Notícias

Fora da guerra: Sebastian Junger não cobrirá novos conflitos

14 / junho / 2011

Sebastian Junger e Tim Hetherington, no Afeganistão.

 

O jornalista Sebastian Junger, autor de Guerra e codiretor de Restrepo, não mais cobrirá a linha de frente de conflitos. De acordo com entrevista publicada pelo jornal Los Angeles Times, Junger tomou essa decisão após a morte de Tim Hetherington, seu amigo e fotojornalista que o acompanhou ao Afeganistão para as filmagens de Restrepo, ocorrida em abril, na Líbia, durante a cobertura dos combates entre as tropas de Muammar Kadafi e oposicionistas.

 

“A morte de Tim fez com que a cobertura de guerra se revelasse um esforço egoísta”, disse Junger que, casado há seis anos, pretende ter filhos em breve. No entanto, a despeito de sua decisão de afastar-se do front, Junger acredita que a guerra, com sua violência e sua inerente luta pela sobrevivência, para além do interesse jornalístico, constitui uma das narrativas mais fortes, importantes e cativantes do imaginário humano. “Isso é o cérebro masculino, isso é a sociedade humana em vários sentidos”, diz o autor.

 

Com uma prosa vigorosa e nervosa, em Guerra prevalece o aspecto humano e os sentimentos catalisados pelo conflito: o medo, a honra e a confiança desenvolvida entre os soldados. Não à toa, o relato tem sido comparado pela crítica às obras cânones do jornalismo literário, como Despachos do Front, de Michael Herr — retratando a guerra do Vietnã —, e às reflexões de Ernest Hemingway e George Orwell a respeito da Primeira Guerra Mundial e da Guerra Civil Espanhola.

 

Sobre Tim Hetherington, Junger afirma ainda que foi o amigo quem “abriu seus olhos” para a complexidade da experiência visual. Assim, quando organizava o material para o livro, o parâmetro adotado foi a possível forma que Tim usaria para ordenar as informações, de maneira não linear, porém com estruturas mais profundas, capazes de refletir a experiência humana. Empregando esse conceito, o autor separou Guerra em três partes: “Medo”, que aborda as emoções primárias e toda a fragilidade que sobressaem do conflito; “Matança”, que descreve as táticas militares, o jogo político a da sedução da alta tecnologia bélica; e, a terceira e última parte, “Amor”, que explora as relações de afeto e lealdade desenvolvidas entre os soldados, que vão muito além de qualquer ideologia.

 

Durante quinze meses, Sebastian Junger e Tim Hetherington conviveram com um pelotão de infantaria do exército dos Estados Unidos, baseado no vale Korengal, uma remota área do leste do Afeganistão. Das cinco viagens à região, feitas entre junho de 2007 e junho de 2008 resultaram o documentário Restrepo (codirigido por Hetherington), vencedor do Grand Jury Prize do festival de Sundance e indicado ao Oscar de melhor documentário de 2010, e o livro Guerra de Junger, publicado pela Intrínseca em junho.

 

Fonte: Los Angeles Times

 

 

Tags , , , .

Leia mais Notícias

Debate sobre literatura policial

Debate sobre literatura policial

Ed Harris será John McCain na adaptação da HBO de “Game Change”

Ed Harris será John McCain na adaptação da HBO de “Game Change”

Humanos e máquinas estão em guerra em Descender, novo quadrinho de Jeff Lemire

Humanos e máquinas estão em guerra em Descender, novo quadrinho de Jeff Lemire

Confira as fotos da sessão de autógrafos com Míriam Leitão na Bienal do Livro Rio

Confira as fotos da sessão de autógrafos com Míriam Leitão na Bienal do Livro Rio

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *