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O beijo do Führer

1 / junho / 2012

Ao recordar sua primeira impressão de Hitler, Putzi Hanfstaengl escreveu: “Ele parecia um cabeleireiro de subúrbio em dia de folga.” Filho de mãe americana e formado em Harvard, Hanfstaengl era conhecido por tocar piano, tarde da noite, para acalmar os nervos do ditador. Mas, como a música — que chegava a arrancar lágrimas do Führer — não parecia suficiente, Putzi teve uma ideia: Hitler poderia se tornar um líder mais razoável se estivesse apaixonado.

Não era nada fácil encontrar uma mulher para Hitler, que dispunha de um longo histórico de relacionamentos estranhos, marcados por tragédias e rumores sobre seu comportamento indecoroso. Suas ligações com mulheres muito mais jovens incluíram sua sobrinha Geli Raubal, que foi encontrada morta no apartamento do ditador. No entanto, o chefe da imprensa nazista julgava ter encontrado a mulher perfeita. Ela era Martha Dodd, a encantadora filha do então embaixador norte-americano em Berlim, William E. Dodd.

Para Martha, a ideia de ser escolhida como a mulher capaz de mudar o destino da Europa soava como uma deliciosa travessura. Desde que chegara ao país com a família, em 1933, a jovem divorciada encantara-se com os alemães. E, nos anos seguintes, conquistou muitos homens poderosos. Por seus braços passaram príncipes alemães, diplomatas franceses e figurões do Partido Nazista, como o primeiro chefe da Gestapo, Rudolf Diels, um agente da NKVD, a futura KGB, além de correspondentes e escritores americanos, como Thomas Wolfe.

No encontro, o Führer tomou a mão de Martha e a beijou. Vendo-o de perto, ela o descreveu em seu livro de memórias como tendo um rosto “fraco e mole, com bolsas sob os olhos, lábios grossos e quase nenhuma estrutura óssea facial”. Mas completou: “Os olhos de Hitler eram surpreendentes e inesquecíveis — de uma cor azul pálida, intensos, firmes e hipnóticos.” Mas esse encontro, bem como o ambicioso plano de Putzi, fracassaram.

Em No jardim das feras, o jornalista e escritor Erik Larson reconstitui a ascensão de Hitler sob a singular perspectiva de Martha e William E. Dodd. Com base em registros oficiais alemães e das embaixadas americana e soviética, além de cartas, diários e entrevistas, Larson retrata histórias curiosas — como o desse plano inusitado — e revela tudo aquilo que a família Dodd e milhões de alemães vivenciaram até que o restante do mundo entendesse, tarde demais, o que Hitler estava tramando.

Leia o primeiro capítulo de No jardim das feras.

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