testeMulheres à beira de um ataque de nervos

Por João Lourenço*

Você tem mania de limpeza? É viciada em calmantes? Sempre está com uma taça de champanhe na mão? Fala alto, conversa sozinha, interrompe as pessoas e gosta de ser o centro das atenções? É hipocondríaca, apresenta instabilidade emocional? Suas amigas te deixam louca? Ou é você quem enlouquece suas amigas? Cuidado, você pode ser uma neurótica! Na verdade, esse termo não tem o mesmo peso que tinha no passado. Em geral, a tal da neurose não se trata mais de algo clínico. Qualquer comportamento exagerado, um pouco fora dos padrões, pode ser tido como neurose… Mas não se preocupe, um pouco de neurose não faz mal a ninguém. Louco é aquele que nunca perde o controle. 

São vários os tipos de neuróticas. As mais comuns são aquelas que têm consciência da condição e abraçam essa característica. Há também as neuróticas enrustidas, aquelas que tentam mudar, controlar a neura. Esse é o caso da Eleanor Flood, protagonista do novo romance de Maria SempleHoje vai ser diferente. Eleanor não é má pessoa — assim como a maioria das neuróticas também não são. Eleanor é o tipo de mulher que faz listas mentais de tudo que precisa ser diferente em sua vida. Ela quer muito mudar: deseja ser uma mãe melhor, uma amiga melhor, uma esposa melhor. Enfim, uma versão melhor de si mesma. Porém, assim como na vida real, muitos imprevistos e surpresas desagradáveis surgem na vida de Eleanor.

Como não pirar quando tudo desmorona? Apesar de tantos obstáculos, Eleanor tenta encontrar soluções inusitadas para os problemas do cotidiano. Ela é uma personagem cativante que garante boas risadas e reflexões sobre as nossas neuroses do dia a dia. Irônico, engraçado e humano, a história de Eleanor está em processo de adaptação para a telinha, tendo Julia Roberts no papel principal — para neurótica nenhuma botar defeito. 

Abaixo, selecionamos seis personagens neuróticas de filmes e seriados de TV. Ame ou odeie-as. 

 

Carrie Bradshaw — Sex and the City

 

A série televisiva Sex and the City abriu o caminho para produções originais que abordam o universo feminino. Quem nunca quis sentar para um brunch com Samantha, Charlotte, Miranda e Carrie? Esta última sempre foi a personagem que mais dividiu opiniões. Carrie é independente, fashionista, assina uma coluna semanal sobre sexo para o jornal The New York Star e mora em um charmoso apartamento no coração de Manhattan. Ela é a it girl que você quer ser amiga e, às vezes, também consegue ser aquela pessoa insuportável que queremos distância: narcisista, egoísta e cheia de manias. É a típica neurótica que fuma um cigarro atrás do outro e não sai de casa até o “contatinho” ligar. Carrie Bradshaw, apesar de boa amiga, sempre quer ser o centro das atenções. 

 

Chris — I love Dick 

 

Por muitos anos, Kathryn Hahn estrelou como coadjuvante em filmes independentes. Na série da Amazon I Love Dick, ela rouba todas as cenas. Chris é uma cineasta que não produz nada original há anos. Frustrada com a profissão, ela decide seguir o marido, Sylvester (Griffin Dunne), para uma cidadezinha no interior do Texas, onde ele ganhou uma bolsa para estudar na famosa instituição do artista plástico Dick (Kevin Bacon). Em proporções diferentes, o casal se apaixona pelo sedutor Dick. Chris cria inúmeras fantasias e conspirações sobre Dick e transforma tudo isso em um diário picante. Para chamar a atenção do seu objeto de desejo, ela imprime o diário e distribui para a cidade inteira ler. Além de perseguir Dick por todos os cantos, a personagem de Chris se humilha, cria cenas que causam vergonha alheia — no espectador e nos outros personagens — e faz jogos mentais com o marido. Ou seja, um prato cheio! Ela é a mulher mais imprevisível da telinha. 

 

Madeline — Big Little Lies

 

Além de produtora da badalada série da HBOBig Little Lies, baseada no romance Pequenas grandes mentiras, de Liane Moriarty, Reese Witherspoon também encarnou uma das protagonistas: Madeline. Ela é aquela neurótica que sabe que é neurótica, mas não tem nenhuma vontade de mudar. Madeline mora em uma mansão de frente para o mar, tem tudo que o dinheiro pode oferecer, porém sempre está entediada. Ela está no segundo casamento e é mãe de duas filhas. Pense em uma mãe tigre, aquela que se envolve nas brigas das meninas. Ela também não mede esforços para criar climão com quem se mete em seu caminho. Madeline arruma confusão até com o prefeito da cidade. A última palavra é sempre dela e ela não pensa duas vezes antes de te mandar para aquele lugar. Todos temem a sua língua ferina. Madeline é control freak, se apega a pequenos detalhes e sabe da vida de todo mundo. Mas não é só de barraco que ela sobrevive. Madeline também protege e aconselha as amigas desafortunadas.  

 

Brooke Cardinas — Mistress America

 

No tragicômico Mistress America, fica difícil acompanhar a rotina e as ambições da personagem Brooke Cardinas. Interpretada por Greta Gerwig, que coassina o roteiro do longa, Brooke é um retrato irônico da geração millennial. Brooke faz um pouco de tudo, mas não termina nada que começa. Ela pretende abrir um restaurante, mas, enquanto o sonho não se concretiza, trabalha como decoradora, designer de moda, instrutora de SoulCycle e tutora de matemática para adolescentes ricos. Ufa! Brooke acredita que as pessoas só se aproximam dela para roubar as suas ideias. Esse lado supersticioso e neurótico da personagem rende boas gargalhadas. Em tempos de crise, Brooke apela até para clarividentes. Ela é um personagem que não percebe que muitos de seus sonhos são irrealizáveis. Mas ela jura que: “Sei tudo sobre mim mesma, é por isso que não posso fazer terapia.”

 

Jasmine — Blue Jasmine 

 

O diretor do longa Blue Jasmine, Woody Allen, ficou conhecido por criar personagens neuróticos — lembra de Annie Hall? Em todos os filmes de Allen você encontra personagens que apresentam algum tipo de transtorno obsessivo compulsivo: pessoas que falam demais, excêntricas, paranoicas, desconfiadas até da própria sombra. Em Blue Jasmine não é diferente. Jasmine é uma socialite nova-iorquina que tem a vida virada do avesso quando o marido vai preso, deixando ela na rua da amargura. Jasmine começa a sofrer de transtorno delirante, ou seja, ela não aceita a nova realidade. Então faz de tudo para manter as aparências. Ela apresenta todas as características de uma neurótica de carteirinha: fala sozinha, aborda estranhos na rua para conversar sobre a vida privilegiada que tinha com o marido e por aí vai. Ela também apresenta delírios de grandeza e é compulsiva por compras e roupas de grife. Quando nada faz efeito, ela tenta se acalmar com uma mistura poderosa de calmante e champanhe. O papel rendeu o segundo Oscar da carreira de Cate Blanchett. 

 

Aura — Tiny Furniture 

 

Antes de ser a controversa Hannah Horvath, no seriado Girls, Lena Dunham dirigiu e escreveu Tiny Furnitures. No filme independente, Dunham interpreta Aura, uma recém-graduada em Teoria do Cinema que não sabe o que fazer com o diploma — e com a própria vida. Aura explora os conflitos comuns a qualquer pessoa, como a transição da juventude para a idade adulta. Ela volta a morar na casa dos pais, mas percebe que a mãe e a irmã mais nova estão distantes e não precisam dela por perto. Aura também não consegue mais se conectar com os amigos de infância. À deriva, entediada e sozinha, ela começa a fazer amizades com webcelebridades do YouTube e passa a trabalhar como ajudante em um restaurante. Para completar, ela tem aquele famoso “dedo podre” para homens, só se envolve com gente comprometida ou emocionalmente distante. 

 

João Lourenço é jornalista. Passou pela redação da FFWMAG, colaborou com a Harper’s Bazaar e com a ABD Conceitual, entre outras publicações estrangeiras de moda e design. Atualmente está em Nova York tentando escrever seu primeiro romance.

 

testeComo rir (sem culpa) de uma neurótica

Cheio de referências pop e eruditas, novo romance da roteirista americana Maria Semple acompanha o dia de uma animadora frustrada que decide mudar a maneira de conduzir a própria vida.

Por Mariana Filgueiras*

Ilustração: Ana Franco

“Uma mãe gambá com sua fileira de filhotes chafurda em uma lixeira, mete a cabeça pontuda em uma embalagem de creme de leite, baixa sua cauda e não se deixa assustar”, diz um trecho do poema “A hora do gambá”, que Robert Lowell, um dos mais importantes poetas norte-americanos do século XX, escreveu para Elizabeth Bishop.

Numa das cenas do romance Hoje vai ser diferente, da escritora Maria Semple (roteirista de sucessos da televisão americana, como Saturday Night Live, Mad About You e Arrested Development), a narradora, Eleanor Flood, está em um café tendo aula particular de poesia. É uma estratégia para aprender a escrever de forma mais concisa, já que ela tem o desafio de colocar no papel uma graphic novel sobre a própria vida. Naquela manhã, entre frutas e torradas com bacon, o professor analisa os melancólicos versos de Lowell, que Eleanor não faz ideia que dizem tanto sobre si mesma.

É uma personagem que chafurda na lixeira dos problemas da classe média americana: animadora de sucesso em Nova York e Seattle, onde mora com o marido, Joe, um cirurgião bem-sucedido que guarda um segredo durante boa parte da trama, e o filho, Timby, de oito anos, que muitas vezes parece mais adulto do que ela, Eleanor vive atarantada por milhões de tarefas. Ora se sente culpada por não dar atenção ao menino, que começa a inventar doenças para chamar sua atenção; ora ao marido, com quem já não leva uma vida sexual muito animada há tempos. Culpa que a deixa irritadiça até com uma das únicas amigas que têm:

Faz dez anos que não consigo me livrar dela. É a amiga de quem não gosto, é a amiga que não sei o que faz da vida porque eu estava entorpecida demais para perguntar da primeira vez e, a essa altura, seria grosseiro perguntar, a amiga com quem não sei ser má para fazê-la entender o recado, a amiga para quem vivo dizendo não, não, não, mas que ainda assim me persegue. Ela parece o mal de Parkinson: não tem cura, só dá para controlar os sintomas.

Eleanor se inscreve em cursos de meditação e falta as aulas, compra roupas escondida e não usa, sente falta da atmosfera “interessante” de Nova York, mas não consegue sustentar um compromisso social em Seattle sem deixar escapar comentários preconceituosos.  

Apesar disso, reage a muitas frustrações como uma boa personagem de sitcom dessas que Semple está habituada a criar: com tiradas tão neuróticas quanto bem-humoradas. Seu livro anterior, o elogiado Cadê você, Bernadette?, tem a protagonista construída sobre as mesmas bases tragicômicas — uma mistura de Mrs. Dalloway, de Virginia Woolf, com Bridget Jones, de Helen Fielding.

Crédito: Ana Franco

Numa das passagens mais engraçadas do romance, Eleanor cita as “toalhas molhadas na cama” deixadas pelo marido e seu hábito peculiar de guardar os pãezinhos que sobram do couvert dos restaurantes dentro da própria meia, levá-los para casa “para não desperdiçar” e esquecê-los dentro da peça de roupa por dias. E enumera também suas manias que mais irritam Joe, como o hábito de passar fio dental deitada na cama, o de entrar no chuveiro com o cachorro para dar banho nele, e o mais curioso: o de não pegar a pipoca do pacote com as mãos, mas “encostando com a ponta da língua e pegando as que grudam”.

Como a gambá do poema, Eleanor chafurda, mas sai da lixeira com a cara enfiada na lata de creme de leite.

“Se eu for obrigada a ser sincera, foi assim que deixei o mundo na semana passada: pior, pior, melhor, pior, igual, pior, igual”, lista ela, antes de tomar a decisão que dispara o gatilho da trama, fazendo todos os acontecimentos se desenrolarem.

É quando Eleanor decide que não dá mais para levar a vida do mesmo jeito. Se fosse brasileira, poderia cantarolar um Roberto Carlos: “Daqui pra frente, tudo vai ser diferente…” Mas acaba fazendo o statement que dá título ao livro:

Hoje vai ser diferente. Hoje estarei presente. Hoje vou olhar no fundo dos olhos de todas as pessoas com quem conversar e vou ouvir com atenção. Hoje vou brincar com Timby. (…) Não vou falar sobre dinheiro. Hoje vou buscar a simplicidade. Vou exibir uma expressão relaxada e um sorriso. Hoje vou irradiar calma. Hoje vou dar o melhor de mim, vou ser a pessoa que sou capaz de ser.

É uma virada que aconteceu na própria vida da autora, que não esconde a proximidade entre suas protagonistas e si mesma. Maria Semple já disse em entrevistas que, se em Cadê você, Bernadette? ela trabalhou com uma versão idealizada de si, em Hoje vai ser diferente quis explorar a versão realista. “Eu carrego muita culpa por ter sido neurótica na frente da minha filha. Metade das falas de Timby são frases que minha filha disse para mim. A personagem não é má ou sarcástica, ela apenas é verdadeira”, disse a autora ao jornal The Guardian, quando o livro foi lançado nos Estados Unidos.

Para contar a história da animadora de meia-idade Eleanor Flood — que será vivida por Julia Roberts na série da HBO inspirada no livro —, a autora usa um recurso clássico de narrativa: a ação toda se passa em apenas um dia. Assim como acontece em Ulisses, de James Joyce, e na já citada Mrs. Dalloway, de Virginia Woolf.

No caso de Hoje vai ser diferente, no entanto, a solução de contar as 24 horas na vida de uma personagem do universo pop americano ajuda a acomodar, sem muitos sobressaltos, a colagem de referências que  enriquecem a  trama. E que vão muito além da poesia moderna de Lowell e Bishop, incluindo outros clássicos como as canções do Radiohead, os bordões dos Simpsons, o traço de Robert Crumb ou o clima indie de Daniel Clowes.

 

Mariana Filgueiras é jornalista cultural e mestranda em Literatura na Universidade Federal Fluminense (UFF).

testeLeia trecho de Hoje vai ser diferente, novo livro de Maria Semple que inspirou série com Julia Roberts

Eleanor Flood está cansada de acordar e já dar o dia como encerrado. Está cansada das horas que passa na cama prometendo a si mesma que vai mudar. Não que ela pretenda se esforçar para transformar o mundo num lugar melhor: não torná-lo pior já seria ótimo.

A verdade é que a vida de Eleanor anda uma bagunça e a culpa é toda dela. Às vésperas de completar cinquenta anos, ela mora em Seattle com o marido e o filho Timby e, após uma carreira de sucesso trabalhando com animações para a tevê, os dias gloriosos ficaram para trás. Mas Eleanor decidiu que hoje vai ser diferente. Vai transbordar simpatia e autocontrole, vai ser menos distraída e mal-humorada, vai dar atenção ao filho, vai se vestir melhor e vai até transar com o marido. Mas logo ela se dá conta de que a vida costuma pregar peças na gente e ser um tanto indiferente com os nossos objetivos, mesmo com os mais modestos e risíveis.

Neurótica, impulsiva e dona de tiradas hilárias e escandalosamente incorretas, Eleanor é a protagonista de Hoje vai ser diferente, novo romance de Maria Semple. Autora de Cadê você, Bernadette?, Semple é roteirista de sucessos da televisão americana, como o semanal Saturday Night Live e os seriados Mad About You e Arrested Development.

O dia de Eleanor, repleto de confusões e de encontros imprevisíveis, inspirou a nova série da HBO, que será protagonizada pela atriz Julia Roberts e terá roteiro da própria Semple. A atração está em produção e ainda não tem data de estreia, mas os leitores brasileiros poderão conhecer a memorável Eleanor Flood a partir de 28 de agosto e rir com e às custas de uma mulher que, como muitos de nós, só quer ser uma melhor versão de si mesma.

 

 

Confira um trecho de Hoje vou ser diferente:

Hoje vai ser diferente. Hoje estarei presente. Hoje vou olhar no fundo dos olhos de todas as pessoas com quem conversar e vou ouvir com atenção. Hoje vou brincar com Timby. Vou tomar a iniciativa de transar com Joe. Hoje vou sentir orgulho da minha aparência. Vou tomar banho, me vestir bem e só vou usar roupas de ioga para ir à aula de ioga, à qual não vou faltar. Hoje não vou falar palavrão. Não vou falar sobre dinheiro. Hoje vou buscar a simplicidade. Vou exibir uma expressão relaxada e um sorriso. Hoje vou irradiar calma. Bondade e autocontrole abundantes. Hoje vou prestigiar os comerciantes locais. Hoje vou dar o melhor de mim, vou ser a pessoa que sou capaz de ser. Hoje vai ser diferente.

 

O TRUQUE

Porque do outro jeito não estava dando certo. Acordar e dar o dia por terminado só na hora de ir para a cama. Enfrentá-lo era uma desgraça, uma afronta à honra e ao privilégio de estar viva. Andar por aí como um fantasma, mal-humorada e distraída, anuviada e apressada. (Tudo isso é só suposição, porque não faço ideia de como as pessoas me veem. Minha consciência é inepta a este ponto e passa longe da superfície, feito uma rã hibernando no inverno). Tornar o mundo um lugar pior só por estar presente. Ser cega para a destruição ao meu redor. O Mr. Magoo.

Se eu for obrigada a ser sincera, foi assim que deixei o mundo na semana passada: pior, pior, melhor, pior, igual, pior, igual. Nada do que se orgulhar. Não que eu necessariamente precise tornar o mundo melhor, veja bem. Mas hoje vou seguir o juramento de Hipócrates: primeiro, não faça mal a ninguém.

Não pode ser tão difícil. Levar Timby ao colégio, ter aula de poesia (o que mais gosto de fazer na vida!), ir à ioga, almoçar com Sydney Madsen, a quem não suporto, mas pelo menos posso tirar isso da lista (mais sobre isso a seguir), buscar Timby e deixá-lo com Joe, o agente de seguros de toda essa louca abundância.

Você deve estar tentando entender por que tanto drama em torno de um dia normal com problemas de gente branca. Porque existe eu e existe a fera dentro de mim. Seria genial se a fera dentro de mim aparecesse num quadro gigante, chocando e impressionando os espectadores, causando uma destruição catastrófi­ca que seria lembrada para sempre. Se eu fosse dessas, talvez ­fizesse algo assim: uma gloriosa automutilação pelo bem da arte performática. A triste verdade? A fera dentro de mim funciona numa escala dolorosamente pequena: microtransações lamentáveis que costumam envolver Timby, meus amigos ou Joe. Quando estou com eles, ­fico irritadiça e morro de ansiedade; sem, fi­co toda sentimental e delirante. Rá! Não parece bom estar a uma distância segura de mim, com as portas trancadas e as janelas fechadas? Ah, que isso! Sou legal. Estou exagerando. Também não é assim…

Então, no minuto em que saí dos lençóis, o dia começou. O tap-tap-tap das unhas de Ioiô na madeira, parando diante do quarto. Por que, quando Joe sai da cama, Ioiô não trota-trota-trota e o aguarda com sua esperança servil? Como é que Ioiô, do outro lado da porta fechada, sabe que sou eu e não Joe? Certa vez um treinador de cães me deu uma explicação deprimente: foi com o meu cheiro que Ioiô se identi­ficou. Ao lembrar que o nirvana dele é uma foca morta na praia, me pergunto se já está na hora de voltar para a cama. Não, não vou fazer isso. Hoje, não.

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testeIntrínseca publica livro de Maria Semple que inspirou nova série de TV com Julia Roberts

Em agosto, chega às livrarias brasileiras Hoje vai ser diferente, romance de Maria Semple que inspirou a nova série da HBO que será protagonizada pela atriz Julia Roberts.

Roteirista de sucessos da televisão americana, como o semanal Saturday Night Live e os seriados Mad About You e Arrested Development, Maria Semple também será roteirista da atração que ainda não tem data de estreia definida.

Hoje vai ser diferente (Today Will Be Different) é uma história hilária e otimista sobre uma mulher que acorda determinada a ser a melhor versão dela mesma. Na trama, Eleanor Flood sabe que sua vida está uma bagunça, mas, um dia decide fazer diferente. Ela vai tomar banho e vestir roupas decentes. Vai à aula de ioga depois de deixar o filho, Timby, na escola. Vai almoçar com uma velha amiga. Não vai suar. E vai transar com o marido. Mas, antes mesmo de começar, a vida já lhe dá uma rasteira, forçando Eleanor a abandonar suas humildes ambições e acordar para um novo e inesperado futuro. 

 

Julia Roberts participa também da aguardada adaptação de Extraordinário, livro de R.J. Palacio que narra a história de Auggie Pullman, um garoto que tem uma deformidade facial e que enfrentará a escola pela primeira vez. No filme dirigido por Stephen Chbosky (As Vantagens de ser Invisível), Julia Roberts interpretará a mãe de Auggie (Jacob Tremblay). Com Owen Wilson, Daveed Diggs e Sônia Braga, Extraordinário chega aos cinemas em 23 de novembro.