testeO lado romântico e surpreendente de Christian Grey

Por Nina Lopes*

Que Christian Grey é rico, charmoso e obsessivo por controle nós já sabemos. Mas o que descobrimos com o último lançamento de E L James, Mais escuro, é que Christian também tem um lado romântico e sensível muito presente. Conforme o relacionamento com Ana amadurece, seus pensamentos e desejos ficam cada vez mais apaixonados e (pasmem!) fofos.

Confira os trechos que mais aqueceram nossos corações:

“Ela é tão linda! Senti falta disso. Senti falta de tudo nela. A sensação de estar com ela é a de estar em casa. Ela é a minha casa. Ela é tudo.”

“Eu a pego nos braços, meus lábios nos dela, e a levo até o quarto. Deito-a na cama, e com cuidado e carinho infinitos, mostro a adoração e o amor que sinto, a importância que ela tem para mim. E como eu a amo.”

“É isto que eu adoro: cuidar dela.”

“Com duas simples palavras, Ana costura toda a minha alma. Estou exultante. Meu destino está em suas mãos, Ana. Aliás, está em suas mãos desde que a conheci.”

“É uma mulher e tanto. E eu a quero. Por inteiro. Seu corpo, seu coração, sua alma.”

“Ana está linda e elegante com um traje cinza quando entra na cozinha para tomar café. Sinto um aperto no peito. De amor. De orgulho. E de humildade. É um sentimento novo e excitante do qual espero nunca me cansar.”

“Você é tudo o que eu quero que você seja.”

“Sou dela. Quero lhe dar meu amor e minha confiança. Sou seu, Ana. O que você quiser.

“Foi isso que ela fez. Trouxe luz para a minha vida. Luz e amor.”

 

Com essa pequena amostra já dá para perceber que temos um novo Christian muito mais romântico e humano. No início da história ele mantinha uma postura de durão (que também tem seu charme, cá entre nós), mas assim seu outro lado não ficou tão evidente na versão contada por Ana. Só quando temos acesso aos seus pensamentos, sonhos e desejos íntimos (segura essa intimidade, Brasil!) depois que o casal retoma o relacionamento no segundo livro da série é que Grey aceita que foi dominado pelo amor e expõe, sem medo, seu lado sensível para os leitores de Mais escuro. Considero esse livro um presente de E L James!

 

*Nina Lopes é editora assistente no setor trade da Editora Intrínseca e é dessas que se apaixonam pelos personagens dos livros que lê.

testePor que Cinquenta Tons de Liberdade é o melhor filme da trilogia?

Por Nina Lopes*

Para alguns o ano só começou depois do Carnaval. Mas para mim só começou quando finalmente consegui reunir as amigas para ver Cinquenta Tons de Liberdade no cinema. Eu mal podia esperar para ver na telona o desfecho de uma história que comecei a acompanhar lá em 2012.

Então pegamos nossa pipoca e ocupamos uma fileira inteira da sala, bem organizadinhas para assistir à estreia do ano. No fim, todas nós saímos comentando a mesma coisa: esse foi o melhor filme da trilogia! Os motivos eu listo abaixo:

1- Uma história mais ágil

 

São muitos acontecimentos movimentando a trama final de Ana e Grey. Chegou a festa de casamento deles, Jack Hyde está de volta e dessa vez não vai deixar barato, vemos uma perseguição de carro, sequestro, ameaças, uma casa nova, Christian cantando, o uso da palavra de segurança (êpa!), uma notícia inesperada capaz de alterar o futuro do casal… Ufa, com tanta coisa não tem como não ficar atento do início ao fim.

 

2- Todas as roupas de Ana são lindas

 

Ana, querida, como você montou um guarda-roupa tão incrível? Certamente é tudo muito caro, afinal agora ela é a Sra. Grey, mas bem que eu queria o endereço das lojas onde ela faz compras. Para começar, temos o vestido de noiva delicado, clássico e todo rendado. Depois, na lua de mel, Ana desfila pela França com um vestido vermelho bafônico. Os looks formais de trabalho também são de fazer inveja em qualquer mulher antenada. Resumindo: arrasou, Ana!

 

3- Chegou a hora de derrotar os inimigos

 

Nada vem de graça nessa vida, nem o final feliz ao lado do Sr. Grey. Anastasia e Christian vão enfrentar vários desafios nesse filme, pois tem muita gente de olho na fortuna e nas conquistas deles (#chorarecalque). Além disso, ameaça pouca é bobagem, e Ana ainda precisa dar um chega para lá nas mulheres que ignoram a aliança no dedo esquerdo do seu marido.  

 

4- Ana se tornou uma mulher mais forte

 

Falando em dar um chega para lá, notamos claramente o amadurecimento de Ana e como ela passa a ter o controle de várias situações. Ela aprende a se colocar como Sra. Grey, se torna uma profissional reconhecida na editora em que trabalha e entende como a equilibrar a vida profissional e amorosa, reconhecendo a importância de encontrar tempo para o marido, a família e os amigos.

 

5- Vemos uma família sendo formada com muito amor

 

Não quero dar spoilers, então vou apenas dizer que as duas últimas cenas do filme são maravilhosas! Vemos uma Ana mais confiante, forte e sabendo usar sua voz dentro do relacionamento que construiu com o amor da sua vida. E a última cena não poderia ser em outro cenário que não no quarto vermelho, claro! Por fim, encerramos com um vislumbre do futuro lindo e promissor da família que se formou.

Vou sentir muitas saudades de Ana e Christian, mas fico feliz por ter feito parte do time de leitores/espectadores de um dos grandes romances dos últimos tempos. Apesar das polêmicas em torno de Cinquenta tons de cinza, é bom saber que histórias de amor ainda não saíram de moda.

*Nina Lopes é editora assistente no setor de ficção da Editora Intrínseca e é dessas que se apaixonam pelos personagens dos livros que lê.

testeAmigos, amigos, livros à parte

Por Nina Lopes*

Duas mulheres fortes, inteligentes, bem-sucedidas, felizes no casamento, amigas e confidentes a vida inteira. Nada como ter uma melhor amiga, certo? Errado. A amizade de Erika e Clementine não passa de uma ilusão. As duas não poderiam ser mais diferentes: uma é obsessivo-compulsiva, certinha e organizada. A outra é mãe de duas meninas, destemida e bagunceira.

Ainda na infância, a mãe de Clementine (uma pessoa que acredita piamente na importância de atos de bondade, afinal não poderíamos esperar coisa diferente de uma assistente social) incentiva a filha a fazer amizade com a menininha esquisita da escola, a que brincava sozinha com formigas no pátio, tinha cabelo oleoso e picadas de pulga na pele. Traduzindo: o fim da sua reputação escolar. E essa linda (só que não) amizade continua firme com o passar dos anos, até quando as duas já estão adultas e construindo a própria família.

Por falar em família, Clementine é mãe de duas meninas fofas, mas Erika não tem filhos. Na verdade, sempre disse que não queria ser mãe. Até que tudo mudou. Depois de passar por onze tentativas fracassadas de fertilização in vitro, sua única chance é encontrar uma doadora de óvulos. E nada mais óbvio do que pedir isso à sua melhor amiga da vida toda, certo? Opa, espera aí, amizades de fachada são fortes o suficiente para não se abalarem com um pedido polêmico desses? Com os ânimos alterados, um acidente acontece nesse mesmo dia, e a culpa de Clementine pode influenciar sua decisão e seu futuro.

Esse é o mote para Até que a culpa nos separe, novo livro de Liane Moriarty, autora do maravilhoso Pequenas grandes mentiras, que virou série na HBO com ninguém menos que Nicole Kidman e Reese Witherspoon. Nicole e Reese, ou melhor, Celeste e Madeline também são melhores amigas (mas juro que essa é uma amizade genuína). Inclusive, elas abraçam Jane, uma jovem mãe que chega sem conhecer ninguém na cidade e precisa lidar com a acusação de que seu filho está praticando bullying na escola. Juntas, elas ficam mais fortes para enfrentar escândalos familiares e a crescente tensão entre o grupo de mães do colégio. Esse clima pesado acaba causando a morte misteriosa e contraditória de um dos personagens principais. Afinal, as três amigas foram as responsáveis ou as vítimas?

Sentindo-se culpadas pelo desfecho trágico, descobrimos que mesmo sendo tão próximas, elas nem sempre foram totalmente sinceras e preferem contar pequenas mentiras em vez de encarar de frente as dolorosas verdades que cada uma carrega.

Olha aí a semelhança entre as amizades a princípio tão diferentes dos dois livros de Liane Moriarty!

Amigas por afinidade ou por comodidade, as mulheres, em geral, têm dificuldade de expor suas dores e alegrias, mas sempre se apoiam quando a situação complica e descobrem que juntas fica mais fácil enfrentar qualquer embate.

Relacionamentos fortes ou frágeis, duradouros ou recentes, de fachada ou genuínos: existem vários tipos de amizade e todos ajudam a colorir nossa vida de uma maneira única. Como diz a própria autora, amizades podem durar a vida inteira. As estatísticas são melhores do que para relacionamentos amorosos. Antes de um amor, tenha um amigo. Vale o investimento.

*Nina Lopes é editora assistente no setor de ficção da Editora Intrínseca e é dessas que se apaixonam pelos personagens dos livros que lê.

testeConhecendo Paris (e nós mesmos) com Jojo Moyes

Por Nina Lopes*

Tem cidade mais romântica do que Paris? Tem livro mais romântico do que um escrito pela autora-sensação-do-momento Jojo Moyes? Imagine então juntar as duas coisas? Não tem coração que não derreta.

Em três obras de Jojo, passamos por diferentes épocas e histórias de superação, no cenário onde todo mundo sonha em viver um caso de amor. Mas nem tudo são flores, nem mesmo em Paris. Nell, de Paris para um e outros contos, nosso mais novo lançamento da autora, também sonha em passar um fim de semana romântico na Cidade Luz, mas leva um bolo ainda na estação de trem e embarca sozinha e deprimida.

Mas, espera aí, quem foi que disse que não dá para comer croissant e beber champanhe sozinha? Dá, sim, senhor. E é isso que Nell faz. Ela deixa a dor de cotovelo de lado e resolve explorar a cidade que queria tanto conhecer. E mais do que tirar fotos nos pontos turísticos, ela acaba descobrindo coisas novas sobre si mesma, se revelando mais forte do que pensava.

No entanto, com Jojo, também é possível acompanhar o surgimento de histórias de amor em Paris, claro! É lá que Sophie (ai que nome francesinho) conhece Édouard, em A garota que você deixou para trás. Os dois se casam, mas não é nada fácil viver na França ocupada pelos alemães durante a Primeira Guerra Mundial, e o casal é separado pelas circunstâncias do conflito.

Por último, mas não menos importante, Louisa Clark, minha protagonista preferida de todos os tempos, vai para Paris recomeçar a vida e se redescobrir depois de enfrentar uma perda irreparável e aprender que é preciso respeitar os desejos dos outros. A cena de Emilia Clarke, que interpreta a personagem no filme Como eu era antes de você, sentada num café parisiense lendo aquela carta inesquecível de Will é uma das mais marcantes para mim. Mostra que é possível se abrir para novas possibilidades, cortar laços com o passado e perder o medo de arriscar, porém sem deixar a essência de lado (as meias de abelhinha representam isso).

Para as personagens de Jojo que passam por Paris, a cidade significa muito mais do que uma viagem romântica: marca a reviravolta do destino, a arte de se reinventar e não se acomodar. Com esses livros, aprendi que sair da zona de conforto é difícil, contudo se arriscar e se abrir às novas possibilidades pode ser ainda mais interessante.

A narrativa de Jojo é quase tão poética quanto a própria Paris, e só ela é capaz de mostrar um lado diferente da cidade: força, amadurecimento e independência superam o romantismo. Enquanto lia essas histórias, eu aprendi a ser desapegada como a Nell, a ser corajosa como a Louisa e sensível como a Sophie. Vamos ser destemidos, vamos em frente, quem sabe não acabamos em Paris?

*Nina Lopes é editora assistente no setor de ficção da Editora Intrínseca e é dessas que se apaixonam pelos personagens dos livros que lê.

testeCenas que me fizeram suspirar ou que me deixaram #chateada em Cinquenta tons mais escuros

Por Nina Lopes*

Como boa fã de Cinquenta tons de cinza, esperei ansiosamente pelo segundo filme. Portanto, assim que estreou, corri para marcar uma sessão de cinema com vários amigos. Chegando lá, pegamos nossa pipoca (afinal de contas, Grey gosta que a gente esteja sempre alimentada) e nos preparamos para curtir a sequência de uma das histórias de amor mais emblemáticas dos últimos tempos.

Confesso que adorei o filme, mas minha expectativa também era muito alta e fiquei um pouco frustrada com alguns detalhes. Não podia ser diferente, pois tudo o que envolve o Grey é polêmico, e a gente gosta mesmo de babado e confusão!

Segue abaixo uma pequena lista com os altos e baixos do filme, com base apenas na minha opinião. Aproveitem também para comentar e dizer o que amaram ou não no filme!

Cinquenta tons de alegria plena:

  1. A cena do pedido de casamento. Que cenário mais romântico! Minha deusa interior ficou boquiaberta.
  2. Christian Grey malhando. Não, não a cena que aparece no trailer. A que ele está no cavalo com alças. Multiplica, senhor!
  3. O embate de Anastasia com as inimigas: a ameaça de Leila, que dá um tom realmente assustador ao filme, e a cena em que Ana diz as verdades que Elena precisa ouvir.
  4. As revelações de Christian sobre seu passado. Adoro ver o lado sensível dele. Ai, assim meu coração não aguenta!

 

Cinquenta tons de esperava mais:

  1. Estou até agora me perguntando por que Christian Grey não conseguia tirar aquela calça jeans…
  2. As cenas de conflito duram muito pouco. No livro, os obstáculos que os dois precisam superar parecem muito mais desafiadores. Caprichem mais nas tretas, gente!
  3. A cena do sorvete de baunilha ficou de fora para a nossa tristeza.
  4. Os diálogos dos protagonistas no primeiro filme tinham mais comentários irônicos e bem-humorados. E nós amamos o lado sarcástico de Grey!

 

*Nina Lopes é editora assistente no setor de ficção da Editora Intrínseca e é dessas que se apaixonam pelos personagens dos livros que lê.

testeComo Cinquenta tons de cinza nos trouxe liberdade

Por Nina Lopes*

Cinquenta tons de cinza foi lançado em 2012. Em 2017, a adaptação cinematográfica do segundo livro da série acabou de chegar aos cinemas. Ou seja, cinco anos depois Grey continua com tudo. Porque, vamos combinar, ele é eterno, doa a quem doer. E para entender um pouco melhor sobre sua permanência nas listas de mais vendidos e a importância dessa obra é preciso voltar um pouco no tempo.

Vamos começar no Antigo Regime, que cobre um período entre os séculos XV até início do XVIII. Nessa época, os livros com conteúdo erótico não tinham permissão da Igreja e do Estado para serem publicados, portanto eram vendidos de forma clandestina. As poucas escritoras femininas preferiam o anonimato e o uso de pseudônimos para evitar o julgamento alheio e a perseguição que sofriam caso assumissem a autoria. Inclusive, elas eram consideradas incapazes de descrever cenas sensuais com a mesma precisão que os homens. Acreditavam que só eles entendiam do assunto e por isso eram os únicos aptos a escrever sobre o tema. Chocante, né?

Já no século XVIII, as mulheres tinham muito tempo livre em casa e gostavam de ler romances. Nesse momento, o gênero já sofria críticas por ser uma leitura de diversão. No século seguinte, o romantismo se expandiu com a chegada dos folhetins e passou a ser chamado de “literatura de massa”, atingindo as camadas populares. Mas nem tudo é fácil e a crítica não deixava barato, afinal de contas a elite intelectual não aceitava ter a mesma preferência literária que os emergentes.

A temática do sexo já fazia sucesso, mas esses livros eram chamados de “romances para homens”. Não era bem-visto que as mulheres lessem essas histórias, pois eram consideradas má influência. Mas elas não eram bobas e compravam escondidas ou liam o exemplar do marido enquanto ele não estava em casa. Contudo, era impensável assumir que gostavam desse gênero ou ler esses livros em público.

No século XX, a sexualidade foi incorporada pelo capitalismo para gerar lucro. E a mulher, nesse novo contexto, passou a ser vista como objeto sexual, sem voz ativa. Mas nem tudo estava perdido e no final do século conquistamos a libertação feminina, e a literatura erótica passou a ser majoritariamente produzida por mulheres. Porém, essa produção ficava confinada aos livros de bolso vendidos em bancas de jornal, nada de destaque nas vitrines das livrarias ou aposta nos catálogos das editoras. E foi só no século XXI que Cinquenta tons de cinza tirou a literatura erótica desse “esconderijo” e a colocou sob os holofotes.

Portanto, fica claro que o obsceno na literatura sempre foi condenado e repreendido. Além disso, a visão do homem era predominante. A produção feminina começou tarde e enfrentou desafios, e quem quebra paradigmas é sempre criticado. A crítica mantém sua postura, afinal não quer perder a autoridade intelectual. Mas já está na hora de entender que o público leitor é heterogêneo.

Foi com a coragem de autoras como E L James que conseguimos transgredir uma repressão que durou muito tempo, nos permitindo alcançar a liberdade que temos hoje. Cinquenta tons de cinza retrata o momento em que vivemos ao contar uma história romântica moderna, com as mulheres assumindo a autoria, as fantasias e lendo textos eróticos em público.

Acima de tudo, E L James decidiu contar uma história de amor. O problema é que o prazer e o amor são simples, e por isso mesmo desprezados. Mas não só no campo literário, como em outros aspectos da vida, o ato de espalhar o amor precisa ser mais valorizado. Então, que chorem as inimigas, que chorem os críticos, eu tenho muito orgulho de fazer parte da geração que dá voz às mulheres, que coloca uma escritora falando tão abertamente sobre amor e sexo no topo das listas de mais vendidos do mundo todo. Segue o show, Grey!

 

*Nina Lopes é editora assistente no setor de ficção da Editora Intrínseca e é dessas que se apaixonam pelos personagens dos livros que lê.

testeO livro que ganhou minha prateleira e meu coração

Por Nina Lopes*

Eu tenho dois tipos preferidos de história: as românticas, que afloram todo o amor que carrego, e as de suspense, que despertam o detetive que mora dentro de mim. Quando um livro é capaz de juntar as duas coisas, pronto, já vai para a minha prateleira de preferidos. E nessa prateleira não pode faltar A verdade sobre o caso Harry Quebert. O combo romance arrebatador com fim trágico, investigação policial, passado repleto de mistério e o processo de escrita de um autor só poderia se tornar um fenômeno mundial. E não é todo dia que um escritor jovem, formado em Direito, de um país pequeno como a Suíça, que escreve em francês, mas situa sua história nos Estados Unidos, consegue agradar a exigente crítica francesa e a do resto do mundo e também um público igualmente rigoroso.

Hoje em dia a dinâmica do leitor é outra. Não basta ser fã do livro, é preciso seguir os ídolos nas redes sociais. Como não sou boba, fui logo curtindo a página do Joël Dicker e ao longo desse tempo fui acompanhando sua rotina de divulgação do livro, suas viagens e as fotos do seu dia a dia. Até que no ano seguinte, como um bom autor de thriller, ele criou um suspense dizendo que ia anunciar uma novidade em alguns dias. Marcou, inclusive, data e horário com os fãs. Lá fui eu calcular o fuso horário, marcar a data na minha agenda e apertar F5 enquanto a página não atualizava. Depois da espera, da ansiedade e de várias suposições, Dicker anunciou que lançaria um novo livro. E mais: o personagem emblemático da história anterior, Marcus Goldman, voltaria.

E aí você se pergunta: como inovar trazendo o mesmo personagem outra vez em busca de uma história para contar? E o mais difícil: como superar um sucesso mundial? Mas Joël Dicker não foi tão aclamado à toa. A história do seu novo livro começa em 2004, com o chamado “dia do Drama” (Drama em caixa alta para ficar mais impactante, do jeito que a gente gosta), em que um dos primos de Marcus Goldman é condenado a cinco anos de prisão. Somos introduzidos ao passado do personagem, que cresceu feliz ao lado dos tios endinheirados, dos primos e de um grande amor de juventude, mas o destino de todos eles acabou marcado por uma tragédia inesperada.

As memórias dessa época voltam quando Marcus resolve passar uma temporada na Flórida e lá reencontra seu amor do passado. Não só a antiga paixão reacende, como também os ressentimentos e as peças soltas de um quebra-cabeça que ele nunca conseguiu montar. Enquanto tenta desvendar o mistério do que aconteceu com as pessoas que ele mais amava e decidir seu futuro, Marcus Goldman resolve escrever um romance sobre a sua família, mas com uma bela intenção por trás: a de perdoar e redimir aqueles que erraram e sofreram.

Dessa vez, Dicker escreveu um livro ainda mais inteligente e maduro e consolidou um estilo narrativo próprio, como todo grande escritor. Sua humanidade na hora de contar a história e sua sensibilidade na construção dos personagens são, para mim, o grande diferencial desse autor. Abordando temas presentes na vida de todos nós, como disputa de ego e poder, o peso da culpa, rivalidade na família e a desagradável responsabilidade de agradar os pais e ser bem-sucedido, O livro dos Baltimore certamente vai fazer sucesso com quem gostou de A verdade sobre o caso Harry Quebert, e também com quem não conhece a primeira obra, pois as duas funcionam de forma separada. Na realidade, certamente vai agradar a todos que gostam de uma boa história.

Ao usar o mesmo personagem, Dicker torna a literatura e os leitores testemunhas da vida de Marcus Goldman. Um romance completo, com mistérios, segredos, amor (obrigada, Dicker!) e um final lindo e tocante que vai emocionar principalmente quem já perdeu alguém especial. Uma leitura que vale a pena, porque, como diz o próprio Marcus, os livros são ainda mais intensos que a vida.

>> Leia um trecho de O livro dos Baltimore

Nina Lopes é editora assistente no setor de ficção da Editora Intrínseca e é dessas que se apaixonam pelos personagens dos livros que lê.

testeO chá das cinco adoçado com intriga

Por Nina Lopes*

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Eu levava uma vida bem tranquila, trabalhando no nosso (sensacional) lançamento da Jojo Moyes, O navio das noivas, quando um projeto mais do que especial foi parar na minha mesa. Era o novo livro de Julian Fellowes, produtor da série de TV Downton Abbey, cujos capítulos seriam lançados em e-book semanalmente, resgatando o estilo do folhetim, e depois os onze episódios seriam reunidos numa edição impressa. Um projeto que reúne inovação e tradição e gira em torno de um segredo de família guardado por mais de vinte anos.

Saí do universo de Jojo, mas não me afastei do glamour de Londres, das personagens femininas fortes nem das histórias de amor. Em Belgravia, tudo começa ainda em Bruxelas, em 1815, no famoso baile, que de fato aconteceu, oferecido pela duquesa de Richmond em homenagem ao duque de Wellington. A jovem Sophia Trenchard é filha de um casal da classe industrial emergente e se apaixona por Edmund Bellasis, filho de um conde e membro da alta sociedade. O romance proibido tem um fim abrupto logo após o baile e as razões o leitor descobrirá capítulo após capítulo, como quem acompanha um seriado.

untitledEsse é o pontapé inicial da história, que vai apresentar muitos personagens interessantes numa trama cheia de segredos, intriga, fofoca, armação, inveja e paixão. Tendo o amor como pano de fundo, ainda acompanhamos vários fatos reais da época, como o surgimento do tradicional chá das cinco, que foi criado pela duquesa de Bedford, porque ela sentia fome entre o almoço e o jantar e precisava beliscar um chazinho com biscoito (quem nunca?), os avanços de Napoleão pela Europa, a ascensão da classe emergente após a Revolução Industrial, entre outras coisas. Tudo isso em meio a muitas reviravoltas, que unem um capítulo ao outro.

Apesar de ser um romance histórico que se desenrola na primeira metade do século XIX, foi surpreendente notar que muitas coisas não mudaram, principalmente nas relações pessoais. Percebemos que as pessoas continuam iguais, com os mesmos medos, sonhos, ambições e desentendimentos. A história leva o leitor para a longínqua Londres de dois séculos atrás, ao mesmo tempo em que o aproxima dos sentimentos e das atitudes mais admiráveis e também mais refutáveis dos homens.

Depois de onze episódios, Belgravia me mostrou como os problemas podem ser resolvidos entre uma xícara de chá e outra, como manter a classe em meio às intrigas do dia a dia e como não perder a confiança mesmo estando por baixo. Por mais que os costumes de cada época mudem, a essência do homem se mantém e não importa quando nem onde, no final sempre reinarão o amor e a verdade.

>> Leia um trecho de Belgravia

 

Nina Lopes é editora assistente no setor de ficção da Editora Intrínseca e é dessas que se apaixonam pelos personagens dos livros que lê.

testeMeus dias com Christian Grey

Por Nina Lopes*

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Junho começou com E L James anunciando que publicaria (em breve!) o primeiro livro da trilogia Cinquenta tons de cinza na versão de Christian Grey. Eu pensei: pronto, as redes sociais dela foram hackeadas! Depois veio a euforia: e se for mesmo verdade? Mas com a alegria da confirmação vem também o peso da responsabilidade de editar um livro importante como esse no menor tempo possível, de forma que não comprometa a qualidade do texto nem deixe os leitores brasileiros aguardando muito tempo.

Antes até de receber o original estrangeiro, já tivemos que deixar várias pessoas a postos para o Grey: tradutores, copidesques, revisor, preparador, diagramador e por aí vai. Reorganizamos as outras tarefas pela equipe de ficção, montamos um cronograma detalhado (com nove páginas!) e cada etapa concluída era motivo de comemoração.

Um livro é feito por muitas pessoas, que se dedicam, pensam, repensam e discutem para que a história chegue da melhor forma para o leitor. A gente busca a palavra ideal, tenta reproduzir o mesmo tom irônico, sedutor ou bem-humorado das falas dos personagens. Mas, para mim, o grande desafio editorial desse livro foi tentar padronizar todos os detalhes. São mais de quinhentas páginas e não podíamos deixar passar furos. Por exemplo, os apelidos que os personagens dão uns para os outros não podiam variar, assim como as formas de tratamento entre eles, as frases que Christian repete com frequência para si mesmo, entre outras coisas.

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Além disso, era preciso que a história estivesse coerente com Cinquenta tons de cinza. Numa mesma cena, Christian não poderia estar com uma roupa diferente em cada livro, por exemplo. Se Ana o descreveu de paletó em Cinquenta tons, ele não poderia aparecer de jaqueta em Grey, não é mesmo? E isso vale para vários detalhes: as roupas, a comida, os locais e até o tom exato da cor da colcha na cama de cada um! Por isso, eu trabalhava com vários arquivos abertos: o da tradução, o original estrangeiro e ainda fazia buscas nos livros anteriores da trilogia.

Também havia as decisões editoriais a serem tomadas. Por ser o primeiro livro na visão do Christian, era preciso determinar como ele diria certas coisas, que vocabulário e que tom ele usaria para descrever cenas específicas, como traduzir da melhor forma alguns termos. Certas palavras foram alvo de discussão na equipe. Concordei com algumas mudanças sugeridas por outras pessoas, mas também cheguei a bater o pé e fazer a íntima (hehe), defendendo que Christian Grey não falaria de tal forma, não, acredito que ele iria direto ao ponto em determinados casos.

Senti que com esse trabalho eu fiz uma imersão num personagem como nunca antes. Passei dias inteiros concentrada em apenas ler, pensar, acompanhar a história do Grey e tentar desvendá-lo. E quando eu descobria que alguém também estava lendo o livro, não me aguentava e perguntava: já chegou naquela cena? O que você achou? Ficou chocada? Boas histórias e personagens cativantes fazem isso com a gente, nos deixam com vontade de comentar com os outros, dividir nossas impressões. E não podia ser diferente quando E L James nos permite conhecer melhor um personagem tão misterioso e singular quanto Grey.

Por cerca de um mês e meio, acompanhei a rotina de Christian e ele fez parte da minha. A edição do livro terminou e posso dizer que vivi todo esse tempo intensamente ao lado dele, assim como os leitores viverão em breve. Hora do show, Grey.

link-externoLeia um trecho de Grey

Nina Lopes é editora assistente no setor de ficção da Editora Intrínseca e é dessas que se apaixonam pelos personagens dos livros que lê.

testeMinha vida em 50 tons

Por Nina Lopes*

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Ter que escolher aos dezessete anos o que fazer pelo resto da vida não é uma tarefa fácil. Eu nunca soube o que responder quando me perguntavam o que queria ser quando crescer. Depois de muito pensar, decidi fazer Comunicação Social. Na faculdade, me encantei pelo curso de Produção Editorial. Trabalhar com livros era um sonho. Como eu não tinha pensado nisso antes?

Acabei conseguindo um estágio na Editora Intrínseca. Sim, eu ia trabalhar lendo histórias como as dos personagens que já tinham marcado a minha vida, como Liesel e Rudy, Bella e Edward, Nora e Patch, Emma e Dex! Em 2012, surgiram Ana e Christian, e então pude acompanhar de perto a produção de um best-seller.

Nesse mesmo ano, eu precisava entregar minha monografia de conclusão de curso na faculdade. Não tive dúvidas quanto ao tema: queria falar sobre esse best-seller, porque campeões de venda me fascinam e, porque, como não poderia ser diferente, em 2012 o mercado editorial brasileiro foi marcado pela publicação de Cinquenta tons de cinza, a trilogia mega-seller que se transformou em um enorme fenômeno mundial e sobre a qual, bem ou mal, todos comentaram. Não se falou em outra coisa. O livro bateu recordes de vendas. E quando um livro para o mundo, é preciso parar para entendê-lo.

Sempre fico muito curiosa quando recebemos aqui na editora uma obra que já é um grande sucesso em outros países. Lembro até hoje o e-mail avisando que uma trilogia havia acabado de entrar na nossa programação. Logo começou o burburinho aqui na Intrínseca. Querendo ou não, Cinquenta tons desperta a curiosidade de todo mundo. E esse foi o primeiro sinal do que viria a acontecer: a história que foi discutida, lida, criticada e amada em todos os cantos do mundo, também seria lançada no Brasil. Eu não via a hora de começar a ler (antes de todo mundo, o que, sinceramente, acho algo incrível).

O processo de edição de um livro é cuidadoso e atencioso, e demanda pesquisa e dedicação de todo mundo que participa das mais diversas etapas de produção. Depois do lançamento veio uma das partes mais legais: acompanhar a repercussão de Cinquenta tons. Não tem nada mais especial do que pegar um ônibus e sempre encontrar uma pessoa lendo aquele livro no qual você e toda a equipe se dedicaram tanto, assim como entrar na livraria e encontrar o livro em destaque, passar na banca de jornal e ver que os principais veículos estão noticiando todo aquele sucesso, ouvir a obra ser citada em todas as rodas de conversa, ligar a TV e assistir aos mais diversos programas falando do livro, acessar as redes sociais e ver as pessoas postando suas impressões, querendo saber quando o próximo livro vai ser lançado…

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Foto: Guilherme Lima

Isso tudo faz valer a pena ter ficado procurando a tradução mais adequada para cada termo sadomasoquista, ter lido e relido com toda a atenção para ter certeza de que não ia passar nenhum errinho, de que o texto estava bem claro para o leitor e de que nenhuma parte da história fugia do original. (Tudo isso enquanto a gente também suspirava por Christian Grey, é claro.)

Mas eu tinha outro desafio: levar Cinquenta tons para o ambiente acadêmico. Durante minha pesquisa, li várias entrevistas e percebi que as mulheres continuam se encantando com histórias de amor clássicas, mas que trazem uma versão moderna do príncipe encantado, da mocinha e da vilã.

Além disso, encontrei vários exemplos, não muito antigos, que nos mostram que romances eróticos publicados de forma clandestina e anônima são recorrentes ao longo da história. Muitos autores queriam evitar ser criticados ou perseguidos, por isso a clandestinidade por muito tempo foi uma opção para essas obras de conteúdo adulto.

Apesar de contestados, esses livros, além de entretenimento, também são documentos dos costumes de determinada época. Tanto o conteúdo quanto sua aceitação pelo público evidenciam pensamentos, ideais e comportamentos da sociedade. Cinquenta tons colocou em destaque um gênero que por muito tempo esteve à margem e, além disso, realmente acredito que o fato de atrair tantos leitores faz com que esses mega-sellers funcionem como estímulo à leitura, formem novas gerações de leitores ou nos façam redescobrir o prazer do livro.

Não é fácil abordar temas polêmicos, mas fui defender minha monografia com chicote, gravata e algema nas mãos, e, acreditem, tirei dez! Em determinada parte de Cinquenta tons de cinza, Ana diz que Christian a enche de certezas e depois a cobre de dúvidas. Na minha vida foi o contrário: no início eu estava cheia de dúvidas, mas depois só encontrei certezas (e a minha própria história para contar).

Leia outros textos da equipe da Intrínseca:
Keep YA Weird (ou a arte de fazer livros incríveis), por Talitha Perissé
Sobre livros e anjos, por Sheila Louzada

 

Nina Lopes, 23 anos, é editora assistente no setor de ficção da Editora Intrínseca e é dessas que se apaixonam pelos personagens dos livros que lê.