Assista ao trailer de Antes que eu vá, filme que estreia 2017

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Sexta-feira, 12 de fevereiro, é o último dia de vida de Samantha Kingston, uma garota que até então tinha tudo: o namorado mais cobiçado do colégio, três amigas fantásticas e uma vida privilegiada. Mas ela recebe uma segunda chance. Sete “segundas chances”, na verdade. E, ao reviver o mesmo dia vezes seguidas, Samantha descobre, enfim, o verdadeiro valor de tudo o que está prestes a perder. 

Este é o mote de Antes que eu vá, romance de Lauren Oliver (autora também da série Delírio) que está sendo adaptado para os cinemas. Dirigido por Ry Russo-Young, o filme tem estreia prevista para 3 de março de 2017 nos Estados Unidos e é estrelado por Zoey Deutch (Samantha Kingston), Halston Sage (Lindsay), Kian Lawley (Rob), Logan Miller (Kent), Cynthy Wu (Ally Harris), Elena Kampouris (Juliet Sykes) e Medalion Rahimi (Elody).

No romance publicado em 2011 pela Intrínseca, Lauren expõe as complexas relações que se formam dentro de uma escola, fugindo dos estereótipos habituais. Suas personagens, que inicialmente transparecem simplesmente egoísmo e superficialidade, são densas, guardam segredos e mágoas. Ao tentar mudar os acontecimentos do dia ao qual está presa, sua heroína se humaniza e, pela primeira vez, reflete sobre sua relação com as amigas, com a família, e sobre como seria o “último dia” que gostaria de viver.

Em breve, teremos mais novidades sobre a nova edição do romance!

Confira as fotos das filmagens:

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>> Leia um trecho de Antes que eu vá

Ganância em família

Por João Lourenço*

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“Todas as famílias felizes se parecem; cada família infeliz é infeliz à sua maneira.” Você não precisa ter lido Anna Karenina para saber disso. Antes mesmo de aprender a ler, eu ouvia minha avó dizer algo semelhante ao que escreveu Tolstói no século XIX. Com um sotaque italiano carregado, ela repetia que família só muda de sobrenome e endereço. A grana, livro de estreia de Cynthia D’Aprix Sweeney, confirma essa máxima: família é tudo igual — principalmente quando há dinheiro envolvido.

Em A grana, acompanhamos a saga dos Plumb, uma típica família de classe alta de Nova York. São quatro irmãos de meia-idade, que não convivem bem entre si, e uma mãe distante e excêntrica. A história tem início quando o primogênito, Leo, escapa embriagado de uma festa de casamento com uma jovem garçonete e acaba provocando um constrangedor acidente de carro — eventualidade que transformará drasticamente o destino de toda a família.

A única coisa que une os Plumb é a ânsia pela distribuição do “pé-de-meia”. Trata-se de um fundo de investimento criado pelo patriarca, Leonard, que só poderia ser entregue aos filhos quando Melody, a caçula, completasse 40 anos. O dinheiro, depois de ter rendido muito bem em um fundo de investimento, serviria para assegurar um futuro mais confortável para eles, no entanto, grande parte do montante acaba sendo gasto para remediar os problemas causados pelo acidente de Leo. E é claro que seus irmãos tinham outros planos.

Ignorando o conselho do pai (“nunca conte com o ovo no fiofó da galinha”), os filhos passaram anos acumulando dívidas e listando projetos para o dia em que recebessem sua fatia do “pé-de-meia”. Melody, esposa e mãe de gêmeas adolescentes, tem uma hipoteca cara e duas mensalidades universitárias se aproximando; Jack, dono de uma loja de antiguidades, escondeu do marido que a casa de verão foi usada como garantia de empréstimo para pagar dívidas; Beatrice é uma escritora em decadência que teve que devolver o adiantamento do seu livro após não cumprir os prazos da editora.

Depois do acidente, a trama acompanha Leo por uma Nova York fria e chuvosa em uma peculiar tentativa de acalmar o ânimo de seus irmãos. Há anos os quatro não passavam nem os feriados juntos e a questão da grana acaba os obrigando a se reencontrar.

A grana é recheado de cinismo, com personagens afiados em suas narrativas autodepreciativas, e atraiu a atenção de nomes como a comediante Amy Poller, da série de TV Parks and Recreations. Poller descreveu o livro como intoxicante: “Não consegui parar de ler e de me preocupar com essa família disfuncional.” O destaque cômico fica para a personagem Francie, a mãe dos Plumb, que parece ter saído de um reality show como The Real Housewives of New York. Francie é daquelas socialites de língua afiada, que fazem comentários nada corretos e passam o dia de quimono de seda, afogando as mágoas em taças de martíni.

A grana é dividido em capítulos curtos e Sweeney intercala a trama principal com pequenas histórias de personagens secundários. Entre as desventuras da família Plumb, a autora encaixa capítulos que funcionam como contos que poderiam ser lidos isoladamente. É como se ela convidasse o leitor a fazer pausas para respirar. O capítulo 11, por exemplo, é uma das histórias mais honestas e comoventes sobre as consequências dos atentados de 11 de Setembro que já li.

De modo geral, o livro é uma carta de amor a Nova York, onde a autora morou por mais de 20 anos. A experiência de Sweeney pode ser percebida em uma escrita que descreve fielmente o mood da cidade. Com uma gama impressionante de detalhes, ela nos transporta para parques, restaurantes, hotéis e bares conhecidos de Nova York. O livro é um prato cheio para quem já está habituado com as ruas e segredos da Big Apple e também para quem pretende um dia visitar a cidade. A autora vai além dos cartões-postais e aborda temas como fama, poder, gentrificação, segurança pública, rede de ensino, cultura de mídia e, claro, ganância.

Mãe de dois filhos e casada com o braço direito do apresentador de TV Conan O’Brien, Cynthia D’Aprix Sweeney, depois de mais de duas décadas em Nova York, foi para Los Angeles com a família e abandonou uma carreira sólida no mundo da publicidade para estudar escrita criativa. Na etapa final do curso, incentivada por um professor, ela transformou o conto que já vinha trabalhando havia meses em romance. Assim nasceu A grana.

O título foi adquirido por uma quantia milionária, fato cada vez mais raro entre romances de estreia. Vai virar filme e, de acordo com a Amazon e o The New York Times, foi um dos livros mais vendidos em 2016. Agora, Sweeney prepara o roteiro para a adaptação cinematográfica do livro, que já conta com Jill Solloway, da série de TV Transparent, como diretora e produtora do projeto.

 

João Lourenço é jornalista. Passou pela redação da FFWMAG, colaborou com a Harper’s Bazaar e com a ABD Conceitual, entre outras publicações estrangeiras de moda e design. Atualmente está em Nova York tentando escrever seu primeiro romance.

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