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Homenagem de John Green, autor de “A culpa é das estrelas”, ao Dia da Esther


Pediram que todos fizessem uma careta, mas eu não recebi o comunicado.

Esther Earl faria 18 anos hoje, uma adulta de verdade. Sinto falta dela.

É muito fácil transformar os mortos em Lições para os Vivos — dizer que a Esther me ensinou a Viver a Vida ou a Ser Grato ou a Reconhecer o Valor da Beleza. Mas, sinceramente, pelo menos na minha opinião, qualquer uma das lições aprendidas com a morte dela poderia ter sido aprendida de alguma outra forma, de um jeito mais fácil. Acho que o universo como um todo estaria melhor se ela ainda estivesse fazendo vídeos.

Fico muito feliz por ter conhecido a Esther, por ela ter sido uma nerdfighter e pelo fato de, através da família dela e da organização This Star Wont Go Out, nós ainda podermos tentar acabar com o que há de ruim no mundo com a ajuda dela. Mas, ao mesmo tempo, fico muito chateado por ela ter morrido.

Ela era jovem, tinha um senso de humor adolescente autêntico, era engraçada, empática, loucamente apaixonada por seus amigos e familiares e uma escritora muito talentosa. É difícil achar uma explicação para isso, mas nunca gostei tanto de uma adolescente — pelo menos não desde a época em que eu eraum adolescente. Ela era realmente legal, na melhor acepção da palavra. Ela nunca fez com que eu me sentisse pouco à vontade. Ouvia o que eu tinha a dizer e conversava comigo com toda a sua atenção, e também dizia, sem cerimônia, que eu só falava merda.

(No dia em que essa foto foi tirada, não consegui fazer muito bem o meu papel de Adulto e chorei à beça. Em determinado momento, a Esther falava da sua relação complicada com a ideia de paraíso, e eu respondi que havia inúmeras formas de imaginar uma vida infinita após a morte, algumas delas nem necessariamente tão sobrenaturais assim, e ela simplesmente me lançou um olhar de esguelha que queria dizer: “Você precisa aprender o significado da palavra infinito.” Ela estava certa, é claro. Naquela noite, de volta ao hotel, escrevi a frase O consolo superficial não é um consolo verdadeiro, que aparece emA culpa é das estrelas.)

Os quase dois anos desde a morte da Esther complicaram meu relacionamento com ela porque agora, obviamente, não há só o tempo, mas também um livro, entre nós: eu nunca teria escrito A culpa é das estrelas se não tivesse conhecido a Esther. Cada palavra desse livro está condicionada a ela.

Mas, ao mesmo tempo, eu não quero que as pessoas associem a Esther e à Hazel (elas são muito diferentes), e é extremamente importante, para mim, afirmar que não estou contando a história da Esther. A história da Esther pertence à Esther e à família dela, e eles a contarão de uma forma linda e genial.

Quando eu estava trabalhando na divulgação do livro, vários jornalistas queriam que eu falasse da Esther, porque atualmente os livros “baseados numa história real” vendem muito mais do que aqueles que são só ficção mesmo. Na verdade, eu nunca soube como lidar com essas perguntas, e ainda não sei, porque a verdade (como sempre) é complicada: a Esther inspirou a história porque eu fiquei muito zangado depois da morte dela, e escrevi sem parar, com uma concentração e uma paixão que não experimentava desde que reescrevi Quem é você, Alasca? , em 2003. E a Esther me ajudou a ver que os adolescentes eram pessoas mais empáticas do que eu achava. O charme e o sarcasmo dela foram a inspiração do livro, e também a sua ideia de incluir em seu Desejo um autor de quem ela gostava. Mas a história também foi inspirada por muitas outras pessoas: meu filho, minha mulher, as crianças que conheci e amava e que morreram no hospital pediátrico quando eu estudava para ser capelão, meus pais (meu pai é um sobrevivente do câncer) etc.

Eu gostaria que ela tivesse lido A culpa é das estrelas. Imagino que teria achado o livro um pouco improvável, mas espero que ainda assim teria gostado dele. Só que nunca saberei. Estou impressionado com o fato de o livro ter alcançado um público tão amplo, mas a pessoa que eu mais quero que o leia nunca o lerá.

A Esther virou uma heroína na nossa comunidade, e a narrativa heroica nem sempre se alinha perfeitamente com a pessoa que ela era. (As narrativas heroicas nunca fazem isso.) Mas essa parte é verdadeira, pelo menos o que conheci dela: Ela era generosa, amorosa e cheia de graça — este, afinal de contas, era um de seus sobrenomes: Grace.

E, além isso, ela sabia fazer careta na hora certa.

Quando contei à Esther que nós queríamos comemorar o aniversário dela enquanto ainda houvesse vídeos feitos pelos vlogbrothers, e que os vídeos nesse dia poderiam ser sobre qualquer assunto que ela quisesse, ela demorou algumas semanas para me dar uma resposta. Por fim, queria que fosse um dia que celebrasse o amor em família e entre amigos. Eu vejo o Dia da Esther como um tipo de Dia dos Namorados para todos os outros tipos de amor.

Essa ideia foi brilhante, Esther. Obrigado pelo Dia da Esther. Obrigado por me ajudar a dizer à minha família e aos meus amigos o que eu ainda espero poder dizer para você, mesmo daqui deste mundo que nos separa: eu te amo.

(Você pode contribuir com This Star Won’t Go Out, a organização fundada em memória da Esther que dá auxílio às famílias de crianças com câncer, diretamente aqui ou comprando uma pulseira TSWGO.)

Texto traduzido do Tumblr do John Green.

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Uma resposta a Homenagem de John Green, autor de “A culpa é das estrelas”, ao Dia da Esther

  1. UMA GRANDE INSPIRAÇÃO PARA UM GRANDE LIVRO UMA PERFEITA HISTORIA DE AMOR SOFRIMENTO E UMA COISA INEXPLICAVEL EU AMEI

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