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Porcelain, por Moby

13 / abril / 2016

De um dos músicos mais icônicos e fascinantes de nosso tempo, Porcelain é o relato terno, divertido e angustiante de uma trajetória que vai da pobreza e alienação ao improvável sucesso mundial

Havia diversas razões para Moby jamais deslanchar como DJ e músico na cena club nova-iorquina. Aquela era a Nova York das boates Palladium, Mars, Limelight e Twilo, a cidade do hedonismo desenfreado regado a drogas, das noites fervilhantes, e lá estava Richard Melville Hall, descendente distante do escritor de Moby Dick, um garoto branco, pobre e magrelo de Connecticut, cristão devoto, vegano e totalmente careta. Mas ele encontrou seu espaço e atingiu o sucesso, que logo se mostrou efêmero e cheio de complicações. No limiar da década de 1990, frente a um fim iminente, acabou criando o álbum que viria a ser o início de uma nova fase espetacular: o megassucesso Play, que vendeu milhões de cópias no mundo todo.

Com uma voz que ressoa honestidade e uma paixão inabalável por sua música, o que Moby conta é tanto uma crônica sobre uma cidade e uma época, quanto uma exploração profundamente íntima da busca pelo sucesso. Mais que uma autobiografia, Porcelain, é o retrato de um jovem imerso em uma cena cultural extremamente instigante, narrada com o ritmo e a fluidez de um romance da melhor qualidade.

Confira a apresentação feita pelo próprio Moby para o livro que chega a partir 24 de maio às livrarias:

 

alguns anos atrás, em uma festa no brooklyn, eu estava contando uma história sobre a nova york de 1989.

as ampolas de crack vazias nas plataformas do metrô, as raves até altas horas nos porões vazios e armazéns abandonados, as profissionais do sexo paradas em meio a sangue e vísceras no meatpacking district e os estúdios alugados a 500 dólares por mês…

contei mais, sobre quando comecei a fazer discos, que reciclava latas e garrafas para ganhar o dinheiro da comida, sobre a fábrica abandonada sem banheiro nem água encanada onde eu morava, e que logo antes do lançamento do álbum play eu achava que minha carreira de músico tinha acabado.

eu me senti um pouco como o vovô simpson, contando sobre os disfuncionais dias de glória de uma nova york anterior à abundância desconcertante na qual a cidade caiu.

depois de algumas histórias, alguém disse: “você deveria escrever um livro.”

e então eu escrevi.

porcelain é sobre minha vida entre 1989 e 1999, mas também é sobre nova york se transformando de uma cidade detonada e suja em uma cidade bizarra e estratosfericamente cara.

porcelain é também sobre a cena underground de hip hop e house music do fim dos anos 1980 e sobre o nascimento dos club kids e da cena rave.

começo o livro como um cristão abstêmio em um espaço minúsculo numa fábrica abandonada e termino em um lugar bem diferente.

tentei ser o mais honesto possível. em porcelain, não sou um narrador descolado nem um anti-herói rebelde, sou apenas um ser humano perdido e desorientado tentando entender os mundos estranhos nos quais me encontro.

repito: tentei ser o mais honesto possível
espero que você goste.

obrigado,
moby

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