Bastidores

Souvenirs do Inferno

23 / novembro / 2012

Editora de Não Ficção da Intrínseca, Livia de Almeida esteve em Londres após o fechamento de Inferno: o mundo em guerra 1939-1945, que traça um vasto painel da Segunda Guerra Mundial. Diante de registros do período histórico relatado no livro, ela não se conteve em dividir sua experiência com os colegas da editora que também participaram do processo de publicação. Às vésperas do lançamento, para dar continuidade à corrente, nós do Blog da Intrínseca decidimos compartilhar o texto e as imagens dessa visita para vocês sentirem um pouco do que vem pela frente na obra monumental de Max Hastings.

Oi queridos,

Muitas lembranças de Inferno. Afinal, neste domingo, dia 11 de novembro é Remembrance Day, ocasião em que se homenageiam os veteranos de guerra e se lembram os mortos. Por isso, nossa história está presente a cada esquina, nas lapelas enfeitadas com papoulas (há uma poesia de um soldado da I Guerra que fala das vidas que se perderam nos campos de papoulas de Flandres, daí a flor virou um símbolo) e em canteiros com papoulinhas lembrando os caídos. A primeira foto que estou mandando é de um deles que homenageia os mortos do Comando de Caça, os rapazes que enfrentavam os aviões alemães durante a blitz. Saca só o número. Não consegui tirar uma foto decente do canteiro da RAF. Era tão grande que eu acabei cortando a cruz. Como contava nosso autor, pertencer à força aérea aumentava MUITO a chance de virar papoula. Foto 1

Hoje fui no Churchill War Rooms, cenário mencionado à exaustão no livro: o bunker subterrâneo onde ocorriam as operações. Bicho, ele era protegido, mas non troppo. Rolou uma mão de Deus. Quando cheguei na sala de controle, onde fica a cadeira do homem, ela estava tomada por um grupo de VETERANOS cheios de medalhas. De uniforme. Fiquei até emocionada. Vejam na foto 2. O sujeito de terno segura na cadeira usada por Churchill. A sala dos mapas era o centro nervoso daquela confusão toda. No dia 16 de agosto de 1945, o povo desligou a luz, fechou a porta e deixou tudo como estava. É meio impressionante. Um sujeito chegou a fazer uma caricatura do Hitler numa parede. A vida devia ser um tédio. Todo mundo fumava, não havia janelas, óbvio, não havia ventilação, e pior de tudo, não havia BANHEIROS COM ÁGUA CORRENTE. Ou seja, o cheiro devia ser insuportável. Na cabeceira de Winston tem um charuto de prontidão. Vejam a foto 3.

No domingo, fui ao Imperial War Museum, onde nosso autor fez suas pesquisas. Tem uma imensa biblioteca e arquivos power. Para o turista casual, como eu, o que impressiona são os armamentos em exposição no saguão como o Stuka nazista, os tanques Tigre e Sherman. Tem até bombas lançadas sobre a cidade e não detonadas. Mas o que mais me encantou foi o decodificador Enigma, usado para hackear as comunicações dos nazistas. Fotos 4, 5, 6 e 7. (Tem um depoimento de um oficial que diz que as comunicações Ultra — aquelas decodificadas — não ganharam a guerra, mas a guerra não teria sido ganha sem Ultra).

Saí desse museu muito passada. A exposição sobre o holocausto é devastadora. Bom, e aí está o homem, Winston Churchill, com um ar atormentadíssimo, diante do Parlamento. É a foto 8. E, para encerrar, esbarrei com o monumento aos mortos das duas guerras, onde acontecerão comemorações de domingo, dia do armistício. Estarei aqui para ver. Às 11h do dia 11 de novembro, todo mundo vai fazer dois minutos de silêncio.

Pode parecer esquisito, mas lembrei de Inferno e pensei em vocês. Espero não ter abarrotado as caixas postais.
Beijos para todos,
Livia de Almeida

 

Resultado de 35 anos de pesquisa do jornalista Max Hastings, Inferno: o mundo em guerra 1939-1945o traça um vasto painel da Segunda Guerra Mundial em todas as linhas de frente, com enfoque na experiência humana. O testemunho de pessoas comuns, documentado em cartas, diários e memórias, ajuda o autor a ir além da mera narrativa de uma sequência de eventos e a revelar ao leitor do século XXI como foi viver, lutar e morrer em um mundo em guerra.

MAX HASTINGS é um dos maiores historiadores militares do mundo, com mais de vinte livros publicados. Como jornalista, participou da cobertura de onze conflitos em lugares como o Vietnã e as ilhas Falklands e foi editor dos jornais Daily Telegraph e Evening Standard. Pelo conjunto de sua obra, ele foi agraciado em 2002 com o título de Cavaleiro da Ordem do Império Britânico. Atualmente, vive em West Berkshire, na Inglaterra, com sua mulher, Penny.

Tags , , .

Leia mais Bastidores

Leitura de avião

Leitura de avião

<em>E-BOOKS</em>” DA INTRÍNSECA

E-BOOKS” DA INTRÍNSECA

As novidades quentíssimas que você encontrará em “Livre”

As novidades quentíssimas que você encontrará em “Livre”

Como a saga Crepúsculo marcou a minha vida

Como a saga Crepúsculo marcou a minha vida

Comentários

2 Respostas para “Souvenirs do Inferno

  1. Lívia, o ENYGMA não “hackeava” as comunicações dos nazistas porque o ENYGMA era uma máquina inventada e usada pelos nazistas durante a guerra (e antes dela também)… acho que vc quis dizer que o ULTRA foi uma espécie de computador primitivo que foi usado para decifrar algumas transmissões dos nazistas…

  2. Oi Augusto,
    O Enigma era o aparelho de criptografia usado nas comunicações alemãs ainda antes da guerra. Por uma das reviravoltas da vida, caiu nas mãos dos ingleses. O que eu quis dizer na verdade, ali no calor dos acontecimentos, é que, ao obter o brinquedinho, os decodificadores ingleses tiveram a oportunidade de entender como ele funcionava e, a partir daí, decifrar as comunicações do inimigo. No livro, o Max Hastings chama todas as mensagens decifradas do Eixo como “Ultra”, embora os americanos as chamassem de “Magic”. A turma de Bletchley Park, que incluía o Alan Turing, pai da computação, usava um equipamento primitivo para trabalhar chamado de “The Bombe”.
    Quando eu falei em “hackear” eu estava me referindo ao fato dos decodificadores britânicos terem tido a oportunidade de conhecer máquina dos alemães e a virado ao avesso para saber como funcionava. E daí terem sucesso em efetivamente “roubar” os dados do inimigo. É mais uma figura de linguagem… E uma baita façanha tecnológica.

    Acho que é mais ou menos isso. O especialista é o Max Hastings, que é incrível. Eu fui apenas uma turista interessada e emocionada pela leitura do livro. 🙂

    Bjs
    Livia

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *