"Houve um estranho ruído abafado de algo se rasgando no meio de seu corpo.
- Ah! - ela ofegou.
Depois ficou completamente sem forças, tombando na direção do chão.
Meio segundo depois, Bella gritou.
Não era um simples grito - era um guincho de agonia, capaz de gelar o sangue. O som apavorante foi interrompido por outros, guturais, e os olhos dela se reviraram. Seu corpo se contraiu, arqueando-se nos braços de Rosalie, e então Bella vomitou um jorro de sangue.
O corpo de Bella, por onde escorria o líquido vermelho, começou a se contorcer, convulsionando nos braços de Rosalie como se estivesse sendo eletrocutado. O tempo todo, seu rosto não tinha expressão - ela estava inconsciente. Era a agitação desvairada no meio de seu corpo que a movimentava. Enquanto ela estava em convulsão, estalos ásperos acompanhavam os espasmos.
(...)No meio disso tudo, Bella voltou a si. Ela reagiu às palavras deles com um grito que arranhou meus tímpanos.
- TIREM ele! - gritou ela. - Ele não consegue RESPIRAR! Tirem AGORA!
Vi os pontos vermelhos aparecendo quando seu grito revelou os vasos sanguíneos
de seus olhos.
- A morfina... - grunhiu Edward.
- NÃO! AGORA...!
Mais uma golfada de sangue sufocou o que ela gritava. Ele ergueu a cabeça dela, tentando desesperadamente limpar sua boca para que ela voltasse a respirar.
- Deixe a morfina se espalhar! - gritou Edward para ela.
- Não há tempo - sibilou Rosalie. - Ele está morrendo!
Sua mão desceu à barriga de Bella e um vermelho vivo brotou onde ela perfurou a pele. Era como o conteúdo de um balde derramado, uma torneira totalmente aberta. Bella teve um espasmo, mas não gritou. Ela ainda estava asfixiando.
E, então, Rosalie perdeu o foco. Vi a expressão em seu rosto mudar, vi seus lábios se arreganharem sobre os dentes e os olhos negros cintilarem de sede.
(...)Eu me atirei contra Rosalie, saltando a mesa sem me dar ao trabalho de mudar de forma. Quando atingi seu corpo de pedra, lançando-a na direção da porta, senti o bisturi em sua mão cravar fundo no meu braço esquerdo. Minha mão direita se chocou contra seu rosto, prendendo-lhe o queixo e bloqueando as vias áreas.
(...) Outro estalo dentro do corpo, o mais alto até então - tão alto, que nós dois paramos atônitos, esperando pelo grito dela. Nada. Agora suas pernas, que estiveram contraídas com a agonia, estavam flácidas, esparramando-se de uma forma não natural.
- A coluna - ele balbuciou, horrorizado.
- Tire isso dela! - rosnei, jogando o bisturi para ele. - Ela não vai sentir nada agora!
E então me curvei sobre sua cabeça. A boca parecia desobstruída; então apertei a minha contra a dela e soprei uma lufada de ar. Senti seu corpo contraído se expandir, então não havia nada bloqueando-lhe a garganta.
Olhei naquela direção e vi o rosto de Edward comprimido contra a protuberância da barriga. Dentes de vampiro - uma forma segura de cortar pele de vampiro.
Estremeci enquanto soprava mais ar em Bella.
Ela tossiu, os olhos piscando, revirando-se cegamente nas órbitas.
- Agora fique comigo, Bella! - gritei para ela. - Está me ouvindo? Fique! Você não vai me deixar. Mantenha seu coração batendo!
Seus olhos giraram, procurando por mim, ou por ele, sem nada ver (...). E então seu corpo ficou subitamente imóvel sob minhas mãos, embora a respiração se acelerasse e o coração continuasse a bater. Percebi que a imobilidade indicava que tinha acabado. A pulsação interna parou. Aquilo devia estar fora dela."









