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O que esperamos de Tartarugas até lá embaixo?

1 / setembro / 2017

Por Iris Figueiredo*

Foto: Ana Franco

John Green é um dos meus autores favoritos, não apenas pelo jeito que escreve, mas pelo que transmite. Há pouco mais de dois anos, eu me desmontei em lágrimas quando tive a chance de conhecê-lo pessoalmente e dizer um pouquinho do que ele representava para mim. É muito louco (e bom!) o quanto livros conectam pessoas. As histórias do John não me apresentaram apenas personagens incríveis como também me deram amigos, parte de uma comunidade maravilhosa construída através do trabalho criativo dos irmãos Green.

John (sou íntima, ele me pediu um abraço!) vai publicar seu novo livro no dia 10 de outubro — que terá lançamento simultâneo no Brasil. Minhas expectativas para Tartarugas até lá embaixo são muito altas, não apenas porque é o primeiro livro dele depois do best-seller A culpa é das estrelas, que o elevou a um novo patamar de reconhecimento, mas também porque dessa vez ele conta uma história bem mais pessoal.

Depois de passar alguns anos sem conseguir escrever por causa da pressão e da ansiedade para entregar algo que correspondesse às expectativas do público, John finalmente conseguiu concluir seu projeto. Ao longo dos anos, eu o acompanhei em seu canal no YouTube, e até mesmo no Twitter, sobre a dificuldade que estava enfrentando para encontrar a história. Não consigo imaginar quão louco deve ser ter o mundo de olho no que você está fazendo, mas sei que do John Green sempre posso esperar algo apaixonante.

Ame ou odeie, não dá para negar que John sempre cria histórias para lá de originais. Narrados por adolescentes nerds que pensam demais sobre a vida, cada livro segue um caminho diferente e todos eles são ótimos — cada um a seu modo. Quem diz que John Green é autor de uma “história única” com certeza não leu os livros dele.

Em Quem é você, Alasca? aprendi que algumas pessoas podem mexer com a gente a ponto de nos ajudar a encontrar o caminho para fora do labirinto de sofrimento (mesmo que elas estejam presas nele). Com O teorema Katherine descobri que por mais que a matemática seja exata, os relacionamentos não são. Em Cidades de papel entendi que não podemos ficar depositando todos os nossos sonhos e expectativas em uma pessoa. E com A culpa é das estrelas me dei conta de que nada está garantido, que o amanhã é uma dádiva e que cada dia deve ser vivido da melhor forma possível.

Tartarugas até lá embaixo é o primeiro livro em que o John vai falar sobre um transtorno que afetou sua vida assim como a da protagonista da história, Aza Holmes. Isso mexe comigo porque também sei como é ser enganada pelo próprio cérebro às vezes e acho que só quem passa por isso consegue transportar bem a sensação para as páginas.

Sinto que Tartarugas até lá embaixo vai ter um lugar especial no meu coração, não apenas por ser um livro do John Green, mas porque sei que essa é uma história mais pessoal para o John e provavelmente vai falar comigo de forma ainda mais próxima que os outros. Mal posso esperar para ter o livro em minhas mãos e devorar todas as páginas em apenas um dia, só para morrer mais alguns anos esperando pelo próximo.

Eu quero é tartaruga pra dedéu — como dizem os nerdfighters — e espero que, mais uma vez, John Green me toque com suas palavras incríveis, personagens adoravelmente esquisitos e uma história que vai permanecer comigo anos depois de virar a última página.


 

Iris Figueiredo é escritora, tradutora e revisora. Sua paixão são os livros para jovens adultos, histórias que falam sobre crescer e amadurecer no mundo real e imaginário. Quando não está com a cara enfiada nos livros, está debatendo cultura pop por aí.

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Comentários

Uma resposta para “O que esperamos de Tartarugas até lá embaixo?

  1. John Green é um dos melhores escritores do mundo😍😍😍

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