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Argo: como um filme falso chegou ao Oscar

21 / março / 2013

Nascido em uma cidadezinha pobre e empoierada, Antonio Mendez sempre foi fascinado por cinema. Em Argo, o ex-agente da CIA conta que, durante a infância, costumava passar as tardes no Cine Rex enquanto se perguntava se viveria, um dia, aventuras como as que via na tela.

Quem já assistiu à versão de Argo dirigida e protagonizada por Ben Affleck — produção que recebeu alguns dos prêmios mais importantes neste ano, como o Oscar e o Globo de Ouro de melhor filme — sabe que Antonio Mendez viveu sim uma história digna de Hollywood. Em 1979, ele comandou uma ousada operação para resgatar um grupo de seis diplomatas norte-americanos durante a Revolução Irãniana. Para retirá-los do país, Mendez se tornou o gerente de produção de Argo, um falso filme de ficção científica em busca de locações no Oriente Médio.

Antonio Mendez e Ben Affleck, por Scott McDermott para a Entertainment Weekly.

Para convencer as autoridades locais, Antonio Mendez precisava de um projeto completo. No livro que escreveu em parceria com Matt Baglio, ele detalha toda a concepção do álibi criado para que pudesse se infiltrar no Irã e sair de lá acompanhado dos reféns. Com ajuda de amigos em Hollywood, fundou o Estúdio Seis Produções — referência clara aos seis prisioneiros —, nos escritórios em que Michael Douglas havia acabado de produzir Síndrome da China.

Além de um estúdio, era preciso um roteiro. O escolhido foi Lord of Light (O senhor da luz), um projeto verdadeiro que fora cancelado quando um membro da produção foi preso por desfalques. No entanto, a pré-produção já estava iniciada, contava até com storyboards de Jack Kirby, premiado desenhista de histórias em quadrinhos, cocriador de ícones como Capitão América, Thor e Os vingadores.

Jack Kirby

Uma espécie de space opera, a história se desenrolava em um planeta colonizado onde os homens virariam deuses hindus. Por motivos operacionais, Antonio Mendez acreditava que quanto mais confuso fosse o roteiro, melhor. “Se alguém nos interpelasse, seria muito fácil, para nós, deixá-los atrapalhados com um confuso jargão conceitual. Além disso, eu poderia acrescentar esboços ao portfólio, junto com o script, o que daria à nossa produção mais uma camada de autenticidade”, completa.

Com uma história e sua identidade visual em mãos, só faltava à equipe um nome para o filme. Em busca de algo chamativo e que remetesse à mitologia oriental, escolheram Argo, o nome do navio em que Jasão e os argonautas navegaram para resgatar o velocino de ouro.

Leia um trecho de Argo, não ficção de Antonio Mendez e Matt Baglio.

Confira alguns dos storyboards de Argo assinados por Jack Kirby:

 

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