testeMulheres à beira de um ataque de nervos

Por João Lourenço*

Você tem mania de limpeza? É viciada em calmantes? Sempre está com uma taça de champanhe na mão? Fala alto, conversa sozinha, interrompe as pessoas e gosta de ser o centro das atenções? É hipocondríaca, apresenta instabilidade emocional? Suas amigas te deixam louca? Ou é você quem enlouquece suas amigas? Cuidado, você pode ser uma neurótica! Na verdade, esse termo não tem o mesmo peso que tinha no passado. Em geral, a tal da neurose não se trata mais de algo clínico. Qualquer comportamento exagerado, um pouco fora dos padrões, pode ser tido como neurose… Mas não se preocupe, um pouco de neurose não faz mal a ninguém. Louco é aquele que nunca perde o controle. 

São vários os tipos de neuróticas. As mais comuns são aquelas que têm consciência da condição e abraçam essa característica. Há também as neuróticas enrustidas, aquelas que tentam mudar, controlar a neura. Esse é o caso da Eleanor Flood, protagonista do novo romance de Maria SempleHoje vai ser diferente. Eleanor não é má pessoa — assim como a maioria das neuróticas também não são. Eleanor é o tipo de mulher que faz listas mentais de tudo que precisa ser diferente em sua vida. Ela quer muito mudar: deseja ser uma mãe melhor, uma amiga melhor, uma esposa melhor. Enfim, uma versão melhor de si mesma. Porém, assim como na vida real, muitos imprevistos e surpresas desagradáveis surgem na vida de Eleanor.

Como não pirar quando tudo desmorona? Apesar de tantos obstáculos, Eleanor tenta encontrar soluções inusitadas para os problemas do cotidiano. Ela é uma personagem cativante que garante boas risadas e reflexões sobre as nossas neuroses do dia a dia. Irônico, engraçado e humano, a história de Eleanor está em processo de adaptação para a telinha, tendo Julia Roberts no papel principal — para neurótica nenhuma botar defeito. 

Abaixo, selecionamos seis personagens neuróticas de filmes e seriados de TV. Ame ou odeie-as. 

 

Carrie Bradshaw — Sex and the City

 

A série televisiva Sex and the City abriu o caminho para produções originais que abordam o universo feminino. Quem nunca quis sentar para um brunch com Samantha, Charlotte, Miranda e Carrie? Esta última sempre foi a personagem que mais dividiu opiniões. Carrie é independente, fashionista, assina uma coluna semanal sobre sexo para o jornal The New York Star e mora em um charmoso apartamento no coração de Manhattan. Ela é a it girl que você quer ser amiga e, às vezes, também consegue ser aquela pessoa insuportável que queremos distância: narcisista, egoísta e cheia de manias. É a típica neurótica que fuma um cigarro atrás do outro e não sai de casa até o “contatinho” ligar. Carrie Bradshaw, apesar de boa amiga, sempre quer ser o centro das atenções. 

 

Chris — I love Dick 

 

Por muitos anos, Kathryn Hahn estrelou como coadjuvante em filmes independentes. Na série da Amazon I Love Dick, ela rouba todas as cenas. Chris é uma cineasta que não produz nada original há anos. Frustrada com a profissão, ela decide seguir o marido, Sylvester (Griffin Dunne), para uma cidadezinha no interior do Texas, onde ele ganhou uma bolsa para estudar na famosa instituição do artista plástico Dick (Kevin Bacon). Em proporções diferentes, o casal se apaixona pelo sedutor Dick. Chris cria inúmeras fantasias e conspirações sobre Dick e transforma tudo isso em um diário picante. Para chamar a atenção do seu objeto de desejo, ela imprime o diário e distribui para a cidade inteira ler. Além de perseguir Dick por todos os cantos, a personagem de Chris se humilha, cria cenas que causam vergonha alheia — no espectador e nos outros personagens — e faz jogos mentais com o marido. Ou seja, um prato cheio! Ela é a mulher mais imprevisível da telinha. 

 

Madeline — Big Little Lies

 

Além de produtora da badalada série da HBOBig Little Lies, baseada no romance Pequenas grandes mentiras, de Liane Moriarty, Reese Witherspoon também encarnou uma das protagonistas: Madeline. Ela é aquela neurótica que sabe que é neurótica, mas não tem nenhuma vontade de mudar. Madeline mora em uma mansão de frente para o mar, tem tudo que o dinheiro pode oferecer, porém sempre está entediada. Ela está no segundo casamento e é mãe de duas filhas. Pense em uma mãe tigre, aquela que se envolve nas brigas das meninas. Ela também não mede esforços para criar climão com quem se mete em seu caminho. Madeline arruma confusão até com o prefeito da cidade. A última palavra é sempre dela e ela não pensa duas vezes antes de te mandar para aquele lugar. Todos temem a sua língua ferina. Madeline é control freak, se apega a pequenos detalhes e sabe da vida de todo mundo. Mas não é só de barraco que ela sobrevive. Madeline também protege e aconselha as amigas desafortunadas.  

 

Brooke Cardinas — Mistress America

 

No tragicômico Mistress America, fica difícil acompanhar a rotina e as ambições da personagem Brooke Cardinas. Interpretada por Greta Gerwig, que coassina o roteiro do longa, Brooke é um retrato irônico da geração millennial. Brooke faz um pouco de tudo, mas não termina nada que começa. Ela pretende abrir um restaurante, mas, enquanto o sonho não se concretiza, trabalha como decoradora, designer de moda, instrutora de SoulCycle e tutora de matemática para adolescentes ricos. Ufa! Brooke acredita que as pessoas só se aproximam dela para roubar as suas ideias. Esse lado supersticioso e neurótico da personagem rende boas gargalhadas. Em tempos de crise, Brooke apela até para clarividentes. Ela é um personagem que não percebe que muitos de seus sonhos são irrealizáveis. Mas ela jura que: “Sei tudo sobre mim mesma, é por isso que não posso fazer terapia.”

 

Jasmine — Blue Jasmine 

 

O diretor do longa Blue Jasmine, Woody Allen, ficou conhecido por criar personagens neuróticos — lembra de Annie Hall? Em todos os filmes de Allen você encontra personagens que apresentam algum tipo de transtorno obsessivo compulsivo: pessoas que falam demais, excêntricas, paranoicas, desconfiadas até da própria sombra. Em Blue Jasmine não é diferente. Jasmine é uma socialite nova-iorquina que tem a vida virada do avesso quando o marido vai preso, deixando ela na rua da amargura. Jasmine começa a sofrer de transtorno delirante, ou seja, ela não aceita a nova realidade. Então faz de tudo para manter as aparências. Ela apresenta todas as características de uma neurótica de carteirinha: fala sozinha, aborda estranhos na rua para conversar sobre a vida privilegiada que tinha com o marido e por aí vai. Ela também apresenta delírios de grandeza e é compulsiva por compras e roupas de grife. Quando nada faz efeito, ela tenta se acalmar com uma mistura poderosa de calmante e champanhe. O papel rendeu o segundo Oscar da carreira de Cate Blanchett. 

 

Aura — Tiny Furniture 

 

Antes de ser a controversa Hannah Horvath, no seriado Girls, Lena Dunham dirigiu e escreveu Tiny Furnitures. No filme independente, Dunham interpreta Aura, uma recém-graduada em Teoria do Cinema que não sabe o que fazer com o diploma — e com a própria vida. Aura explora os conflitos comuns a qualquer pessoa, como a transição da juventude para a idade adulta. Ela volta a morar na casa dos pais, mas percebe que a mãe e a irmã mais nova estão distantes e não precisam dela por perto. Aura também não consegue mais se conectar com os amigos de infância. À deriva, entediada e sozinha, ela começa a fazer amizades com webcelebridades do YouTube e passa a trabalhar como ajudante em um restaurante. Para completar, ela tem aquele famoso “dedo podre” para homens, só se envolve com gente comprometida ou emocionalmente distante. 

 

João Lourenço é jornalista. Passou pela redação da FFWMAG, colaborou com a Harper’s Bazaar e com a ABD Conceitual, entre outras publicações estrangeiras de moda e design. Atualmente está em Nova York tentando escrever seu primeiro romance.

 

testeLista de autoras que tratam do universo feminino

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Quantos livros escritos por mulheres vocês leram recentemente? No Dia Internacional da Mulher, convidamos os nossos leitores a conhecer obras de autoras publicadas pela Intrínseca. Os livros abordam questões como empoderamento feminino, violência doméstica, igualdade de gênero e maternidade, temas importantes para discutirmos a data, além de histórias de ficção com personagens femininas fortes.

 

Confira a lista:

A arte de pedir, de Amanda Palmer — Amanda é cantora, produtora, compositora e artista plástica. Nesse livro, ela levanta a bandeira do feminismo, questiona a maneira como lidamos com o casamento e fala abertamente sobre a liberdade das mulheres para fazer o que quiserem com seus corpos. A obra foi inspirada em uma palestra ministrada no TED Talk e narra também a experiência bem-sucedida da autora em campanhas de financiamento coletivo para projetos artísticos. Leia também: A arte de ser Amanda Palmer

Pequenas grandes mentiras, de Liane Moriarty — O livro mais recente da autora aborda temas como violência doméstica e sexual e bullying. A obra conta a história de três mulheres que aparentemente têm uma vida perfeita em uma pequena cidade da Austrália. Madeline é forte e passional, Celeste é dona de uma beleza estonteante e Jane é uma mãe solteira recém-chegada na cidade. Os filhos dessas três mulheres estudam na mesma escola, onde acontece uma misteriosa tragédia que as envolve.

Precisamos falar sobre o Kevin, de Lionel Shriver — Nesse livro, Lionel constrói uma personagem muito forte e humana, que emocionou milhares de pessoas. Na obra, uma mãe escreve cartas ao pai do seu filho Kevin, na tentativa de compreender o motivo do assassinato em massa cometido pelo adolescente na escola. Ela rememora cada minúcia da vida conjugal e faz o antielogio da maternidade ao explicitar os instintos sombrios, diariamente menosprezados, por trás dos sagrados laços de família.

Não sou uma dessas, de Lena Dunham — Lena já foi considerada a voz de sua geração por falar abertamente de assuntos polêmicos. Criadora, produtora e atriz de Girls, ela conta a história da sua vida e aborda temas como sexo, culto ao corpo, violência sexual, amizade e a luta para ser reconhecida na carreira aos vinte e poucos anos. Leia também: As causas de Lena

P.S.: Ainda amo você, de Jenny Han — SPOILER!
Na continuação de Para todos os garotos que já amei, Lara Jean está em um relacionamento de verdade pela primeira vez na vida, mas ainda está aprendendo a lidar com as dificuldades de um namoro. Nesse segundo livro, Jenny Han aborda o feminismo de uma forma sutil e levanta a questão sobre o vazamento de imagens íntimas.

Primatas da Park Avenue, de Wednesday Martin — Wednesday é ph.D. e lecionou estudos culturais em Yale, onde concluiu o doutorado em literatura comparada e estudos culturais com foco em antropologia e história da psicanálise. No livro, ela analisa a região do Upper East Side, área mais rica de Nova York, e aponta o comportamento das moradoras que sofrem com depressão, vícios e ansiedade por serem as principais responsáveis pela criação dos filhos e terem que se adequar aos padrões rígidos de beleza e status social. Wednesday utiliza seus conhecimentos para questionar a obrigação da mulher de estar sempre perfeita e se dedicar 100% às crianças. Leia também: A tribo escondida por trás dos luxuosos prédios de Nova York

História do Futuro: O Horizonte do Brasil no Século XXI, de Míriam Leitão — A premiada jornalista apresenta dados que ajudam a compreender o atual cenário brasileiro. Resultado de quatro anos de pesquisa, a obra indica tendências e aponta reflexões sobre demografia, política, economia, educação, meio ambiente, temas importantes para as leitoras que querem estar informadas.

A garota que você deixou para trás, de Jojo Moyes — Nessa obra, Jojo apresenta personagens corajosas e determinadas.  O romance conta a história de Sophie, uma francesa obrigada a se separar do marido, o jovem pintor francês Édouard Lefèvre, durante a Primeira Guerra Mundial.  Vivendo com os irmãos e os sobrinhos em sua pequena cidade natal, agora ocupada pelos soldados alemães, ela apega-se às lembranças admirando um retrato seu pintado pelo marido. Quando o quadro chama a atenção do novo comandante alemão, Sophie arrisca tudo — a família, a reputação e a vida — na esperança de rever Édouard, agora prisioneiro de guerra.

Quase um século depois, na Londres dos anos 2000, a jovem viúva Liv Halston mora sozinha numa moderna casa com paredes de vidro. Ocupando lugar de destaque, um retrato de uma bela jovem, presente do seu marido pouco antes de sua morte prematura, a mantém ligada ao passado. Quando Liv finalmente parece disposta a voltar à vida, um encontro inesperado vai revelar o verdadeiro valor daquela pintura e sua tumultuada trajetória. Ao mergulhar na história da garota do quadro, Liv vê, mais uma vez, sua própria vida virar de cabeça para baixo.

Operação impensável, de Vanessa Barbara — Vanessa é uma jovem e premiada autora brasileira. Com humor ácido e muitas referências sobre cinema, ela narra o fim de um casamento entre a historiadora Lia e o programador Tito marcado por e-mails espirituosos, vocabulário próprio, muitas sessões de cinema e longas e disputadas partidas de jogos de tabuleiro.

Objetos cortantes, de Gillian Flynn — Gillian é conhecida por criar personagens femininas ambíguas e perturbadoras. Em seu livro de estreia, a autora conta a história de uma jovem repórter que investiga casos de assassinato ao mesmo tempo em que tenta sobreviver a uma família completamente disfuncional.

testeReinventar-se com estilo

Por Ana Soares*

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Imagine-se em dois cenários. No primeiro, você recebeu um convite para um evento que terá a presença de famosos e da imprensa. Há um dresscode a ser seguido, mas você não tem nada no seu armário que esteja de acordo com a ocasião. No segundo, recebeu uma proposta de emprego ou uma promoção. Serão muitas reuniões pela frente, mas suas roupas atuais não são compatíveis com o novo cargo e você não faz a menor ideia de por onde deve começar.

Nos dois casos, existe uma solução: agendar uma ida ao shopping com uma especialista em compras, ou seja, contratar o serviço de um personal shopper. Trata-se de um profissional que, basicamente, vai conversar com você para compreender melhor suas necessidades e seus desejos de acordo com seu estilo de vida a fim de identificar que tipo de roupas combinam melhor com sua personalidade. É um serviço exclusivo no qual, após passar algumas horas em sua companhia, o personal shopper seleciona peças que tenham a sua cara ou que transmitam a imagem que você deseja passar para o resto do mundo.

O trabalho como consultora de estilo é o de utilizar as ferramentas oferecidas pela moda como meios de empoderar — e não aprisionar — quem as veste. É um processo que passa, muitas vezes, pela redescoberta do corpo. Ao se despir em um provador, a pessoa expõe questões profundas e a escolha do que vestir pode revelar muito sobre sua autoestima, suas inseguranças ou carências.

Capa_Umbrindeaisso_webÍcone de moda e precursora do serviço de personal shopper, Betty Halbreich — hoje uma garota de 86 anos —  tem, desde a infância, o talento de escolher as melhores roupas e acessórios. Ela divide conosco sua trajetória, entre lembranças e referências, em seu livro de memórias Um brinde a isso.

Em plena atividade, o eterno símbolo de elegância passeia pelos sete andares da luxuosa e histórica loja de departamentos novaiorquina Bergdorf Goodman, que abriga marcas como Givenchy, Lanvin e Prada, convicta de que seu trabalho envolve muitas possibilidades além das etiquetas grifadas. É capaz de melhorar e dar sentido à vida de muitas pessoas — incluindo a sua.

Leia um trecho de Um brinde a isso

Seu talento conquistou uma legião de clientes fiéis que se tornaram grandes amigas, entre elas famosas como a saudosa Joan Rivers, do programa de TV Fashion Police, a atriz Lauren Bacall e Lena Dunham, roteirista  e protagonista da série Girls. O reconhecimento também vem com convites para projetos no cinema, no teatro e na TV. Betty já foi responsável pelos figurinos de dezenas de filmes e de peças da Broadway, além da parceria bem-sucedida com a stylist Patricia Field para a icônica série Sex and the City.

Quem procura os serviços nem sempre precisa de mais uma roupa, e Betty sabe que vestir os outros pode ser uma forma de ajudá-los a encarar o mundo de uma forma mais positiva, a se sentirem mais confiantes e seguros. Ela mesma se reinventou ao começar a trabalhar aos quarenta anos, após ficar internada em um hospital psiquiátrico por não conseguir lidar com a solidão após o fim de seu casamento e a indiferença dos filhos.

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Além de não acreditar na efemeridade das tendências, a low profile Betty tem fortes convicções: roupas não devem ser descartáveis e compras não preenchem vazios existenciais. Sincera, ela não hesita quando a peça não cai bem ou não tem a ver com o estilo de quem a veste — é perfeitamente capaz de deixar clientes irem embora de mãos vazias.

Sem pretensão alguma, Betty foi visionária ao propagar a ideia de que moda não precisa necessariamente ser cara e inacessível. E seu discurso reforça uma atual e necessária ordem do consumo mundial, voltada para compras conscientes e o slow fashion. “Meu trabalho não é entulhar closets com itens inúteis. Na verdade, meu lema é: não visto closets. Minha função também não é ditar moda. É possibilitar que as pessoas se deem ao prazer de comprar coisas bonitas, se sintam importantes e se sintam melhor.”

Leia também: A história de Betty Halbreich será adaptada para a TV por Lena Dunham
Leia também: São só roupas – Um brinde a isso!

*Ana Soares é consultora de estilo com foco em moda acessível. No blog Hoje Vou Assim OFF publica seus pensamentos sobre consumo consciente e autoestima e mostra como ser feliz com o que se tem no guarda-roupa.

testeUma vida dedicada ao estilo

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Betty Halbreich por Mike McGregor/Getty Images

Se você não é muito ligado no mundo da moda, pode nunca ter ouvido falar em Betty Halbreich. Mas guarde a informação: Betty é muito mais que um ícone fashion. Com 86 anos, a elegante senhora trabalha como personal shopper há quatro décadas na Bergdorf Goodman, uma das lojas mais sofisticadas e charmosas de Nova York.

Além de vestir mulheres anônimas, Betty é conhecida por escolher os looks de celebridades como Meryl Streep e Sarah Jessica Parker e colaborar para programas como Sex and the City e filmes de Woody Allen. No entanto, apesar de todo o glamour, sua vida nem sempre foi fácil.

Capa_Umbrindeaisso_webAntes de se tornar um dos maiores nomes da moda, Betty passou por momentos delicados. Traições, separação e até uma tentativa de suicídio são algumas das situações reveladas em Um brinde a isso, livro que reúne suas memórias como pioneira no serviço de compras personalizadas. Meticulosa e engraçada, ela conta como deu a volta por cima e teve coragem de buscar a independência em um período no qual a maioria das mulheres não trabalhava fora de casa.

link-externoLeia um trecho de Um brinde a isso

A fascinante trajetória de Betty também será adaptada para a TV por ninguém menos que Lena Dunham, criadora, roteirista, diretora e protagonista da série Girls e autora de Não sou uma dessas. A atração ainda não tem data de estreia.

link-externoA voz que faltava: confira o perfil de Lena Dunham

Betty Halbreich e Lena Dunham

Betty Halbreich e Lena Dunham por Joe Schildhorn/BFA

testeA voz que faltava

Por João Lourenço*

Lena dunhan

É outono em Nova York e há um certo senso de urgência no ar. Os ventos gelados do Atlântico anunciam a chegada de mais um longo inverno. Em uma sexta-feira alaranjada, parece que metade de Manhattan decidiu aparecer no mesmo lugar. Trata-se da primeira noite do The New Yorker Festival, evento anual de arte, música, literatura e cinema realizado pela prestigiosa revista The New Yorker. Boa parte dessa multidão está lá para ouvir e ver o rosto desta geração: Lena Dunham.

Se você ficou sem internet e sem TV nos últimos anos, um pequeno resumo: Lena é produtora, roteirista, atriz e show runner da série Girls, do canal HBO. Ela também acaba de lançar o livro Não sou uma dessas, em que relata seus fracassos, desejos, paranoias e obsessões, tudo em tom cômico e depreciativo, mas corajoso.

Não sou uma dessas - FRENTE FINALAntes de começar a sabatina, Lena deixa um recado para a plateia: “Sempre fui um livro aberto. Abro a boca e acabo entregando tudo, nunca me senti confortável com aquelas coisas que nossos pais ou a sociedade nos aconselham a manter para nós mesmos. Sempre acreditei que o conceito de segredo pode ser bastante destrutivo. Meus pais tentavam controlar a minha língua, pois eu era o tipo de criança que falava tudo que vinha à cabeça. Ainda sou assim!”

Como um prelúdio do que estava para acontecer, Lena Dunham teve uma infância bastante agitada. Filha do pintor Carroll Dunham e da designer e fotógrafa Laurie Simmons, Lena cresceu entre os artistas boêmios do SoHo e do Brooklyn, em Nova York. “Sempre vi esse universo com um olhar de romance.” Para desenvolver uma linguagem artística própria, deixou a casa dos pais e se mudou para o estado de Ohio, onde estudou escrita criativa. Lá, começou a escrever e dirigir os primeiros curta-metragens, tudo no esquema colaborativo entre amigos de faculdade. Dessa fase universitária, destaca-se o web show Delusional Downtown Divas, uma sátira ao mundo da arte.

Quando voltou para Nova York, cansada de enfrentar audições para papéis secundários, Lena convidou alguns amigos e a própria família para estrelarem o primeiro longa que dirigiu, Tiny Furnitures. Ela fez o papel principal e explorou conflitos comuns a qualquer pessoa, como a transição da juventude para a idade adulta. Indicado a vários prêmios do cinema independente, o longa chamou a atenção de Judd Appatow. Conhecido por ter produzido o filme Missão Madrinha de Casamento e dirigido O Virgem de 40 Anos, Appatow convidou Lena para um projeto de série de TV. Meses depois, eles surgiram com o seriado Girls, sucesso imediato entre público e crítica. De acordo com Lena, a série é uma mistura de ficção com experiências próprias — ora trágicas, ora cômicas. “Às vezes me sinto uma fraude, pois coloco muito do que acontece comigo na série. Quando esse sentimento começa a me perseguir, mudo o tom do roteiro e tento deixar minha vida de lado. No geral, não tenho problemas com amigos próximos. Não é como se eu fosse jantar com uma amiga e, no dia seguinte, escrevesse tudo que ela me contou para depois usar na série. O processo de criação é mais complexo do que isso.”

Cena de "Tiny Furniture"

Cena de “Tiny Furnitures”

Em Girls, Lena manteve a mesma postura corajosa dos trabalhos anteriores. Temas tabus como sexo, aborto e racismo já foram discutidos na série. Ela escreve sobre mulheres que, apesar de nem sempre escolherem a melhor opção, buscam maneiras de se sentirem confortáveis na própria pele. “Acho engraçado o fato de que muitas pessoas, quando me encontram na rua, agem como se me conhecessem profundamente. Não me incomoda. Sabe, nessas situações, eu tento agir da mesma forma, como se fossem pessoas que eu também conhecesse. Isso me mostra que já existe uma conexão honesta com o público.” A tal conexão de que Lena está falando lhe rendeu dois Globos de Ouro — melhor atriz e melhor série de comédia — em 2013, além de indicações ao Emmy, maior premiação da TV americana. No mesmo ano, Lena entrou para a lista anual das pessoas mais influentes da revista Time. Muito desse prestígio está ligado a seu lado político e ativista. Na última eleição presidencial nos Estados Unidos, ela apareceu em rede nacional para pedir a participação dos jovens na política. Sem medo de críticas, Lena também defende causas sociais, como o casamento gay. Namorada do guitarrista Jack Antonoff, da banda Fun, ela disse que só vai se casar quando o matrimônio entre pessoas do mesmo sexo for aprovado em todos os estados americanos.

Apesar de não se identificar com o título de “voz de sua geração”, uma coisa é certa: seja da telinha, das telonas ou das prateleiras, Lena Dunham não vai embora tão cedo.

 Leia um trecho de Não sou uma dessas

João Lourenço é jornalista. Passou pela redação da FFW MAG!, colaborou com a Harper’s Bazaare com a ABD Conceitual, entre outras publicações estrangeiras de moda e design. Agora, está em NYC tentando escrever seu primeiro romance.

testeEla está em todos os lugares

Lena Dunham não para. Sempre pronta para dizer algo, as criações da autora de Não sou uma dessas estão em todos os lugares: nas livrarias, na internet e, em janeiro, estarão de volta à TV com os episódios inéditos da série Girls. Exibida pela HBO, a quarta temporada da atração estreia de dia 11 de janeiro nos Estados Unidos.

Confira o primeiro pôster divulgado e o trailer da série.

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Leia um trecho de Não sou uma dessas.

testeAS CAUSAS DE LENA

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Lena Dunham não tem medo de se expor e dizer o que pensa. Como boa representante de sua geração, ela usa a influência nas redes sociais para defender seus ideais e mobilizar seguidores em prol das causas em que acredita.

Conheça cinco bandeiras defendidas pela autora de Não sou uma dessas:

Feminismo: Para a autora, criadora e protagonista da série Girls, exibida pela HBO, essa é a principal bandeira. Defensora dos direitos femininos, Lena acredita que a igualdade de gênero é uma das causas mais urgentes e importantes. Ela afirma que todas as mulheres deveriam ser livres para escolher o que querem para suas vidas, sem serem criticadas por isso.

Política: Democrata declarada, Lena já foi alvo de polêmica quando anunciou em um vídeo que votaria no então candidato Barack Obama. Engajada, a autora aborda assuntos como o sistema de saúde público americano e faz críticas sobre o modelo atual.  Porém, uma das suas principais missões é incentivar a participação dos jovens na política. Usuária do Twitter e do Instagram, ela aproveitou as redes para apoiar campanhas como a da organização Planned Parenthood Action Fund, responsável por montar uma lista com todos os candidatos que já se propuseram a lutar pelos direitos femininos. Para chamar atenção à causa, ela tirou a camisa e postou uma foto com a hashtag do projeto estampado no corpo.

Casamento gay: Assim como defende o direito de fazer suas próprias escolhas, Lena é a favor da causa LGBT. A autora já declarou que só vai subir ao altar quando o casamento gay for 100% liberado nos Estados Unidos.

Padrões de beleza: Lena é contra a ditadura dos padrões de beleza atual. A autora admite que já fez dietas malucas para tentar ter o corpo dito como ideal, mas acredita que as mulheres não deveriam ter vergonha de não estar dentro do modelo imposto pela sociedade.

Fotos vazadas na internet: Como feminista assumida, Lena se posiciona abertamente sobre as fotos íntimas que vazam na rede. Quando atrizes como Jennifer Lawrence tiveram a privacidade invadida, a autora voltou a expressar sua opinião declarando que pessoas que divulgam essas imagens não são hackers, mas, sim, agressores sexuais.

Seja diante das câmeras, na internet ou agora nas livrarias, Lena Dunham é o tipo de garota que não passa despercebida. Com opiniões fortes, ela desperta não só atenção, mas respeito.

link-externoLeia também: A voz que faltava

testeLENA FENÔMENO DUNHAM

 

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Após vender mais de 38 mil exemplares na semana do lançamento nos Estados Unidos, Lena Dunham, que estreou no topo, está há quatro semanas em segundo lugar na lista dos livros mais vendidos do New York Times. Além desse feito, Não sou uma dessas, livro que reúne memórias da atriz e diretora, chegou ao primeiro lugar da lista no Canadá e ao terceiro  na Grã-Bretanha. Previsto para ser publicado em 24 países, o livro chega às livrarias brasileiras em 15 de novembro.

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 O livro é uma coleção de ensaios autobiográficos em que a autora revela ─ às vezes em detalhes constrangedores ─ suas experiências com sexo, amor, solidão, dietas malucas, carreira, problemas de autoimagem e a necessidade de se impor num ambiente dominado por homens com o dobro da sua idade.

testeESTANTE INTRÍNSECA – LANÇAMENTOS DE NOVEMBRO

 

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O capital no século XXI, de Thomas Piketty

Em O capital no século XXI, o economista francês Thomas Piketty apresenta um conjunto inédito de dados de vinte países para os últimos duzentos anos. O autor demonstra que o crescimento econômico e a difusão do conhecimento ao longo do século XX impediram que se concretizasse o cenário apocalíptico preconizado por Karl Marx, mas, ao contrário do que o otimismo dominante após a Segunda Guerra Mundial costuma sugerir, a estrutura básica do capital e da desigualdade permaneceu relativamente inalterada. Piketty constata que a taxa de rendimento do capital supera o crescimento econômico — e isso se traduz numa concentração cada vez maior da riqueza, um círculo vicioso de desigualdade que, a um nível extremo, pode levar a um descontentamento geral e até ameaçar os valores democráticos.

 

Não sou uma dessas, de Lena Dunham

Em seu livro de estreia, Lena Dunham, criadora, produtora e estrela da série Girls, da HBO, faz um balanço das escolhas e experiências que a conduziram à vida adulta. A autora apresenta uma coleção de sinceros relatos pessoais, que a revelam como um dos jovens talentos mais originais da atualidade. Engajada, Lena expressa sua opinião sobre sexo, amor, solidão, carreira, dietas malucas, problemas com sua autoimagem e a luta para se impor num ambiente dominado por homens com o dobro da sua idade.

 

Filme Noturno, de Marisha Pessl

Em uma noite fria de outono, Ashley Cordova é encontrada morta em um armazém abandonado em Manhattan. Embora a polícia suspeite de suicídio, o jornalista Scott McGrath acredita que exista algo mais por trás dessa história. Seu interesse pelo caso não é gratuito: Ashley é filha do famoso e recluso diretor de filmes de terror Stanislas Cordova, um homem que não é visto em público há mais de trinta anos e que, no passado, teve um papel trágico na vida de McGrath. Impulsionado por vingança, curiosidade e necessidade de descobrir a verdade, o jornalista é atraído para o horripilante e hipnótico mundo de Stanislas. Da última vez que chegou perto do cineasta, McGrath perdeu o casamento e a carreira. Dessa vez, pode acabar perdendo muito mais.

 

Segundo – Eu me chamo Antônio, de Pedro Gabriel

 Com frases irreverentes e poéticas, Antônio, o alter ego do autor Pedro Gabriel, expressa, entre um chope e outro, seus sentimentos em ilustrações feitas em guardanapos de papel. Em Segundo – Eu me chamo Antônio, ele abre para o mundo as páginas do caderno em que escreve fragmentos de textos e explora sua criatividade brincando com frases e esboços. Com ilustrações inéditas, o livro apresenta textos em prosa poética e novas técnicas, como xilogravura, nanquim e colagem.

 Annie, de Thomas Meehan

 Annie é uma corajosa garota de onze anos que tem um grande sonho: encontrar os pais. Deixada por eles num orfanato quando ainda era um bebê com a promessa de que um dia voltariam para buscá-la, a menina leva uma vida difícil sob o comando da malvada Srta. Hannigan, diretora do lugar. Felizmente, a sorte de Annie parece mudar quando o bilionário Oliver Warbucks, auxiliado por sua secretária, a amável Srta. Grace Farrell, decide convidar Annie para passar as festas de fim de ano em sua mansão e logo se vê cativado pelo otimismo dela. Inspirado em uma popular tirinha de um jornal norte-americano, a história da órfã foi retratada em espetáculo da Broadway e agora ganha nova adaptação para o cinema, que estreia no Brasil em fevereiro de 2015.

 Max Perkins, um editor de gênios, de A. Scott Berg

O livro, vencedor do National Book Award, explora a vida de Max Perkins, um editor extraordinário. Com acesso sem precedentes à correspondência entre Perkins e seus escritores, A. Scott Berg revela, com perspicácia e humor, detalhes da vida profissional e pessoal de uma das figuras mais lendárias da história do mercado editorial americano. Além do tumultuado casamento, das excentricidades sedutoras e do romance secreto de 25 anos com Elizabeth Lemmon, a obra aborda a relação de Perkins com os maiores luminares da literatura do século XX: F. Scott Fitzgerald, Ernest Hemingway, Thomas Wolfe, Taylor Caldwell e vários outros.

 Noite de bolo e marionetes − Uma novela da trilogia Feita de fumaça e osso, de Laini Taylor ─ lançamento exclusivo em e-book

Esta novela conta como Zuzana e Mik começaram a namorar, em uma noite que é citada no romance Feita de fumaça e osso.  Mesmo sendo muito pequena, Zuzana, a “fada raivosa”, não é de se deixar intimidar. Sua melhor amiga, Karou, diz que ela tem “olhos de vodu”, capazes de fazer o sangue das pessoas congelar. Mas na hora de falar com Mik, a coragem a abandona. Os dois trabalham com teatro de marionetes: ela, como artesã dos fantoches, e ele, como violinista. Há tempos ela está apaixonada pelo “garoto do violino”, mas agora é hora de tomar uma atitude. Zuzana está determinada a se fazer notar, e tem um plano — repleto de verdadeira magia. É uma caça ao tesouro, que vai levar Mik por toda Praga em uma fria noite de inverno, e o tesouro será a própria Zuzana.

 Cachorros submarinos, de Seth Casteel

 Nesse livro, o premiado fotógrafo de bichos de estimação e ativista em defesa dos direitos dos animais mostra um novo lado dos cães com vibrantes fotografias subaquáticas. De fora,parece simples: um cachorro dá um salto, mergulha e então volta à superfície molhado e triunfante, com uma bola na boca. Debaixo d’água, porém, o que vemos é um caótico balé de dentes e bolhas, patas se movendo, pelos e orelhas balançando. Em mais de oitenta fotos, selecionadas entre quase 300 mil, Seth Casteel apresenta imagens de cães que se tornaram uma sensação em todo o mundo.

O presente do meu grande amor: Doze histórias de NatalStephanie Perkins (org.)

 Nas doze histórias escritas por alguns dos mais populares autores da atualidade, entre eles David Levithan, Jenny Han, Gayle Forman, Laini Taylor, Rainbow Rowell e Holly Black, há um pouco de tudo: presentes, árvores enfeitadas, luzes pisca-pisca, beijo à meia-noite. Cada conto preserva o estilo e as características de seu autor, que surpreendem com textos para leitores de todas as idades.

 A vingança dos seteSérie Os Legados de Lorien (Vol. 5), de Pittacus Lore

 No volume anterior da série Os Legados de Lorien, a Garde sofreu uma perda irreparável. O Número Cinco os traiu. O Número Oito se foi parasempre. Ella foi raptada. Os outros estão agora dispersos por vários lugares. Nesse quinto livro, John faz o mais improvável dos aliados: Adam, um mogadoriano que virou as costas para seu povo. Ele tem informações valiosas sobre a tecnologia, as estratégias de batalha e as vulnerabilidades dos mogs. Mais importante, ele sabe onde abatê-los: na base de comando, perto de Washington, DC. Durante a ação, no entanto, John e Adam compreendem que talvez seja tarde demais. Os mogadorianos deram início a seu plano de invasão definitivo. Nas mãos do inimigo, Ella está prestes a assistir à invasão de um lugar privilegiado. Por algum motivo, ela é mais valiosa viva. Enquanto isso, Seis, Nove e Marina seguem no encalço de Cinco. Com o desenvolvimento de um novo Legado, Marina finalmente tem o poder de reagir — se sua sede de vingança nãoconsumi-la primeiro. A Garde está abalada, mas não será derrotada. A batalha pela sobrevivência da Terra não está perdida.

testeELA É DESSES FENÔMENOS

Lena Dunham

Considerado intenso, sincero e divertido pelo The New York Times, Não sou uma dessas, de Lena Dunham, vendeu 38 mil exemplares em apenas uma semana e figura entre os dez livros mais vendidos da Amazon. A estreia literária da atriz e diretora foi lançada nos Estados Unidos no último dia 30 e será publicada no Brasil em novembro. O livro é uma coleção de ensaios autobiográficos em que a autora revela ─ às vezes em detalhes constrangedores ─ suas experiências com sexo, amor, solidão, dietas malucas, carreira, problemas de autoimagem e a necessidade de se impor num ambiente dominado por homens com o dobro da sua idade.

NaoSouUmaDessas_WEB

Aos 28 anos, a nova-iorquina Lena é criadora, diretora, roteirista e protagonista da série Girls, exibida pelo canal HBO, que já lhe rendeu o Globo de Ouro de melhor atriz de comédia e várias indicações para o Emmy e o BAFTA. Ela também foi a primeira mulher a ganhar o Director’s Guild Award na categoria comédia.