Relatos do Inferno

#2 A glamorização da mão de obra feminina: Rosie, a rebitadeira, e Wendy, a soldadora

27 / dezembro / 2012

Entre 1939 e 1945, mais de setenta milhões de pessoas morreram em consequência do maior conflito da Terra. Em Inferno, Max Hastings — um dos maiores historiadores militares do mundo, agraciado com o título de Cavaleiro da Ordem do Império Britânico pelo conjunto de sua obra e vencedor do Pritzker Military Library Literature Award —, reúne o testemunho de pessoas comuns que vivenciaram, direta e indiretamente, a Segunda Guerra Mundial.

O que viram as testemunhas de batalhas, ataques aéreos, massacres e afundamentos de navios? Por quais provações, medos e incertezas passaram civis, soldados e militares de alto escalão? Nesta nova seção do blog, Relatos do Inferno, destacaremos algumas das histórias narradas por Hastings, testemunhos capazes de revelar ao leitor do século XXI como foi viver, lutar e morrer em um mundo em guerra.

#2 A glamorização da mão de obra feminina: Rosie, a rebitadeira, e Wendy, a soldadora

“Rosie, a rebitadeira, que se tornou ícone do feminismo americano, era Rose Will Monroe, de 22 anos, natural do condado de Pulaski, em Kentucky. Como milhões de americanas, ela foi realocada para contribuir com o esforço de guerra — em seu caso, para as linhas de montagem de B-24 e B-29 em Willow Run, em Ypsilanti, Michigan. Ela foi transformada em estrela de um filme de propaganda, e, em maio de 1943, Norman Rockwell produziu uma famosa pintura de Rosie, a rebitadeira, publicada como capa da revista Saturday Evening Post, embora sua modelo tenha sido uma telefonista de Arlington, Virginia. Em 1944, vinte milhões de americanas trabalhavam, um aumento de 57% em relação a 1940. O progresso dos direitos civis da população negra nos Estados Unidos, apesar de extremamente vagaroso, foi acentuado, de forma significativa, pelo recrutamento de afro-americanas pelas fábricas, servindo ao lado de mulheres brancas. Todas as operárias, porém, recebiam salários muito menores, numa média 31,50 dólares por semana, enquanto os homens ganhavam 54,65 dólares. Muitas foram empregadas em estaleiros, o que originou outra personagem de propaganda, Wendy, a soldadora, inspirada em Janet Doyle, do estaleiro Liberty, da Kaiser, em Richmond, Califórnia.

Mulheres rebitadeiras em um estaleiro americano em 1942/ Crédito: Corbis

Outra “Rosie” que despertou muita publicidade foi Shirley Karp Dick, que recebeu seis dólares para posar para fotos, a mais famosa das quais a mostra pisoteando o Mein Kampf de Hitler. O Canadá seguiu o mesmo caminho, promovendo “Ronnie, a garota das metralhadoras Bren”.

Wendy Richmond

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