas detidos pela morte de três crianças de oito anos”, tinha potencial para se tornar um filme provocador e picante sobre satanismo, sacrifício humano e devassidão de proporções góticas. Imediatamente, Joe e Bruce levaram uma equipe filmagem para a cidade e começaram a entrevistar os moradores, os pais das vítimas, além de amigos, conhecidos e parentes dos jovens incriminados. O que começou a emergir foi um quadro muito diferente das circunstâncias conhecidas. Depois de falar com a população local, a dupla reconheceu que Damien Echols, Jason Baldwin e Jessie Misskelley estavam sendo levados a julgamento injustamente.

Paradise Lost: The Child Murders at Robin Hood Hills, lançado em Sundance e em outros festivais em 1996 e exibido em vários cinemas pequenos, ganhou duas sequências: Paradise Lost 2: Revelations, de 2000, que trouxe uma nova luz sobre o caso, e Paradise Lost 3: Purgatory, de 2011, indicado ao Oscar em 2012 – este último traz um panorama  geral do que se passou desde a condenação e é considerado o mais impactante por apresentar as provas da inocência do trio de West Memphis e manifestações de apoio da população.

Leia também:
Vida após a morte: a batalha de Damien Echols por justica

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Comentários

Uma resposta para “Paradise Lost: série documenta o drama de Damien Echols

  1. ACHO ITRIGANTE FICAR NUMA PENETECIRIA ANOS POR UM DELITO NAO COMETIDO,E O MAIS EMBARAÇOSO è PERDER ANOS DE VIDA TRANCAFIADO.Damien Echols é UM EXEMPLO DE PACIÊNCIA E CONTROLE EMOCIONAL.

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